Em três anos, o número de vezes que eles tiveram algo parecido com uma conversa amigável poderia ser contado nos dedos de uma só mão.
Por outro lado, as mensagens de Micah pedindo que Darya aparecesse no hospital, com as mangas arregaçadas e a veia pronta, tinham inundado o w******p dela.
Pouco a pouco, mensagem por mensagem, ele minou o muro que ela construiu ao seu redor para se proteger da realidade c***l e esmagadora: ele não a amava.
Nunca amou, nunca amaria.
Ela via o casamento como uma forma de compartilhar a vida com o homem que amava.
Ele provavelmente enxergava aquilo como uma negociação.
"Um acordo é um acordo", ele costumava dizer.
A foto de Regina foi a bola de demolição que finalmente fez o muro inteiro desabar.
Darya se levantou, fechou os olhos, esperando que a tontura passasse, e tentou ignorar a dor s***a no peito.
Ela sempre foi o tipo determinada.
Ainda assim, apagar três anos da sua vida, reconhecer que foram um fracasso total, era difícil de engolir.
Os olhos de Darya estavam vermelhos, mas secos.
Ela não ia chorar.
Ficou ali por um momento, organizando os pensamentos e emoções.
A porta da frente da casa se abriu com força.
Micah, alto e elegante, vestido com um terno cinza chumbo, entrou com passos rápidos e firmes.
O desagrado passou pelos olhos dele ao vê-la na sala de estar.
Intensificou-se em fúria quando percebeu o iPhone na mão dela.
"Se o seu celular está funcionando, por que você não respondeu às minhas mensagens ou chamadas?"
Darya encarou a expressão dele, memorizando seus traços marcantes.
Provavelmente seria a última vez que estariam tão próximos assim.
Micah, sempre direto, agarrou o pulso dela e começou a caminhar em direção à porta.
"Você precisa ir ao hospital, agora."
"Eu sei." Darya travou os pés no chão, precisando se segurar no encosto do sofá para não ser arrastada.
"Então por que você ainda está parada aí?" Micah soltou um suspiro impaciente.
"Eu vou ao hospital. Vou doar sangue. Mas antes disso, preciso de algo de você."
"Dinheiro? Já transferi para a sua conta." Micah enfiou as mãos nos bolsos. "Confere lá."
"Não é sobre dinheiro."
"Então o quê? Seja direta. Estamos perdendo tempo aqui."
"Eu quero o divórcio." O tom gelado de Darya combinava com o dele.
Cuidadosamente, ela manteve o rosto inexpressivo, tentando esconder o sofrimento na voz.
Micah analisou a esposa com mais atenção.
Ele sabia que sua audição estava boa, mas por um breve momento questionou isso.
Ela realmente tinha acabado de pedir o divórcio?
Ela não foi quem insistiu no casamento desde o início?
O que mudou?
Ele disse o que pensava: "Preciso de uma explicação."
"Eu não tenho uma. Se você quiser que eu doe sangue para Regina, essa é a condição."
"Esse não era o acordo que fizemos."
"Eu sei. Quebrei minha palavra. Me processa." Ela deu de ombros.
A surpresa passou pelo rosto dele.
Micah nunca tinha visto sua esposa tão... confrontadora.
Ela parecia calma, mas ele percebeu o que poderia ser raiva queimando nos olhos grandes, redondos e vermelhos dela.
Ainda assim, na cabeça dele, não havia motivo lógico para ela estar irritada.
As coisas estavam como sempre estiveram.
Uma ideia surgiu na mente dele.
Será que isso era uma daquelas oscilações de humor famosas durante o período das mulheres?
Um amigo disse uma vez, provavelmente por experiência própria, que era impossível argumentar com uma mulher naqueles dias.
Micah achou melhor acompanhar a proposta dela por enquanto.
Talvez, em uns dois dias, ela se acalmasse e voltasse atrás, o que daria a ele a vantagem na negociação de um novo acordo.
"Certo." Ele assentiu. "Você já preparou os documentos?"
"Ah, não." Darya não esperava que ele concordasse tão rápido.
Mas, pensando bem, ele sempre foi do tipo decisivo.
"Vou imprimir um modelo de acordo de divórcio. A gente assina e manda para o Tribunal de Família. Sendo um divórcio consensual, imagino que seja rápido de aprovar."
Ele já estava subindo as escadas para seu escritório.
Atordoada, Darya esperou que ele voltasse com duas cópias impressas do documento, então assinou ambas.
Quando Micah pôs seu nome na linha pontilhada, uma sensação vaga de inquietação pairou em sua mente.
Mas ele a afastou.
"Pronto." Micah colocou uma das cópias em um envelope pardo e selou. "Vou deixar isso no correio a caminho do hospital. Vamos."
Darya guardou a outra cópia na bolsa, lutando contra o nó que se formava na garganta.
Ele tinha tornado tudo parecer tão fácil.
Será que ele estava esperando por esse momento há muito tempo?
Ela o seguiu para fora da casa, entrou no Bugatti La Voiture Noire e passou o caminho todo olhando pela janela.
Micah lançou alguns olhares para ela de vez em quando, massageou a tensão entre as sobrancelhas e lutou contra o impulso de reconsiderar sua decisão de assinar os papéis do divórcio.
Será que o jeito intempestivo dela era mesmo por causa da TPM?
Será que tudo voltaria ao normal depois de dois dias?
Ele esperava que sim.
Nenhum dos dois disse nada até o carro estacionar em frente ao Hospital Geral de Hagen.
Regina estava sentada na cama do quarto privativo VIP que Micah havia reservado para ela, com um ar frágil de flor delicada.
Um médico de jaleco branco estava sentado em uma cadeira próxima, cochilando.
Os olhos de Regina brilharam quando viu Micah entrar no quarto, mas a expressão se desfez ao notar Darya.
Darya não perdeu o lampejo de ressentimento naqueles olhos bonitos e delineados.
"Micah, eu disse que estou bem." Regina reclamou com um tom cheio de i********e familiar. "Você não precisava trazer a Darya até aqui."
Ela cobriu a boca com a mão, tossiu de forma delicada.
"Agora que ela já está aqui, que seja útil." Micah virou-se para Darya. "Arregaça a manga."