Kirishima eventualmente acabou por se desculpar com Midoriya como havia prometido; o processo de perdão foi rápido, Izuku não guardaria rancor por algo do tipo, no entanto, esse era o menor de seus problemas.
- Como andam as coisas com o Izuku? - Katsuki perguntou aos seus amigos, sentando-se junto a eles. - Viram mais alguém bisbilhotar?
- Não. Parece que finalmente deixaram ele em paz. - Mina respondeu.
- E aquele tal do Touya? - O loiro pronunciou o nome com desprezo.
Kyouka negou com a cabeça.
- Não vimos mais nada. É estranho, mas parece que todos desistiram de incomodar o Midoriya, de repente.
- É melhor assim, mas quero que vigiem-no até termos certeza de que a barra está limpa. - Ordenou Katsuki, seus amigos concordaram.
- Com toda essa gente perseguindo o Midoriya é porque ele é mesmo especial; você deu sorte de ter uma alma gêmea tão cativante, Katsubro! - Parabenizou Eijirou.
Bakugou grunhiu com desgosto.
- Vê se tira o olho da minha alma gêmea e presta atenção na sua, Ei!
- Tudo bem, não pretendo roubá-lo de você. - O ruivo riu com uma sobrancelha arqueada.
- Ai, todo esse papo sobre almas gêmeas me deixa desanimada, queria eu ser uma súcuba de sangue puro para poder ter uma também... - Resmungou Mina.
Seus amigos riram; sendo uma demônio mestiça, a rosada não carregava a função de cupido sequer tinha alma gêmea, o ciclo foi rompido no momento em que nasceu.
- Não é tão divertido quanto parece, confia. - Hanta raciocinou.
- Eu imagino, mas me sinto excluída! - Mina suspirou.
- Ainda está melhor do que eu, sou o único aqui que ainda não encontrou a minha! - Rebateu Hanta.
- Espera, então vocês dois já encontraram, também? - Katsuki perguntou a Denki e Kyouka.
- Pois é! Acho que você andou se distraindo demais com o Midoriya, então não tivemos chance de te contar. - Brincou o loiro.
- Quer repetir isso, Denki? - Katsuki desafiou irritado.
- Ah, relaxa, Katsuki! É normal, eu entendo; você também precisou correr contra o tempo para reconquistar o Midoriya, por isso teve que dar mais atenção a ele. - Diagnosticou Denki.
Bakugou fitou-o surpreso.
- Às vezes você não é tão i****a quanto parece.
- Ei! - Protestou o loiro.
- Mas agora que estão de boa, espero que possam passar mais tempo com os amigos; ainda queremos apresentá-los a vocês. - Disse Kyouka, ignorando Denki resmungando ao seu lado.
- É verdade, ainda nem tive a chance de apresentar a Itsuka. - Disse Eijirou.
- Ah, claro, podemos combinar algo em breve. - Bakugou concordou.
- Ainda está ocupado, nos próximos dias? - Indagou Kyouka.
- Sim, o casamento do Shimura já está quase aí. - O loiro explicou plenamente.
- Uuuh! Você vai levar o Midoriya? - Mina indagou animada.
- Claro, até porque ele também foi convidado. - Bakugou disse obviamente.
- Então espero que se divirtam no casamento, Katsubro! Sei que não é o tipo de coisa que você faria no passado, estou feliz que tenha aceitado o Midoriya! - Parabenizou Eijirou.
- Ugh... tanto faz. - Bakugou resmungou incomodado com o rumo da conversa.
Seus amigos sorriram, todos pensando a mesma coisa; Katsuki era muito teimoso, é difícil mudar sua opinião, sempre foi uma coisa que ele tinha de querer. Finalmente estava mudando e tudo graças ao Midoriya, o que era realmente bom; aceitar sua alma gêmea lhe fez maravilhas.
No dia da cerimônia, o chofer de Katsuki levou ele e seu acompanhante à igreja - que, convenhamos, não é o lugar favorito de qualquer demônio, mas não era como se Katsuki ou Himiko fossem entrar em combustão espontânea.
Izuku estava maravilhado, mais principalmente com o vestido da noiva, além do que Toga não parecia tão aversiva naquele momento específico; era a primeira vez que a via usando uma maquiagem tão bonita; seu cabelo despontado também estava solto e estilizado em ondas, parecia até... normal. O buquê de lírios vermelhos também dava um belo contraste com o vestido branco e dourado.
Durante o sermão do padre antes do beijo, Katsuki não pôde evitar de notar o olhar sonhador no rosto do namorado; este logo se pronunciou.
- É lindo. Não é, Kacchan? - Murmurou.
Katsuki arqueou a sobrancelha.
- O quê, exatamente?
- Tudo... - Izuku disse plenamente e se virou pro namorado. - Nunca pensou em como seria se casar?
Bakugou deu de ombros.
- Não preciso de um anel para provar o quanto eu te amo.
Ambos trocaram sorrisos entre si e Izuku se recostou no ombro do seu acompanhante.
- Eu também te amo, Kacchan... mas não é como se pudéssemos fazer isso, de qualquer forma...
- Ei... sem esse pessimismo, está bem? Mesmo que as leis j*******s proíbam, ainda podemos arranjar outros meios, se quer tanto isso. - Repreendeu Katsuki.
Izuku fitou-o surpreso.
- Iria tão longe só para casar comigo?
- Não "só" por isso; não acho que seja realmente necessário mas, se for para te fazer feliz, tudo vale a pena.
O sorriso do esverdeado aumentou e este voltou a se aconchegar no ombro de Katsuki.
- Obrigado, Kacchan... mas não precisa ir tão longe por minha causa.
- É claro que preciso. - Bakugou disse afável ao acariciar o braço do namorado.
Enfim, a plateia aplaudiu o beijo que selava o matrimônio, logo após, veio a festa de recepção; todos assistiram a primeira dança dos noivos antes de se sentarem para conversar enquanto outros ocupavam a pista de dança antes do buffet. Katsuki estava prestes a tirar seu namorado para dançar quando Shimura o abordou.
- Está se divertindo, Bakugou?
- Agora não tanto.
- Kacchan! - Izuku repreendeu-o.
Shimura riu.
- Eu imaginei que não viria me dar os parabéns, por isso vim eu mesmo.
- Tá, que seja; pode nos dar licença?
Izuku encarou Katsuki, irritado com seu comportamento.
- M-me desculpe por isso, senhor Shimura... fico feliz por vocês dois! Inclusive, adorei seu vestido, Toga!
Himiko riu.
- Você fala como uma garota, Midoriya.
Seu comentário deixou-o acanhado.
- Ah-! Bem...
- Só estou brincando com você! Obrigada, mas agora sou a senhora Shimura, não esqueça disso. - Disse ela com uma piscadela.
- Ah, claro! Senhora Shimura, desculpe. - Izuku sorriu.
- Olha eu adoraria ficar para conversar, mas gostaria de passar um tempo com meu acompanhante agora.
- Que droga, Kacchan! - Izuku repreendeu novamente.
- Está tudo bem, Midoriya, não vou segurá-los por mais tempo. Aproveitem a festa! - Shimura disse calmamente ao guiar Himiko para fora dali.
Izuku se virou pro namorado prestes a dar-lhe um sermão por afugentar os noivos, mas este se pronunciou antes que pudesse abrir a boca.
- Quer dançar?
O esverdeado fitou-o confuso antes de acompanhar Katsuki à pista de dança.
Izuku timidamente deixou-se ser guiado ao som da música lenta; de repente todos os olhos do salão pareciam cair sobre ambos, mas Katsuki não parecia se importar o suficiente para prestar atenção.
- Isto é meio constrangedor... - O esverdeado riu nervoso.
- Por quê? - Indagou Bakugou.
- Todos estão olhando.
Seus olhos carmesim deram uma rápida olhada de relance em volta do salão; de fato, a atenção de todos parecia ter sido roubada para ambos.
- Então vamos dar um show. - Disse Bakugou ao rodopiar Midoriya em seus braços.
- Kacchan... então você não tem problema com isso? - Izuku perguntou-lhe quando estavam frente à frente novamente.
- Claro que não... de que adianta ter um namorado desses e não poder exibir?
Izuku corou e perdeu a fala, gaguejando de forma incompreensível.
Bakugou riu do fundo da garganta.
- Você fica ainda mais adorável com esse rostinho todo vermelho.
O esverdeado fitou-o intensamente com a boca entreaberta; geralmente não recebia esse tipo de elogio, por isso não sabia reagir. Engoliu um seco e se calou sem saber o que responder, então se entregou ao momento.
Nunca havia dançado daquela forma com alguém antes, estaria sentindo aquela conexão e conforto pelo momento ou por causa de Kacchan? De qualquer forma, aquilo não era hora para ficar se questionando, não tinha tempo a perder com coisas fúteis.
Quase não perceberam a música acabar, apenas quando o resto da plateia se virou e aplaudiram a banda ao vivo; Katsuki e Izuku seguiram a iniciativa antes de se virarem de volta um pro outro, trocando olhares intensos.
No caminho de volta à mesa, o casal foi abordado por um rapaz tatuado de cabelos vermelhos acompanhado de uma moça elegante de pele morena; Bakugou prontamente se pôs em frente a Izuku, encarando o homem intensamente.
- Foi um belo show, senhor Bakugou. - Disse o rapaz.
- Não imaginei que o Shimura fosse convidar seu ex secretário. - Resmungou o loiro.
O rapaz deu de ombros.
- Posso não ter sido seu melhor secretário, mas o Shimura e eu continuamos amigos.
- Certo. Podem nos dar licença agora, Todoroki? Estão bloqueando o caminho.
Izuku estava prestes a chamar a atenção de Kacchan pela grosseria quando se deu conta de algo.
- Espera... "Todoroki"? - Indagou o esverdeado.
- Ah, vejo que deve ter conhecido um dos meus irmãos mais novos. - Comentou o ruivo.
Katsuki revirou os olhos, afinal sabia que Touya conhecia Izuku e estava se fazendo de desentendido, mas não era como se pudesse entregar a verdade na cara dura.
- Ah! Então você é irmão mais velho do Shouto Todoroki? - Izuku questionou surpreso.
- Isso mesmo, sou o mais velho de quatro irmãos. A propósito, Touya Todoroki, é um prazer.
- Ah, claro! Izuku Midoriya, igualmente. - O esverdeado retribuiu a reverência.
- Touya, não vai me apresentar? - A morena de cabelos brancos comentou.
- Claro. Esta aqui é-
- Rumi Usagiyama, certo? - Izuku interrompeu o ruivo.
A moça fitou-o surpresa.
- Hora, como sabe disso? - Perguntou intrigada.
- Você é a Mirko, não é? - Indagou o esverdeado animado.
- Bela observação! Não imaginava que um rapaz como você gostasse de UFC. - Rumi riu.
- É bom assistir, de tempos em tempos. - Izuku respondeu acanhado.
- Olha, eu adoraria ficar para conversar, mas temos mais o que fazer.
- Kacchan... - O esverdeado resmungou ao cinismo do namorado.
- Está tudo bem, eu entendo que o Bakugou queira dar atenção a você agora, Midoriya... Quando encontramos nossa alma gêmea, só queremos saber dela, não é? - Touya olhou para Rumi ao seu lado, esta se agarrou ao seu braço em resposta.
- É... É, sim. - Katsuki, por sua vez, olhou para Izuku que fitou-o curioso.
- Bom, até depois, Bakugou. Foi bom te conhecer, Midoriya. - Disse Touya ao guiar Rumi para longe dali.
- Igualmente! - Izuku respondeu ao ser guiado de volta para sua mesa.
Katsuki abriu a boca assim que se sentaram, só não teve tempo de formular uma palavra antes do esverdeado se pronunciar.
- Aquilo foi sério, Kacchan?
Bakugou fitou-o confuso.
- Como?
- Você acha mesmo que eu sou sua "alma gêmea"?
O loiro encarou-o antes de sorrir.
- Não acho... tenho certeza.
Izuku sorriu cansado.
- Não imaginei que acreditasse nesse tipo de coisa.
- Você não acredita?
O sardento deu de ombros.
- Nunca tive opinião formada sobre o assunto.
Bakugou riu do fundo da garganta.
- Você ainda tem tanto para descobrir, Izuku.
O esverdeado arqueou uma sobrancelha ao comentário, mas não pôde argumentar antes de anunciarem o buffet.
- Vamos comer? - Indagou o loiro ao se levantar, Izuku não teve escolha senão segui-lo.
Num próximo momento, o casal estava se servindo do jantar e rindo juntos em meio à conversa, mais uma vez aproveitado a noite; Izuku fitava Kacchan de relance enquanto este bebericava da sua taça de vinho tinto.
- Tem certeza de que não quer experimentar? - Indagou Bakugou ao notar o olhar sobre si.
- Não... só estava pensando em como você consegue tomar isso. - Brincou Izuku.
- Talvez só precise experimentar uma bebida mais suave. - Katsuki deu de ombros.
- Eu prefiro não, não é como se fosse importante.
Bakugou fitou-o de relance antes de chamar o garçom; Izuku tentou impedi-lo quando ouviu-o pedir um mojito, mas o garçom já havia saído com o pedido anotado. O esverdeado virou-se para seu acompanhante.
- Isso é mesmo necessário? - Falou emburrado.
- Só tente algo diferente desta vez, se divirta um pouco. - Katsuki sorriu.
- Não sei, não... - Izuku disse incerto.
- Ah, vai... por mim?
Izuku realmente não queria tomar algo de sabor tão aversivo, mas não era como se fosse fazer m*l imediato a ele, por isso cedeu à insistência de Kacchan. Quando a bebida chegou, o pequeno pegou o copo incerto e cheirou o líquido antes de fazer uma careta devido ao forte odor de álcool.
- O gosto é melhor que o cheiro. - Ouviu Katsuki comentar. - Vai por mim.
Izuku então decidiu confiar no namorado e tomou um pequeno gole, estalando os lábios juntos para analisar melhor o sabor.
- E então? - Bakugou indagou intrigado.
- Ainda tem um gosto forte de álcool, mas não é de todo r**m. - Izuku deu de ombros.
O sorriso de seu acompanhante aumentou como que dizendo "eu te avisei".
O resto da noite foi regado por risos e celebrações; ao final da festa, Rumi pegou o buquê e os noivos cortaram o bolo de casamento antes de partirem para sua noite de núpcias.
Com o encerramento da festa e sendo tarde da noite, Katsuki sugeriu acomodar Izuku em seu apartamento. O esverdeado já estava bem cansado, mas pro íncubo, a noite estava apenas começando.
Izuku m*l percebeu quando o acompanhante adentrou a cozinha discretamente; deixou o paletó no braço do sofá e afrouxou a gravata com um suspiro, foi quando Katsuki voltou com duas taças de vinho e uma garrafa de gin em cada mão.
- Mais uns drinques, Izu? A noite ainda não acabou para nós.
O esverdeado sorriu e entregou-se ao momento.
Começaram bebendo na sala e terminaram fazendo amor no quarto; a bebida tornou a experiência bem diferente, o calor dos corpos e a tontura devido à bebedeira criaram um momento íntimo mais intenso, se entregando um ao outro honesta e completamente.
Izuku já tinha ouvido falar várias vezes em como as pessoas esquecem as experiências que tiveram enquanto bêbadas, só esperava ele não ser uma delas; esquecer aquele momento especial seria uma grande perda.