Recém-Casados

2421 Words
Kirishima eventualmente acabou por se desculpar com Midoriya como havia prometido; o processo de perdão foi rápido, Izuku não guardaria rancor por algo do tipo, no entanto, esse era o menor de seus problemas. - Como andam as coisas com o Izuku? - Katsuki perguntou aos seus amigos, sentando-se junto a eles. - Viram mais alguém bisbilhotar? - Não. Parece que finalmente deixaram ele em paz. - Mina respondeu. - E aquele tal do Touya? - O loiro pronunciou o nome com desprezo. Kyouka negou com a cabeça. - Não vimos mais nada. É estranho, mas parece que todos desistiram de incomodar o Midoriya, de repente. - É melhor assim, mas quero que vigiem-no até termos certeza de que a barra está limpa. - Ordenou Katsuki, seus amigos concordaram. - Com toda essa gente perseguindo o Midoriya é porque ele é mesmo especial; você deu sorte de ter uma alma gêmea tão cativante, Katsubro! - Parabenizou Eijirou. Bakugou grunhiu com desgosto. - Vê se tira o olho da minha alma gêmea e presta atenção na sua, Ei! - Tudo bem, não pretendo roubá-lo de você. - O ruivo riu com uma sobrancelha arqueada. - Ai, todo esse papo sobre almas gêmeas me deixa desanimada, queria eu ser uma súcuba de sangue puro para poder ter uma também... - Resmungou Mina. Seus amigos riram; sendo uma demônio mestiça, a rosada não carregava a função de cupido sequer tinha alma gêmea, o ciclo foi rompido no momento em que nasceu. - Não é tão divertido quanto parece, confia. - Hanta raciocinou. - Eu imagino, mas me sinto excluída! - Mina suspirou. - Ainda está melhor do que eu, sou o único aqui que ainda não encontrou a minha! - Rebateu Hanta. - Espera, então vocês dois já encontraram, também? - Katsuki perguntou a Denki e Kyouka. - Pois é! Acho que você andou se distraindo demais com o Midoriya, então não tivemos chance de te contar. - Brincou o loiro. - Quer repetir isso, Denki? - Katsuki desafiou irritado. - Ah, relaxa, Katsuki! É normal, eu entendo; você também precisou correr contra o tempo para reconquistar o Midoriya, por isso teve que dar mais atenção a ele. - Diagnosticou Denki. Bakugou fitou-o surpreso. - Às vezes você não é tão i****a quanto parece. - Ei! - Protestou o loiro. - Mas agora que estão de boa, espero que possam passar mais tempo com os amigos; ainda queremos apresentá-los a vocês. - Disse Kyouka, ignorando Denki resmungando ao seu lado. - É verdade, ainda nem tive a chance de apresentar a Itsuka. - Disse Eijirou. - Ah, claro, podemos combinar algo em breve. - Bakugou concordou. - Ainda está ocupado, nos próximos dias? - Indagou Kyouka. - Sim, o casamento do Shimura já está quase aí. - O loiro explicou plenamente. - Uuuh! Você vai levar o Midoriya? - Mina indagou animada. - Claro, até porque ele também foi convidado. - Bakugou disse obviamente. - Então espero que se divirtam no casamento, Katsubro! Sei que não é o tipo de coisa que você faria no passado, estou feliz que tenha aceitado o Midoriya! - Parabenizou Eijirou. - Ugh... tanto faz. - Bakugou resmungou incomodado com o rumo da conversa. Seus amigos sorriram, todos pensando a mesma coisa; Katsuki era muito teimoso, é difícil mudar sua opinião, sempre foi uma coisa que ele tinha de querer. Finalmente estava mudando e tudo graças ao Midoriya, o que era realmente bom; aceitar sua alma gêmea lhe fez maravilhas. No dia da cerimônia, o chofer de Katsuki levou ele e seu acompanhante à igreja - que, convenhamos, não é o lugar favorito de qualquer demônio, mas não era como se Katsuki ou Himiko fossem entrar em combustão espontânea. Izuku estava maravilhado, mais principalmente com o vestido da noiva, além do que Toga não parecia tão aversiva naquele momento específico; era a primeira vez que a via usando uma maquiagem tão bonita; seu cabelo despontado também estava solto e estilizado em ondas, parecia até... normal. O buquê de lírios vermelhos também dava um belo contraste com o vestido branco e dourado. Durante o sermão do padre antes do beijo, Katsuki não pôde evitar de notar o olhar sonhador no rosto do namorado; este logo se pronunciou. - É lindo. Não é, Kacchan? - Murmurou. Katsuki arqueou a sobrancelha. - O quê, exatamente? - Tudo... - Izuku disse plenamente e se virou pro namorado. - Nunca pensou em como seria se casar? Bakugou deu de ombros. - Não preciso de um anel para provar o quanto eu te amo. Ambos trocaram sorrisos entre si e Izuku se recostou no ombro do seu acompanhante. - Eu também te amo, Kacchan... mas não é como se pudéssemos fazer isso, de qualquer forma... - Ei... sem esse pessimismo, está bem? Mesmo que as leis j*******s proíbam, ainda podemos arranjar outros meios, se quer tanto isso. - Repreendeu Katsuki. Izuku fitou-o surpreso. - Iria tão longe só para casar comigo? - Não "só" por isso; não acho que seja realmente necessário mas, se for para te fazer feliz, tudo vale a pena. O sorriso do esverdeado aumentou e este voltou a se aconchegar no ombro de Katsuki. - Obrigado, Kacchan... mas não precisa ir tão longe por minha causa. - É claro que preciso. - Bakugou disse afável ao acariciar o braço do namorado. Enfim, a plateia aplaudiu o beijo que selava o matrimônio, logo após, veio a festa de recepção; todos assistiram a primeira dança dos noivos antes de se sentarem para conversar enquanto outros ocupavam a pista de dança antes do buffet. Katsuki estava prestes a tirar seu namorado para dançar quando Shimura o abordou. - Está se divertindo, Bakugou? - Agora não tanto. - Kacchan! - Izuku repreendeu-o. Shimura riu. - Eu imaginei que não viria me dar os parabéns, por isso vim eu mesmo. - Tá, que seja; pode nos dar licença? Izuku encarou Katsuki, irritado com seu comportamento. - M-me desculpe por isso, senhor Shimura... fico feliz por vocês dois! Inclusive, adorei seu vestido, Toga! Himiko riu. - Você fala como uma garota, Midoriya. Seu comentário deixou-o acanhado. - Ah-! Bem... - Só estou brincando com você! Obrigada, mas agora sou a senhora Shimura, não esqueça disso. - Disse ela com uma piscadela. - Ah, claro! Senhora Shimura, desculpe. - Izuku sorriu. - Olha eu adoraria ficar para conversar, mas gostaria de passar um tempo com meu acompanhante agora. - Que droga, Kacchan! - Izuku repreendeu novamente. - Está tudo bem, Midoriya, não vou segurá-los por mais tempo. Aproveitem a festa! - Shimura disse calmamente ao guiar Himiko para fora dali. Izuku se virou pro namorado prestes a dar-lhe um sermão por afugentar os noivos, mas este se pronunciou antes que pudesse abrir a boca. - Quer dançar? O esverdeado fitou-o confuso antes de acompanhar Katsuki à pista de dança. Izuku timidamente deixou-se ser guiado ao som da música lenta; de repente todos os olhos do salão pareciam cair sobre ambos, mas Katsuki não parecia se importar o suficiente para prestar atenção. - Isto é meio constrangedor... - O esverdeado riu nervoso. - Por quê? - Indagou Bakugou. - Todos estão olhando. Seus olhos carmesim deram uma rápida olhada de relance em volta do salão; de fato, a atenção de todos parecia ter sido roubada para ambos. - Então vamos dar um show. - Disse Bakugou ao rodopiar Midoriya em seus braços. - Kacchan... então você não tem problema com isso? - Izuku perguntou-lhe quando estavam frente à frente novamente. - Claro que não... de que adianta ter um namorado desses e não poder exibir? Izuku corou e perdeu a fala, gaguejando de forma incompreensível. Bakugou riu do fundo da garganta. - Você fica ainda mais adorável com esse rostinho todo vermelho. O esverdeado fitou-o intensamente com a boca entreaberta; geralmente não recebia esse tipo de elogio, por isso não sabia reagir. Engoliu um seco e se calou sem saber o que responder, então se entregou ao momento. Nunca havia dançado daquela forma com alguém antes, estaria sentindo aquela conexão e conforto pelo momento ou por causa de Kacchan? De qualquer forma, aquilo não era hora para ficar se questionando, não tinha tempo a perder com coisas fúteis. Quase não perceberam a música acabar, apenas quando o resto da plateia se virou e aplaudiram a banda ao vivo; Katsuki e Izuku seguiram a iniciativa antes de se virarem de volta um pro outro, trocando olhares intensos. No caminho de volta à mesa, o casal foi abordado por um rapaz tatuado de cabelos vermelhos acompanhado de uma moça elegante de pele morena; Bakugou prontamente se pôs em frente a Izuku, encarando o homem intensamente. - Foi um belo show, senhor Bakugou. - Disse o rapaz. - Não imaginei que o Shimura fosse convidar seu ex secretário. - Resmungou o loiro. O rapaz deu de ombros. - Posso não ter sido seu melhor secretário, mas o Shimura e eu continuamos amigos. - Certo. Podem nos dar licença agora, Todoroki? Estão bloqueando o caminho. Izuku estava prestes a chamar a atenção de Kacchan pela grosseria quando se deu conta de algo. - Espera... "Todoroki"? - Indagou o esverdeado. - Ah, vejo que deve ter conhecido um dos meus irmãos mais novos. - Comentou o ruivo. Katsuki revirou os olhos, afinal sabia que Touya conhecia Izuku e estava se fazendo de desentendido, mas não era como se pudesse entregar a verdade na cara dura. - Ah! Então você é irmão mais velho do Shouto Todoroki? - Izuku questionou surpreso. - Isso mesmo, sou o mais velho de quatro irmãos. A propósito, Touya Todoroki, é um prazer. - Ah, claro! Izuku Midoriya, igualmente. - O esverdeado retribuiu a reverência. - Touya, não vai me apresentar? - A morena de cabelos brancos comentou. - Claro. Esta aqui é- - Rumi Usagiyama, certo? - Izuku interrompeu o ruivo. A moça fitou-o surpresa. - Hora, como sabe disso? - Perguntou intrigada. - Você é a Mirko, não é? - Indagou o esverdeado animado. - Bela observação! Não imaginava que um rapaz como você gostasse de UFC. - Rumi riu. - É bom assistir, de tempos em tempos. - Izuku respondeu acanhado. - Olha, eu adoraria ficar para conversar, mas temos mais o que fazer. - Kacchan... - O esverdeado resmungou ao cinismo do namorado. - Está tudo bem, eu entendo que o Bakugou queira dar atenção a você agora, Midoriya... Quando encontramos nossa alma gêmea, só queremos saber dela, não é? - Touya olhou para Rumi ao seu lado, esta se agarrou ao seu braço em resposta. - É... É, sim. - Katsuki, por sua vez, olhou para Izuku que fitou-o curioso. - Bom, até depois, Bakugou. Foi bom te conhecer, Midoriya. - Disse Touya ao guiar Rumi para longe dali. - Igualmente! - Izuku respondeu ao ser guiado de volta para sua mesa. Katsuki abriu a boca assim que se sentaram, só não teve tempo de formular uma palavra antes do esverdeado se pronunciar. - Aquilo foi sério, Kacchan? Bakugou fitou-o confuso. - Como? - Você acha mesmo que eu sou sua "alma gêmea"? O loiro encarou-o antes de sorrir. - Não acho... tenho certeza. Izuku sorriu cansado. - Não imaginei que acreditasse nesse tipo de coisa. - Você não acredita? O sardento deu de ombros. - Nunca tive opinião formada sobre o assunto. Bakugou riu do fundo da garganta. - Você ainda tem tanto para descobrir, Izuku. O esverdeado arqueou uma sobrancelha ao comentário, mas não pôde argumentar antes de anunciarem o buffet. - Vamos comer? - Indagou o loiro ao se levantar, Izuku não teve escolha senão segui-lo. Num próximo momento, o casal estava se servindo do jantar e rindo juntos em meio à conversa, mais uma vez aproveitado a noite; Izuku fitava Kacchan de relance enquanto este bebericava da sua taça de vinho tinto. - Tem certeza de que não quer experimentar? - Indagou Bakugou ao notar o olhar sobre si. - Não... só estava pensando em como você consegue tomar isso. - Brincou Izuku. - Talvez só precise experimentar uma bebida mais suave. - Katsuki deu de ombros. - Eu prefiro não, não é como se fosse importante. Bakugou fitou-o de relance antes de chamar o garçom; Izuku tentou impedi-lo quando ouviu-o pedir um mojito, mas o garçom já havia saído com o pedido anotado. O esverdeado virou-se para seu acompanhante. - Isso é mesmo necessário? - Falou emburrado. - Só tente algo diferente desta vez, se divirta um pouco. - Katsuki sorriu. - Não sei, não... - Izuku disse incerto. - Ah, vai... por mim? Izuku realmente não queria tomar algo de sabor tão aversivo, mas não era como se fosse fazer m*l imediato a ele, por isso cedeu à insistência de Kacchan. Quando a bebida chegou, o pequeno pegou o copo incerto e cheirou o líquido antes de fazer uma careta devido ao forte odor de álcool. - O gosto é melhor que o cheiro. - Ouviu Katsuki comentar. - Vai por mim. Izuku então decidiu confiar no namorado e tomou um pequeno gole, estalando os lábios juntos para analisar melhor o sabor. - E então? - Bakugou indagou intrigado. - Ainda tem um gosto forte de álcool, mas não é de todo r**m. - Izuku deu de ombros. O sorriso de seu acompanhante aumentou como que dizendo "eu te avisei". O resto da noite foi regado por risos e celebrações; ao final da festa, Rumi pegou o buquê e os noivos cortaram o bolo de casamento antes de partirem para sua noite de núpcias. Com o encerramento da festa e sendo tarde da noite, Katsuki sugeriu acomodar Izuku em seu apartamento. O esverdeado já estava bem cansado, mas pro íncubo, a noite estava apenas começando. Izuku m*l percebeu quando o acompanhante adentrou a cozinha discretamente; deixou o paletó no braço do sofá e afrouxou a gravata com um suspiro, foi quando Katsuki voltou com duas taças de vinho e uma garrafa de gin em cada mão. - Mais uns drinques, Izu? A noite ainda não acabou para nós. O esverdeado sorriu e entregou-se ao momento. Começaram bebendo na sala e terminaram fazendo amor no quarto; a bebida tornou a experiência bem diferente, o calor dos corpos e a tontura devido à bebedeira criaram um momento íntimo mais intenso, se entregando um ao outro honesta e completamente. Izuku já tinha ouvido falar várias vezes em como as pessoas esquecem as experiências que tiveram enquanto bêbadas, só esperava ele não ser uma delas; esquecer aquele momento especial seria uma grande perda.
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