ANNE O quarto era branco. Branco como a morte, branco como o nada, branco como tudo o que eu sentia por dentro desde que acordei naquele lugar. As paredes não tinham janelas. A luz vinha de algum lugar no teto, fria e implacável, sem nunca se apagar. Não havia noite ali. Não havia dia. Apenas o tempo se arrastando, minuto após minuto, hora após hora. Eu não comia. No começo, eles traziam bandejas com comida. Comida de verdade, que cheirava bem, que parecia gostosa. Mas eu olhava para aquilo e só conseguia pensar que já tinha sido dopada uma vez. Não confiava em nada que viesse daquela gente. Não confiava em ninguém. Então eles começaram a me amarrar na cama. Era humilhante. As tiras de couro prendiam meus pulsos e tornozelos, deixando-me esticada como um animal prestes a ser disseca

