Prólogo

1848 Words
Mikaella Fanning • ────── ✺ ────── • Quando tudo está muito tranquilo, devemos nos preocupa! Um ditado qual meu pai sempre usa em sua vida, demorei para começar a assimilar o porque disso. Mas creio que estou começando a entender! Nós não somos pessoas normais, não somos como aquelas famílias que podem fazer tudo tranquilamente sem se preocupar. Não podemos nem mesmo sair de nossa casa sem certa proteção! Por mais unida que seja a nossa família, eu começava a reparar em como os homens tinham cautela em falar com meu papai. Principalmente quando nós estamos por perto. Eu e minha mamãe! As perguntas que cresciam em minha mente foram por si só se respondendo, lembro-me bem quando tive que parar de ir para minha escola quando por (acidente) ela pegou fogo. Por muito pouco não aconteceu nada, eu me pergunto se não tivesse aquela vontade de ir ao banheiro... talvez eu teria levado o mesmo destino que a minha professora e outras crianças! Esse foi o primeiro trauma que tive, levei meses até começar a me recuperar. Contudo, aquilo não parava apenas naquele episódio. As minhas aulas de balé, teatro, passeios e muitos outros acabou sendo interrompidos. Meu pai não permitia mais, eu nem tentei fazer que mude de ideia. Sempre que colocava meus pés para fora desses portões algo trágico acontecia! Eu estava simplesmente cansada de ver inocentes ou homens que trabalham para nós morrerem. Eu tinha pesadelo com aquelas cenas que presenciava, com o modo que sofriam e se iniciava um confronto com os que tentavam me ferir! Renunciei a minha liberdade para evitar mais tragédias, porém... ela veio até nossa casa! Hoje me via totalmente vestida de preto, meus olhos estão inchados de ter passado toda noite chorando, meus longos cabelos dourados estão presos em um coque feito por Rosalyn a governanta da casa. Ela passa a mão em meus ombros enquanto me aguarda para que saíamos. — Está pronta? — pergunta em um tom baixo. Respiro fundo e dou de ombros, levanto-me da cadeira de minha penteadeira e seguro em sua mão. — Onde está meu papai? — pergunto mantendo meus olhos ao chão. — Ele... — hesita enquanto abre a porta de meu quarto — Ele vai nos encontrar lá! Não respondo mais, apenas a acompanho pelo extenso corredor logo chegando ao andar de baixo. Inúmeros seguranças nos aguardam perto da porta principal, eles nos olham e logo abrem-na. Muitos carros estavam enfileirados na frente da mansão, os homens carregam aquelas grandes armas começando a entrar nos veículos. Permaneço em silêncio lidando com minha dor, tentando não chorar na frente de todas essas pessoas. Um dos homens abre a porta para nós e entramos, me encolho no banco enquanto começamos a nos afastar de nossa casa! Inúmeras vezes respiro fundo me controlando, mas eu já estava tão cansada. Em menos de um ano enterramos tantos de nossa família, meus tios, primos, avô, que já estava debilitado. E agora, estávamos a caminho do enterro dela. Minha mamãe! Meu papai sumiu ontem noite desde que a notícia chegou, ela estava protegida e iria me buscar para sairmos. Mas foi para o conselho ao encontro de meu pai, e nunca mais voltou! O seu carro explodiu pouco depois de sair daquele local, ela me disse que me tiraria da mansão para sairmos juntas. Que sentia que tudo melhoraria e estaríamos seguras para isso. Infelizmente ela estava completamente errada! • ────── ✺ ────── • — Papai? — o chamo enquanto nosso carro retorna do enterro — Papai, fale comigo! Ele tinha um olhar de fúria, se manteve distante por todo funeral. — Mikaella, eu não estou bem para conversar. — seu tom é rude, no mesmo instante decido não forçar mais — Por favor minha filha, só... me dê um tempo! — dessa vez acaricia minha mão. Fecho meus olhos com força deixando que algumas lágrimas caiam pelo meu rosto, sei que ele está sofrendo muito pelo que aconteceu. Mas ele também se esqueceu que sinto o mesmo? Meu pai é um homem amoroso, justo e de bom coração. Ele se manteve dessa forma enquanto tudo e todos caiam. Mas dessa vez, ele parecia estar perdendo um pedaço de si também! Talvez daquele brilho que teve sempre! Tomei um banho assim que cheguei, não tive apetite para comer. Apenas me mantive em meu quarto pelo restante do dia! Ninguém havia me dito nada, meu pai desde que chegamos foi para um dos galpões com seus homens e desde então não o vi mais! TOC TOC — Mikaella? — ouço a voz de Rosalyn e o som da porta se abrir — Seu pai quer te ver! No mesmo instante me levanto da cama, olho em sua direção e ela tinha um olhar vago. — Onde ele está? — Na sala te esperando! Aceno com a cabeça e calço minhas sapatilhas rapidamente, seguro em minha mão uma das minhas pelúcias enquanto corro até a saída. Sigo pelos grandes corredores e escadaria, até vê-lo sentado na sua poltrona no centro da sala. Bem ao lado da que era de minha mamãe! — Me chamou papai? Ele balança o líquido em seu copo e acena com a cabeça positivamente. — Precisamos conversar minha filha. — aponta para o sofá. Caminho até ele e me sento, ele respira fundo enquanto olha por um instante para a poltrona vazia ao seu lado. Permaneço em silêncio esperando suas palavras, esperando que me dissesse o que queria e me abraçasse no fim de tudo. Como sempre fez antes, me confortando quando lhe dizia que algo havia me magoado ou quebrado meu pequeno coração! — Minha filha, te chamei aqui porque precisa estar ciente do que está acontecendo. — faz uma pequena pausa — Estamos em guerra, uma que está nos custando bem caro como pode perceber! Novamente ele olha para aquela poltrona, em seguida fecha seus olhos com força e vira o líquido do seu copo de uma vez. — Você tem apenas 12 anos, mas já está na hora de entender nossa guerra com a Albânia! — respira fundo e volta a me olhar — Você começará a ser treinada Mikaella, precisa saber se defender e lutar contra nossos inimigos! Engulo em seco, eu já o escutei tendo uma conversa similar com minha falecida mãe. Ouvi quando ela implorava que não fizesse isso, que me deixasse ter uma vida normal. — Homens maus estão fazendo tudo para nos exterminar, solicitei mais armamento com um contato meu que já conheço a anos. — o escuto atenta — Teremos mais homens, mais armas, porém isso não é o suficiente. — Por que não papai? — Eles querem te matar minha filha. — rosna raivoso — Querem de qualquer hipótese que nosso nome morra aqui. Conosco! Novamente engulo em seco. — Você precisa entender... — solta o copo e se levanta caminhando até perto de onde estou. — Se colocarem as mãos em você... a morte seria a melhor opção! — Está me assustando papai. — digo com meu queixo tremendo. — Eu não quero isso. — senta-se ao meu lado — Mas não temos opção, você tem que crescer e se tornar uma mulher forte. Pela nossa nação e por nosso nome! Franzi meu cenho, eu estava assustada e com o coração quebrado. Sem nem saber o que responder ao meu pai! — Um dia, eu sairei por aqueles portões. — o encaro — E não voltarei! As lágrimas caem ao meu rosto, ele falava em tom frio. Um que me doía só de imaginar perdê-lo também! — Por isso você terá que ser forte, terá que estar pronta e agir com inteligência para liderar os Balcãs! — respiro fundo enquanto o escuto — Nossa nação dependerá de você, e eu não estarei aqui quando isso acontecer! — Papai... — Não. — me interrompe — Me escute, a partir de hoje você Mikaella vai entender quem somos e o que temos que liderar. Vai aprender a atirar, lutar, se defender. E também, a matar! Arregalo meus olhos no mesmo instante. — Estou com medo. — digo baixo. — Eu também, porque não quero perdê-la para aqueles porcos! — abre os seus braços, finalmente mergulho em seu abraço fechando meus olhos com força. — Está tudo bem, todos sentem medo. Mas a partir de hoje terá que abrir mão dele, tem que focar no que vamos conseguir juntos... Ergo um pouco minha cabeça para olhá-lo. — O quê papai? — Matar um por um deles, e trazer a paz a nossa nação! Pisco algumas vezes voltando a mergulhar meu rosto em seu peito, ficando naquele lugar que me traz tanta segurança e paz por um longo tempo. Porém, uma pergunta ronda a minha cabeça: — Pai? — Sim? — responde ainda com os braços a minha volta. — Por que não esquecemos essa guerra? — o sinto enrijecer — Por que apenas não seguimos em paz? No mesmo segundo me arrependi de ter perguntado, mas já não tinha volta. Então mesmo o sentindo tenso continuo: — Poderíamos tentar resolver isso conversando com os Albaneses e... — Basta! — rosna, me afasto um pouco e tudo que enxergo em seus olhos é fúria. — Primeira lição, nunca em hipótese alguma pense em se render, amansar ou recuar do confronto com aqueles desgraçados. Todos eles são inimigos e tem que morrer! Engulo em seco o vendo explodir em fúria. — Nunca mais pense em me dizer isso, fui claro? — S... sim! — digo com os olhos cheios de lágrimas. — Ótimo. — se levanta e conserta seu terno — Agora durma logo, começamos seu treinamento amanhã bem cedo! Sem mais uma palavra ele sai pelo corredor de baixo, indo em direção do seu escritório. Meu queixo treme e abraço os meus joelhos enquanto choro no meio daquela sala. Meu papai sempre foi muito amoroso, ele nunca havia falo comigo dessa forma. Pode ser a dor do seu luto, a fúria dos culpados pela morte de minha mãe. Tudo que eu conseguia enxergar era um homem movido em fúria, com sede de vingança e pronto para passar por cima de tudo que se pôr em seu caminho! Eu o amo tanto, sei que também me ama. Mas vê-lo dessa forma me magoou, me feriu ainda mais do que já estou, e sinto que isso não seja algo passageiro. Essa escuridão que se prendeu nele, o tornando um homem vingativo e um tanto sombrio! Olho por urso de pelúcia em minhas mãos por um longo instante, em seguida me levanto e caminho até um lixo do corredor. O jogo dentro daquele cesto e fecho a tampa, enxugo minhas lágrimas com as costas de minhas mãos e corro em direção ao andar dos quartos. Não havia restado muitas saídas, tudo que posso fazer é acatar a vontade de meu papai! • ────── ✺ ────── • Troquei minhas bonecas por armas de fogo daquele dia em diante, e tudo bem. Eu já não poderia viver como uma garota inocente, não sendo filha de Filipo Fanning. Líder de toda máfia Sérvia!
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