Após três horas de jantar, Matthias acomodou Darya na cama e foi para o escritório, onde revisou o plano de Avery mais uma vez.
O primeiro item da lista era um grande banquete para dar as boas-vindas à Darya e apresentá-la ao mundo.
"Certifique-se de que os Cavanaugh sejam convidados", Matthias lembrou ao filho.
"Claro." Avery trocou um sorriso com o pai.
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Dois minutos antes das seis da manhã seguinte, Darya foi brusca e repentinamente acordada pelo rugido ensurdecedor de um motor potente na entrada da casa.
Cinco minutos depois, a porta do seu quarto foi aberta com um estrondo.
"Dolly!" Bianca Zimmermann irrompeu no quarto, saltou para a cama onde Darya acabava de se sentar e apertou a melhor amiga num abraço de urso.
Darya tentou respirar enquanto seu rosto estava enterrado entre os volumosos s***s de Bianca. "Não...consigo...respirar."
Bianca se afastou, segurou Darya pelos ombros e passou os olhos castanhos, com cílios longos, pelo rosto amassado de sono da amiga. "Você tá com uma cara horrível."
"Senti sua falta, amiga." Darya sorriu. "Como você soube que eu voltei?"
"Tio Bill me mandou mensagem." Ela apontou um dedo com unha rosa para o peito de Darya. "Que era exatamente o que você deveria ter feito assim que chutou aquele homem Cavanaugh pra escanteio."
"Eu nem chutei ninguém. Só fui embora."
"Deixa eu ver!"
"Ver o quê?"
"Os papéis do divórcio. Tenho que ver pra acreditar que é verdade."
"Tá bom." Darya foi logo buscar o documento na bolsa sobre a mesinha de cabeceira. "Aqui."
Sentada de pernas cruzadas na cama, Bianca examinou o papel, acenando com a cabeça, séria. "Parece tudo em ordem."
Depois, jogou o documento de lado e abraçou Darya de novo. "Então, você tá oficialmente de volta!"
"Estou."
"A venda dos olhos finalmente caiu, hein? Você viu as cores verdadeiras dele."
"Vi." Darya bocejou e se espreguiçou.
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Três anos atrás, Bianca foi uma das maiores opositoras à ideia de Darya de se casar com Micah sob um nome falso.
Fez de tudo pra convencer Darya a desistir, dizendo que devia ser só uma paixonite.
Mas Darya, teimosa e loucamente apaixonada, se recusou a ouvir.
"Ainda bem que acabou." Bianca foi até o armário, começando a escolher uma roupa para Darya. "Quer dizer, eu entendo: o cara é lindo de doer e tem um corpo de tirar o fôlego. Dá pra entender por que as mulheres babam por ele. Mas como eu te disse, você devia só ter dormido com ele, sabe? Tirar o cavalinho da chuva e seguir sua vida. Não precisava ter casado com ele."
"Eu sei." Darya foi até o banheiro, deixando a porta aberta enquanto escovava os dentes.
Bianca entrou logo depois, segurando um vestido branco da Dion Lee, e balançou a cabeça. "Você precisa de roupas novas. Tá mais magra."
Ela saiu e voltou dois minutos depois carregando um vestido de veludo amassado e um par de botas até o joelho. "A gente tem que comemorar. Vamos para Pangaea. Hora de festa!"
Darya ergueu uma sobrancelha. "Não vou pra uma balada às seis da manhã."
"Ah, para! Você é jovem, linda, rica e finalmente solteira. Hora de aproveitar, cair na farra. Dar uma olhada nos 'peixes do mar', por assim dizer."
Darya gargarejou, cuspiu e riu. "Meu pai me disse a mesma coisa ontem à noite. Não sobre festa. Sobre os peixes."
Bianca deu uma batidinha na têmpora. "Grandes mentes pensam igual."
"Talvez eu não esteja no clima pra festa ainda, mas preciso da sua ajuda."
"Claro. O que você precisa?"
Darya foi até o armário, pegou um vestido midi de malha com costas torcidas e o vestiu rapidamente. "Preciso pegar o Certificado de Julgamento Final no tribunal da família, pra formalizar o divórcio. Provavelmente já foi enviado pro endereço dos Cavanaugh. E também tenho umas coisinhas pra buscar."
"Então você quer voltar à toca dos leões." Bianca franziu o cenho.
"Só pra pegar minhas coisas. Não vai levar mais que cinco minutos."
"Ok, eu vou com você. E se seu ex-marido estiver lá, vou ajudar a chutar aquele traseiro bem-treinado dele."
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Depois de um café da manhã rápido, Darya entrou no banco do passageiro do Porsche 911 Carrera 4S amarelo canário de Bianca e deu as direções para a casa de Micah, que ficava do outro lado da cidade.
Quase duas horas depois, o carro entrou em Hyacinth Park, uma comunidade exclusiva e fechada.
Um dos seguranças anotou os nomes delas e deu instruções para o estacionamento de visitantes.
Darya liderou o caminho até a casa de três andares onde tinha passado os últimos três anos.
Micah não estava lá.
Mas Judy Cavanaugh sim.
A ex-sogra brigona de Darya estava parada nos degraus da entrada, com as mãos nos quadris.
Ela revirou os olhos sem cerimônia para Darya. "Onde você esteve a noite toda? Não terminou de lavar a louça. Nem a roupa."
Seu olhar passou rapidamente para Bianca e depois voltou para Darya. "Eu não te disse pra não trazer gentinha pra dentro de casa?"
"Quem você tá chamando de gentinha?" Bianca arregaçou as mangas metafóricas, entrando em modo combate. "Velha rabugenta."
O rosto de Judy ficou escarlate. "O que você disse?"
"Então, além de velha, f**a e amarga, você também é surda." Bianca sorriu de lado. "Deve ser um efeito colateral da idade."
Darya fez um esforço heroico para não cair na risada.
Tinha esquecido o quão afiada era a língua da sua melhor amiga.
Bianca não parou por aí.
Ela copiou a postura de Judy, deu uma olhada desdenhosa no gramado bem cuidado e na porta de carvalho com entalhes requintados, e franziu o nariz pequeno. "Que espelunca."
O peito de Judy subia e descia com força.
Ao ser confrontada com alguém mais esperto e mais rude, ela fez o que sempre fazia: recuava e escolhia um alvo mais fraco.
Judy se voltou para Darya. "É assim que você deixa sua amiga falar com sua sogra? Sem respeito! Sem educação! E você ainda se pergunta por que Micah nunca olhou pra você duas vezes."
Ela apontou um dedo com unha vermelha para Darya. "Eu nunca deveria ter deixado ele se casar com você. Felizmente, ele finalmente caiu na real. Meu filho vai te divorciar, pelo que soube."
Judy cruzou os braços sobre o peito volumoso. "Ainda bem."
Darya não reagiu, não queria perder tempo discutindo com ela.
Nos últimos três anos, Judy tinha dito coisas bem piores, em um tom bem mais agressivo.
Para Judy, nenhuma mulher jamais seria boa o suficiente para seu filho, nem mesmo a realeza.
"Só vim pegar umas coisas minhas." Darya tentou passar por Judy.
"Você não tem permissão para entrar!" Judy estendeu o braço e deu um empurrão forte nela.