Contagem Regressiva

3636 Words
*Go: Jogo de estratégia abstrato de tabuleiro para dois jogadores cujo objetivo é cercar mais territórios do que o oponente. --- Era estranho e Katsuki não admitiria, mas o jantar na casa do Todoroki foi até agradável; ver Izuku naquele ambiente doméstico usando um avental e cozinhando para ele também foi… surpreendente. Não pôde evitar pensar que gostaria de vê-lo daquele jeito mais vezes. Afastando os pensamentos intrusivos, o íncubo destrancou a porta do seu apartamento e foi até a sala de estar, afundando no sofá onde sentou; toda aquela baboseira de alma gêmea já estava começando a fazer a cabeça dele e não sabia mais dizer o que sentia sobre isso; sua cabeça lhe dizia “não”, mas seu coração gritava “sim”... mas já estava ficando tarde para negar que estava, definitivamente, se apaixonando por Izuku Midoriya. Nos dias a seguir, o cupido e sua alma gêmea estavam cada vez mais unidos; Izuku perdoou Kacchan e pareciam estar caminhando para algo mais, no entanto, ainda era uma questão de tempo pro íncubo. - Como andam as coisas com o Midoriya, Katsubro? - Perguntou Kirishima ao se unir ao amigo no sofá com um copo de bebida na mão. - Vocês andam bem unidos, isso é bom! - É, é sim… - Katsuki respondeu devagar com um sorriso. - Não imaginei que esse dia chegaria, mas acho que já me conformei com o fato de ter uma alma gêmea. - Hum… Escuta, por acaso vocês já…? - Ei. - Katsuki disse em tom de aviso. Eijirou suspirou. - É sério, Katsuki, dá para ver na sua cara que você não anda bem. Essa abstinência vai acabar te deixando doente, ou pior! O cupido pausou para tomar um gole de sua Vodka. - Não, ainda não… estou esperando o momento certo, preciso ir devagar com o Izu. - E não está fazendo nada para se aliviar? - Indagou Eijirou preocupado. - Estou me masturbando como placebo e comendo bastante carne vermelha, se isso te tranquiliza. - Katsuki revirou os olhos. - Um pouco, talvez… mas… não acha que é meio perigoso? Já faz cerca de um mês, não pensou em procurar outra pessoa enquanto-? - De jeito nenhum! - O loiro interrompeu ofendido. - Não vou me rebaixar ao nível de certos humanos por aí e trair o Izuku. Estou tentando conquistar sua confiança e já estou no caminho certo, não vou estragar tudo novamente. - Mas você e o Midoriya ainda não têm nada. Se continuar assim, você vai acabar morrendo! - Então corro esse risco. - Respondeu o íncubo com toda a seriedade. - Katsu-! - Foi você quem insistiu nesse negócio de alma gêmea, Ei, e ainda encontrou a sua… Você não entende mesmo o que eu estou passando? Eijirou abaixou os olhos, envergonhado. - Me desculpe… eu só me preocupo com você. - Eu sei, mas, no momento, reconquistar a confiança do Izuku é mais importante para mim. O ruivo apenas assentiu e tomou mais um gole de Saquê. Ele entendia o que seu amigo estava sentindo, realmente entendia, mas, agora que Katsuki já havia estragado seu relacionamento com Midoriya desde o início, teria de correr contra o tempo para consertar tudo antes do pior; era um íncubo afinal, e a última coisa que Eijirou deixaria acontecer seria ver seu amigo se destruir daquele jeito, mesmo que por um bem maior. --- - Obrigado pelo café da manhã, Kacchan. - Disse Izuku. - Não tem problema, você não anda nas melhores condições financeiras, por assim dizer. - Katsuki respondeu com um gole do seu espresso duplo. - Ah-! Bom… - O sardento gaguejou sem-graça. - A propósito, como andam as buscas? Izuku hesitou, cabisbaixo. - Nada bem… como eu não fiquei muito tempo na Ichiban, está sendo difícil de sequer passar nas entrevistas de emprego. Katsuki cerrou o punho com força por debaixo da mesa de lanchonete. - Eu… sinto muito por isso. - N-não se preocupe, Kacchan! Fui eu quem me demiti. - Mas só porque eu fiz da sua vida um inferno; você teve razão em não querer mais se submeter àquilo. O esverdeado se calou; não podia negar que tinha razão. - Escuta, Kacchan… eu ainda não disse, mas a verdade é que eu não guardo mais rancor de você. O íncubo arregalou os olhos, surpreso. - Mesmo…? - É… Depois de tudo o que tem feito por mim, só posso agradecer. Gosto muito de ter você em minha vida! Você é mesmo incrível. - Izuku… - Katsuki sussurrou ao largar a xícara para tomar a mão do esverdeado, cujo aceitou o gesto de bom grado. - Sabe… eu queria ter avisado, mas não queria parecer estar te pressionando. - Hã? - Você sabe que estou tentando fazer funcionar pra gente… por isso decidi que não vou dar o primeiro passo para tentar recomeçar. Quero que isso seja uma vontade sua. Izuku se afastou hesitante. - Ah… bem- - Midoriya… Bakugou. - Chamou uma voz feminina; olhando para cima, encontraram Toga encarando-os. Bakugou enrijeceu, metralhando-a com o olhar. - Ah, Toga! Bom dia. - Izuku saudou. - B-bom dia. - Disse a loira com um sorriso constrangido. - O que você quer, Toga? - Katsuki indagou ríspido. - Kacchan! - Izuku avisou envergonhado. A súcuba revirou os olhos. - Não precisa disso, Bakugou. Vim me desculpar. Ambos fitaram-na confusos. - Hã? - Indagaram em uníssono. - Sei que fui desagradável com você, Midoriya, não devia ter tentado forçar algo que não era para dar certo. Você também, Bakugou. Tinha razão… eu devia ter aceitado o Tenko, desde o início. - Como assim-? - Izuku se interrompeu ao ver o belo anel prateado adornando o anelar esquerdo da moça. - Espera- você e o Shimura vão se casar?! - Exclamou alto o suficiente para chamar a atenção de todos no recinto, então sussurrou um pedido de desculpas envergonhado. Toga sorriu. - A cerimônia será no próximo Outono… estão convidados, se quiserem. - Seria ótimo! Né, Kacchan? - Izuku sorriu radiante pro íncubo à sua frente. - É… - Katsuki respondeu devagar. Himiko se inclinou pro loiro. - A propósito, Bakugou… já contou para ele? Este fez uma careta. - Eu confio no Izuku, mas não confio em você, já disse. - Espera, do que estão falando? - Indagou o esverdeado confuso. Katsuki virou-se para ele envergonhado, Himiko apenas sorriu. - Vou deixá-los a sós… - Foi tudo o que a súcuba disse antes de se retirar. Um silêncio constrangedor pairou no ar no que Bakugou hesitava e Midoriya encarava-o confuso. - Kacchan… tem algo para me contar? - Insistiu o esverdeado. O loiro hesitou por outro momento antes de abrir a boca. - Eu sinto muito, Izuku… a verdade é que… tem uma coisa que eu venho guardando de você. O Shimura entrou em contato comigo quando descobriu que tinha se demitido… ele gostou do seu entusiasmo e te quer na Reborn. Izuku levou um momento para digerir a informação. - Hã…? - Me desculpe! Eu só- - Quando pensou em me contar? - Não poderia deixar mais explícito, a decepção na voz do esverdeado estava aparente. - Quando a Toga deixasse de ser uma ameaça. - Do que está falando? - Izuku riu indignado. - Você viu o modo como ela te olhava, certo…? Tinha medo de deixar vocês dois tão próximos. Eu tive ciúmes, é isso o que quer que eu diga? O esverdeado hesitou. - Não sei o que pensar sobre isso, Kacchan… Não estávamos realmente envolvidos quando essa proposta apareceu, não tinha direito de controlar com quem eu saía antes de você… além do mais, eu não sinto nenhuma atração pela Toga, você já devia saber. - Eu sei! Eu só… não confio nela. - Mas confia em mim? - É claro que confio. - Bakugou confessou com toda a seriedade. - Mas é mais complicado que isso. - Como assim? - Vai descobrir na hora certa. - Foi tudo o que disse ao tomar um último gole de café e se levantar, Izuku segui-o de mau grado. - Por que não pode me contar sobre isso? Às vezes sinto que você, o Kirishima e até o Todoroki andam guardando segredos de mim e estou cansado de não entender. - Você vai entender na hora certa, alguns segredos existem para te proteger. Prometo te contar quando puder, só tenha paciência, está bem? O esverdeado suspirou. - E então, como fica o lance com o Shimura? - Vou passar seu número para ele, se quiser aceitar a proposta. - É claro que eu quero! - Eu imaginei… só me alivia o fato da Toga não poder mais te incomodar. Izuku não respondeu, apenas esboçou um sorriso cansado. Não entendia do que Kacchan o estava tentando proteger, podia se defender sozinho mas, de certo modo, sentia-se até sem graça em saber que Katsuki Bakugou estava com ciúmes dele. - Eu te levo para a casa do Todoroki? - A voz de Kacchan o desligou de seus devaneios no que chegaram ao carro. - Ah- claro! Dirigiram em silêncio por um tempo até Izuku abrir a boca. - Ei, Kacchan… eu estive reparando como anda meio cansado e abatido… você anda descansando direito? Bakugou assentiu. - Estou bem, Izuku, não precisa se preocupar. - Tem mesmo certeza? Se precisar de qualquer coisa, pode me falar. O íncubo sorriu de lado. - Não vou abusar da sua boa vontade mas, se insiste, vou pensar no que pode fazer por mim. O esverdeado sorriu. Chegando à casa do bicolor, Izuku desatou o cinto de segurança e se virou pro loiro. - Obrigado por hoje, Kacchan. - Claro. - Sabe… eu estava pensando sobre o que me falou na lanchonete. Katsuki hesitou preocupado. - Sobre o quê? - Sobre querer que eu dê o primeiro passo. O loiro suspirou não de todo aliviado. - Ah… - Obrigado por pensar por esse lado… eu só queria que tivesse me avisado antes. - Hã? Mal teve tempo de reagir, Izuku se aproximou e deu-lhe um beijo na bochecha e se afastou devagar; Bakugou fitou-o em choque com o rosto levemente corado. - Vamos começar com isso… só porque guardou segredo de mim. - Izuku brincou com a língua à mostra. Katsuki tocou a bochecha de leve e sorriu feito bobo ao observar o esverdeado sair do carro e adentrar a mansão oriental. Aquilo já era um começo. --- Finalmente as coisas estavam dando uma reviravolta para melhor, a vida de Izuku estava muito mais fácil agora com um emprego garantido e sem aborrecimentos; poderia se sustentar sozinho e ainda voltar para sua casa como queria esse tempo todo, é até irônico pensar como o motivo dos seus pesares foi justamente quem o ajudou a se reerguer. Agora estava na empresa Reborn caminhando em direção ao escritório do senhor Shimura, sua vaga já estava basicamente garantida, mas ainda não arriscaria causar uma má impressão. O secretário atual o deixou entrar e Izuku foi prontamente recebido. - Com licença, senhor Shimura. - Disse acanhado ao adentrar o escritório. - Bom dia, Midoriya! Finalmente apareceu. - O homem saudou. - Sim… me desculpe pelo Kacch- Katsuki. - Disse o esverdeado ao tomar um lugar em frente à escrivaninha. - Não tem problema, eu sei que não foi culpa sua, apesar de não culpar inteiramente o Bakugou. Agora que estamos no assunto, vi que você tem graduação em design de moda, correto? - Indagou Shimura ao se virar pro computador ao lado. - Sim! Isso mesmo. - Bom, tê-lo como designer na minha empresa seria ótimo, você parece entender mesmo do assunto mas, devo admitir, estou com uma falta de secretários. Izuku fitou-o confuso. - O que quer dizer, senhor? - A Himiko me disse que te encontrou esses dias… ela não te contou? - Ah- claro! Inclusive meus parabéns! - Disse o sardento animado. - Obrigado, mas é por isso mesmo que estou precisando preencher a vaga dela. Como vamos nos casar, a Himiko herdará basicamente metade do que é meu, afinal não posso ter minha futura esposa trabalhando ao meu lado. - Entendi… então estava pensando em mim? - O esverdeado arriscou. - Claro, quem melhor do que você? Você me parece uma pessoa confiável e apaixonado pelo trabalho, além disso, Bakugou me disse ótimas coisas sobre você. Izuku fitou-o com a boca entreaberta e então sorriu radiante. - Claro! Vou me esforçar! - É isso o que eu gosto de ouvir. Te vejo amanhã? - Tenko levantou e ofereceu a mão ao pequeno. - Pode contar comigo, senhor Shimura. Obrigado pela oportunidade! - Izuku pulou da cadeira e apertou a mão oferecida, selando o acordo. A primeira coisa que fez ao sair do prédio foi pegar o celular para contar a novidade a Kacchan, mas foi surpreendido com uma mensagem do mesmo antes que pudesse contatá-lo. [KB]: E aí, como foi? Izuku sorriu pra tela e digitou uma resposta. [IM]: Oi, Kacchan! Foi bem, o Shimura me quer como seu secretário. Pouco após ter enviado a mensagem, seu celular estava vibrando com uma ligação do mesmo. - Kacchan? - Atendeu o esverdeado. - Oi, Izuku. - A voz do loiro respondeu do outro lado. - Você não devia estar no trabalho, agora? - Izuku sorriu sugestivo. - Estou no horário de almoço, vim para fora do restaurante para te ligar. - Ah- caramba! Nem vi a hora passar. - Izuku amaldiçoou-se - Você não pode pular o almoço, coma alguma coisa assim que puder. - Claro, claro… - O pequeno riu acanhado. - E então? O Shimura te contratou como secretário? - Uhum, parece que estava precisando preencher a vaga da Toga. Um breve silêncio se fez do outro lado da linha. - Então ela não estava mentindo… ao menos posso parar de me preocupar com isso… acho. De qualquer forma, não foi o que combinei com ele, você quer fazer isso? - Não posso negar que sempre fui apaixonado por moda e desenhos, ser designer da Reborn seria como um sonho se realizando, mas também é uma honra poder trabalhar ao lado do senhor Shimura. Bakugou pausou do outro lado da linha e mordeu o interior da boca; definitivamente não foi o que Izuku pensou ao trabalhar ao seu lado, então não podia deixar de sentir ciúmes de Shimura por ter aquele tratamento especial, mas também não era como se tivesse feito por merecer. - Isso é ótimo… Se te deixa feliz, é só o que importa, certo? Izuku suspirou, sabia o que se passava na cabeça de Kacchan pelo seu tom, mas decidiu não comentar sobre o assunto e piorar a situação. - Sim. - Foi tudo o que respondeu. - Nesse caso, agora que finalmente conseguiu, temos mais que comemorar. - N-não precisa! - Precisa sim, você merece ao menos isso. Noite de jogos na minha casa hoje? Izuku sorriu. - Seria bom. Obrigado, Kacchan. - Não tem porquê. Te vejo lá. - Até depois. Desligando o telefone, o esverdeado tomou o metrô de volta para casa. Às vezes Kacchan o mimava demais, mas não podia reclamar, finalmente a vida parecia estar sorrindo para ele. Mais tarde, Katsuki reuniu os amigos no seu apartamento para jogar videogame, cartas e jogos de tabuleiro; prepararam os jogos e petiscos à espera do esverdeado chegar. Assim que a campainha tocou, Bakugou se virou para seus amigos. - Quero que se comportem perto dele desta vez, hein? - Anunciou. Seus amigos concordaram, apesar de acharem que a carapuça também lhe servia. Ao atender a porta, o loiro se surpreendeu com a figura bicolor ao lado do pequeno. - Oi, Kacchan! - Izuku saudou animado. - Boa noite, Bakugou. - Todoroki acrescentou com um sorriso. O cupido estava confuso. - Todoroki…? - Indagou olhando do bicolor para Izuku. - Eu o convidei, espero que esteja tudo bem. - Anunciou o sardento. - Claro, só queria que tivesse me avisado antes. - Disse Katsuki. - Me desculpe por isso! - Izuku disse acanhado. - Não tem problema. Vamos, entrem. - Bakugou convidou ao dar espaço para ambos passarem antes de fechar a porta atrás deles. Ao adentrarem a sala de estar, Shouto foi surpreendido pelo grupo de súcubos que encontrou da última vez; todos estavam em choque com aquele reencontro, ninguém sabia o que dizer em meio ao silêncio. O bicolor sorriu. - Boa noite, sou Shouto Todoroki. É um prazer conhecê-los. - Disse com uma reverência. - Claro, o colega de quarto do Midoriya, certo? Eu sou Eijirou Kirishima, é um prazer! Estes são Denki Kaminari, Mina Ashido, Hanta Sero e Kyouka Jirou. - Disse o ruivo apontando para cada um de seus amigos que acenaram acanhados. - Agora que estão todos aqui, podemos começar, certo? - Katsuki anunciou ao se unir ao grupo na sala. - Ótimo! O que jogamos primeiro? - Indagou Eijirou ao grupo. - Eu quero começar com go*. - Disse Hanta. - Não vamos fazer uma votação desta vez. Estamos comemorando o novo emprego do Izuku, é ele quem escolhe o primeiro jogo. Todos se viraram pro esverdeado fazendo-o se sentir pressionado. - Hã… e-eu gosto de Crash Bandicoot. - Confessou envergonhado. - Mas esse não é um jogo individual? - Mina apontou. - Podemos revezar. - Sugeriu Hanta. - Mas também temos Crash Team Racing e Crash of the Titans. Qual você prefere, Midoriya? - Perguntou Denki. - Uhm… Crash Team Racing…? - Disse o pequeno incerto. - Você ouviu, Katsuki, hora de desenterrar o PS1. - Provocou Denki. Se revezaram então nas partidas, o perdedor cedia o joystick pro próximo jogador. A primeira jogada foi Izuku contra Katsuki, cujo ganhou de lavada e ficou para a próxima partida com Todoroki, os outros assistiam ao jogo e conversavam entre si; pela primeira vez, Izuku estava se divertindo com os amigos de Kacchan. Em certo momento, trocaram o videogame por um jogo de tabuleiro e Eijirou levantou em meio a uma partida. - Parece que os salgadinhos estão acabando, vou buscar mais. - Anunciou. O grupo voltou ao assunto quando, de repente, o ruivo estava chamando da cozinha. - Ei, alguém pode me ajudar aqui? - Deixa que eu vou. - Midoriya se ofereceu. - Não precisa fazer isso, estamos aqui por você. - Katsuki disse em meio a uma partida com Hanta. - Tudo bem, Kacchan, não é nada demais. - O esverdeado argumentou. O loiro não insistiu e deixou Izuku fazer o que bem entendesse; no momento em que viu a oportunidade, Todoroki se virou pro cupido. - Ei, Bakugou… você parece bem abatido desde a última vez em que te vi. O grupo se surpreendeu com o comentário repentino, Denki até engasgou com os doritos mastigava. - Sim, todos já perceberam isso. - Retrucou o íncubo sarcástico. - Estou dizendo porque me preocupo. Sei que precisa levar as coisas devagar com o Midoriya mas, nesse ritmo, sabe o que pode acontecer. - Comentou o bicolor. Bakugou suspirou exalado. - Não é como se eu pudesse controlar isso, além do mais, se for pelo Izuku, prefiro correr o risco. - Fico feliz que pense assim agora, mas vale mesmo a pena se destruir assim, mesmo que por um bem maior? O Midoriya parece estar gostando mesmo de você, se deixar acontecer, isso não será só r**m para você, mas para ele também. - Raciocinou Todoroki. O cupido se calou, pensando bem no que acabara de ouvir, no entanto, aquela conversa o fez lembrar de outra coisa. - Ei, Midoriya… o Katsuki me contou que estão recomeçando. - Kirishima comentou enquanto preparava os lanches e Izuku pegava mais bebidas. - Ah, sim… Estamos indo devagar, acho que é melhor assim. - Disse o esverdeado acanhado ao separar as garrafas no balcão. Kirishima se calou preocupado; naquele ritmo, perderia seu amigo e Midoriya nem saberia que seria culpa sua. - Olha… eu não quero pressionar, inclusive acho que um pouco de paciência é até bom, mas o Katsuki é meio intenso, você sabe. - Comentou o ruivo. - Sim… eu percebi. - Disse Izuku devagar. - Então… não acha que pode apressar só mais um pouco…? Por ele? O sardento arqueou uma sobrancelha em sua direção. - Quando o conheci, deixei-o fazer o que bem quisesse comigo logo na primeira noite e me arrependi. - Eu sei, mas não nesse sentido…! O Katsuki anda se esforçando bastante para reconquistar sua confiança e fico feliz que tenha conseguido, mas, agora que isso foi resolvido, não acha que conseguem chegar ao menos num meio termo? - Ele mesmo me disse que quer que eu dê o primeiro passo. - Ele disse isso porque não quer te forçar a nada, mas não acha que poderia fazer algo em retorno? Izuku se calou, surpreso pela insistência do mais alto; será que Kirishima ao menos percebia o que estava dizendo? Não deu tempo de formular uma resposta praquilo, ouviram alguém chegar na porta da cozinha e se viraram para Katsuki. - Kacchan. - Chamou o esverdeado. - Pode ir pra sala, Izuku, deixa que eu ajudo o Ei. - Disse o cupido com frieza. O pequeno só pôde obedecer, olhando para trás preocupado com o que poderia sair dali. - Katsuki- - Não quero mais saber dessa história de vocês se preocupando comigo, Ei. - Interrompeu o loiro. - Eu não tenho o direito de forçar o Izuku a nada, muito menos você. Kirishima observou calado o cupido tomar as garrafas do balcão e levá-las pra sala; poderia ter ficado quieto e não estragar a noite. Só queria ajudar seu amigo mas acabou saindo como vilão da história; talvez tenha passado a impressão errada para Midoriya com o seu discurso; ele é humano afinal, não conhecia os motivos por trás do seu pedido.
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