Thamires.
Juntei todas as coisas sobre a mesa e coloquei na pia, lavei a louça e escutei quando minha irmã correu pela casa, sequei a mão e fui olhar o que ela estava fazendo.
Bia tem apenas 6 anos, mas é muito esperta, prometi que hoje ia levar ela no parque, enquanto a nossa mãe trabalha, eu fico com ela, de noite vou para a faculdade e isso se repete todos os dias. Meu pai faleceu, infelizmente ele era envolvido com as coisas do morro, todos o conheciam como Paulista, ele e minha mãe se envolveram bem novos, uma história longa.
As vezes eu sinto muito a falta dele, e de como as coisas eram mais fáceis, depois que meu pai se foi, minha mãe se envolveu com outro homem e de verdade eu não gosto dele, o Franscisco é um homem muito bruto, veio do Nordeste para o Rio a procura de emprego e se instalou aqui em casa, a Bia é filha dele, mas diferente do pai é um amor de menina.
Mas eu tenho que aguentar, ainda não terminei a faculdade, meu emprego não me da o suficiente pra me manter, e ta tudo bem né? Acho que todos os jovens passam por algo assim, ou não.
Minha rotina é simples, vou cedo para o centro, trabalho meio período, depois volto pra casa, cuido da Bia, minha mãe chega e fica com ela enquanto eu vou a faculdade com o Lucas e volto pra dormir, nada de mais, uma vida bem normal eu diria.
Sinto alguém puxar minha blusa e olho para baixo, Bia já estava de chinelo e com a garrafinha na mão, arrumei o cabelo dela em um coque e peguei as chaves, saimos trancando a porta e fomos andando, Bia estava cantarolando algo que eu não entendi, enauanto eu respondia uma mensagem de Lucas.
Assim que passamos pela quadra vi GG com a Camila, os dois estavam bem próximos, parei os olhando e eles se beijaram, eu não conseguia me mexer, meu corpo ficou imóvel, meu cérebro só conseguia pensar naquele momento, e no que eu estava presenciando.
- Tha, vamos, quero brincar. - Bia me chamou, então balancei a cabeça e olhei para ela que estava fazendo bico.
- Desculpa Bia, me distrai. - Peguei na mão dela e olhei de novo na direção onde GG estava e ele me olhou, desviei o olhar e voltei a andar.
Deixei Bia brincando nos brinquedos do parque e me sentei perto dela para não deixar ela sozinha por ali, peguei meu celular e vi as mensagens de Lucas, mas eu de verdade não estava com a mínima vontade de responder ele.
Fiquei um tempo ali, até que percebi passos se aproximando e quando olhei para o lado GG sorriu, tentei manter a respiração normal e ele se sentou ao meu lado.
- E ae Morena. - Aquele apelido, lembro quando ele começou a me chamar assim, eu era uma ninguém na escola, nenhum menino olhava pra mim a não ser ele.
- Oi Gabriel. - Falei tentando mostrar que a presença dele não me importa. - Como você tá?
- Eu to bem, muito melhor agora. - Ele olhou para frente assim como eu estava olhando. - Quem é a pequena? Se for do viciado que você namora, não parece nada com ele.
Ri fraco sem acreditar no que eu estava ouvindo, é sério que o GG se transformou nesse babaca?
- Primeiro, ela não é minha filha, é minha irmã, segundo... - Me levantei com raiva e ele levantou junto, nos encaramos e continuei. - Meu namorado não é viciado, lava a sua boca pra falar dele, nem todo homem que nasce aqui vai virar o que você e seu pai é.
- Será? - Respirei fundo e tentei me afastar, mas a mão dele me impediu, aquele toque, c*****o a quanto tempo eu não sentia ele me tocar e era da mesma maneira.
O calor do toque dele começou a percorrer meu corpo e ele me puxou, nossos corpos se encontraram como imas e no mesmo instante foi como se tivesse dado um choque, ele encostou os lábios no meu, minha respiração ja estava descontrolada e por mais que eu tentasse manter ela, era impossível.
Ficamos nos olhando até que a mão dele subiu pelo meu braços e eu fui fechando os olhos, meu corpo estava imóvel, não respondia a comando algum e mesmo que eu tentasse, parece que era a razão lutando com meu sentimento.
A mão dele foi até minha nuca, fechei os olhos sentindo cada toque, cada mínimo toque dele, enquanto meu corpo pega fogo. Foi então que ele encostou o lábio no meu e de fundo, bem lá no fundo ouvi uma voz chamando.
- Thamires. - Respirei fundo e coloquei as mãos no peito dele e o empurrei. - Qual foi c*****o, ta maluca?
Lucas me puxou com força e então cai sentada no banco, não tive tempo nem de por as ideias no lugar e quando voltei a olhar, os dois estavam caídos no chão. Me levantei e comecei a gritar, até que KG apareceu e puxou sem esforço algum Gabriel de cima de Lucas.
- Minha favela virou ringue de moleque agora p***a? - Ele gritou e me olhou. - Pega a tua irmã e vai pra casa.
- KG, não faz nada com eles. - Pedi sem pensar direito e ele voltou a repetir.
- Pega a sua irmã e vai pra casa Thamires, eu não quero perder todo o respeito que até hoje eu tive pelo seu pai. - Bia ja estava segurando nas minhas pernas, então peguei ela pela mão e fomos andando.
A única coisa que eu conseguia fazer era chorar, as lágrimas no meu rosto escorriam sem parar, cheguei em casa e coloquei a Bia para dentro, minha mãe ja estava la e me olhou.
- Ta tudo bem Tha? - Ela perguntou.
- Ta mãe, vou me arrumar. - Passei por ela indo pro meu quarto, fevhei a porta e me sentei na cama, eu não sei se fico com medo, se penso em como explicar tudo ao Lucas, se me agarro ao que sinto pelo GG, eu não sei.
Eu to tão confusa, tão cansada, pego meu celular e ligo para a Luana, não demora e ela me atende.
- Amiga, tá em casa? - Ela percebe minha voz diferete.
- O que aconteceu Tha? - Escuto porta batendo do outro lado. - Vem aqui pra casa, vamos nos arrumar, hoje tem baile, faz tempo que você não curte um baile comigo, ai você me conta o que aconteceu.
- Tenho aula, não posso. - Falei respirando fundo.
- Só hoje amiga, vai. - Pensei bem, um dia não vai ser problema.
- Ta bem, só vou pegar algumas coisas. - Falei me levantando e limpando o rosto.