4 - Um babaca

1114 Words
Rush — Espero que você tenha um bom motivo para me fazer ficar em casa em pleno sábado à noite. — Meu irmão falou, sentando no sofá em frente a mim. — Não me diga que você tinha planos, porque eu sei que sua vida é completamente inútil. — Você que pensa. Meu final de semana está cheio. — Cheio com o quê? Vai viajar com aquela gangue de motoqueiros de novo? — Shhh. — Ele olhou em volta para ver se tinha alguém. — Fala baixo, p***a. Se a mamãe escutar, ela vai contar ao papai. — E ele não pode saber que seu filho modelo adora vestir jaqueta e sair por aí em uma p***a de moto, não é? Imagina quando ele souber que faz três meses que você não vai à empresa. — Rush, o que você quer? Eu conheço você o suficiente para saber que você está tentando me chantagear. — Chantagear? — gargalhei. — Eu nem comecei, irmão. Mas já que você perguntou, eu quero uma coisa sim. O papai vai me arranjar uma noiva. Você acredita nessa merda? Ele ameaçou até me deserdar se eu não me casar. — Uma noiva? — Sim. Uma mulher que eu vou casar, ter crianças cagonas e um cachorro fedorento. Meu irmão começou a rir. Mas rir mesmo, com a mão na barriga. — Você não deveria rir. Se ele está fazendo isso comigo, imagina o que ele vai fazer com você. Ele vai te obrigar a casar com uma mulher que você nem conhece. E eu nem sei se você gosta de mulher. — Vai se f***r, Rush. É claro que eu gosto de mulher. — É sério, Romeu. Você precisa me ajudar. — Como? O papai não me escuta. — Eu sei. Você só precisa descobrir quem é essa garota e eu vou fazer o resto. — Você vai mandar aquele seu amigo mafioso matar a garota? — Mas é claro que não. Bom, essa não é uma má ideia, mas não. Eu só vou fazer ela desistir. Correr de mim como d***o da cruz. Coisas desse tipo. Você sabe, do mesmo jeito que eu conquisto as mulheres, eu posso fazer elas fugirem de mim. Eu sou um babaca, é por isso que eu não posso me casar. — Rush, eu não sei. Ele pode te casar com qualquer uma. — Não. Eu não sei porque, mas eu senti que é sobre a garota. O papai deve conhecer ela, sei lá. Ela deve ser filha de algum dos amigos ricos dele. Você só precisa descobrir quem é. — Irmão, você já pensou que casar pode até ser bom para você? Você já está bem próximo dos trinta. — Sabe o que é bom para você? Eu pegar uma foto sua com aqueles arruaceiros de merda e enviar para um jornal local. Sua cara vagabunda estampada no jornal da manhã enquanto o papai senta para ler e tomar café. Que tal? Ele apertou os olhos, irritado. — Entra no escritório do papai, fuma um charuto, uma dose de uísque escocês de primeira linha e descubra quem é a garota. O resto eu faço. — Você é um completo i****a. — Eu sei. É exatamente por isso que eu não posso casar. — Me levantei e dei um tapinha em seu rosto. — Eu sei que você vai fazer o certo, irmãozinho. Ele bufou. A porta da sala de estar se abriu e minha mãe apareceu com seu belo sorriso habitual. — Filho? Me levantei e fui até ela, deixando que me amassasse em seus braços. Depois ela me soltou e deu um tapa no braço. — Como você ousa me deixar saber da sua presença pelos empregados? — Eu ia avisar, mãe. Mas o Romeu me parou e me enfiou aqui para me mostrar sua nova tatuagem. — Nova tatuagem? — É mentira, mãe. Você vai acreditar nesse babaca? — Ele rebateu. — Não fala assim com seu irmão, Romeu. Pelo menos ele não tem tatuagem. Ele é um homem sério e comprometido com o trabalho. — Ela acariciou o meu rosto. O que ela não sabe é que eu tenho uma tatuagem. Uma que ela cairia para trás se visse. Eu era o filho preferido da minha mãe, enquanto meu irmão era o querido do meu pai. Meu pai sempre foi rígido comigo e tecia críticas sobre tudo o que eu fazia. Enquanto minha mãe me enchia de amor. — Você vai ficar para jantar, não é? — Não, mãe. Hoje eu tenho uma reunião com alguns sócios. Onde está o papai? — O seu pai saiu hoje o dia todo e disse que vai chegar tarde. — Você sabe que ele enlouqueceu de vez e inventou que quer me casar? A expressão da minha mãe ficou séria. — A senhora sabe, não é? — Querido, eu concordo com ele. — Como concorda? A senhora está me traindo? — Claro que não, mas o casamento vai fazer bem para você e ela é uma boa moça. Vocês serão felizes. — A senhora conhece ela? Me diga quem é. — Eu não conheço, mas seu pai conhece e eu confio cegamente nele. — É Celina Vagth? Eu não acredito que vocês querem que eu case com aquela patricinha do c*****o. Eu vou me enforcar. — Olha a boca, Rush. O meu irmão começou a rir atrás de mim. Ah, f**a-se! Eu estava furioso pra c*****o. Lancei um olhar furioso para ele. — Eu já disse que não sei quem é. E a Celina está noiva de um médico alemão. Só se fala disso no clube. — Eu não vou casar. Nem fodendo que vou casar. — Então, o que seu pai decidir fazer com você eu vou apoiar. Eu sempre fui uma boa mãe para você, mas você precisa de limites. Você já vai fazer trinta anos e é um completo i****a. — Ela gesticulava como uma rainha do drama. — Eu estou velha e quero netos. Quero saber que quando morrer, você vai ter uma mulher para cuidar de você. — Eu sei cuidar de mim mesmo. — Não sabe coisa nenhuma. Todas as minhas amigas do clube perguntam quando você vai se casar. Todas estão felizes por ser avó. A Vivian está no terceiro neto. — A Vivian sabe onde o marido dela anda aos sábados à noite? — Ah, meu Deus, Rush. Eu não quero mais falar com você. — Ela saiu sacudindo as mãos de forma dramática. Meu irmão riu atrás de mim e me deixando furioso. — É, acho que não tem jeito para o milionário solteiro mais cobiçado da revista Pleople. — Não fode, Romeu.
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