Talvez a mão dele estivesse doendo porque não conseguia escrever o nome completo, apenas "A.F."
Eu sei que nunca vi esse homem antes, porque ele é um daqueles caras que não passam despercebidos. A menos que eu, como a esposa perfeita e iludida que sempre fui, ignorasse um homem assim só para ficar com o André. Idi*ota, enquanto isso ele te fez de to*la na frente de todos. Penso.
Bem, se eu precisava de um reforço na autoestima, esse homem lindo simplesmente me deu. Tenho certeza de que nunca mais o verei, então vou guardar esse momento como uma lembrança querida.
Olho-me no espelho e fico fascinada com a imagem que ele projeta. O meu vestido é cor de pérola, com um decote profundo que vai até as costas. Correntes com pequenas pedrinhas pendem no meio. O tecido se ajusta perfeitamente ao meu corpo; a frente é reta e se ajusta perfeitamente ao meu bus*to. Um conjunto de colar e brincos de diamantes, sapatos no mesmo tom do vestido e uma maquiagem delicada completam o look. Coloco a máscara prateada com strass nas bordas, olho-me no espelho e me sinto simplesmente linda.
Desço as escadas e encontro o meu motorista na sala de estar.
— Está pronta, senhora? Pergunta Mario, meu motorista.
— Sim, Mario, estamos indo. Respondo.
— O Sr. Andre ainda não chegou, senhora. Ele me informa.
— O Sr. Andre nem me informou se virá, então não tenho intenção de esperá-lo, Mario. Digo.
— A senhora está com ótima aparência. Mario comenta respeitosamente.
— Obrigada, Mario. Estamos indo embora. Digo a ele, entramos no carro e o Mario dirige até o hotel. O jantar de gala será realizado num clube exclusivo da cidade. Só pessoas da alta sociedade têm permissão para entrar. É o que chamam de lugar exclusivo.
Levamos cerca de trinta minutos para chegar lá. Fica numa área arborizada, longe da cidade, o que dá ao lugar um ar rural, mas com um excesso de luxo marcante. É como um palácio no meio da floresta.
Entramos numa fila de veículos luxuosos aguardando a nossa vez para chegar à entrada onde os VIPs serão deixados. O tom dessas galas é o típico tapete vermelho, onde os participantes esbanjam luxo e elegância, especialmente as mulheres, que buscam se destacar.
Nunca me interessei em participar, mas sabendo que sou o assunto do momento por aqui devido à recente aparição do meu marido na mídia local com a modelo colombiana, hoje decidi, sem soar pretensiosa, calar algumas bocas, brilhando intensamente.
A fila de carros avança e é a minha vez de sair do carro e andar no tapete vermelho. Sei que o fato de eu chegar sozinha dará origem a outros tipos de boatos. Mas o que importa, um a mais ou um a menos?
Meu motorista sai do carro, dá a volta para abrir a porta e, enquanto o faz, coloco a máscara que tirei no caminho para cá. Espero Mario abrir a porta para mim e pego a sua mão para sair do veículo.
Quando o faço, as luzes piscantes me cegam por alguns segundos enquanto me ajusto à luz das câmeras. Levo alguns segundos para perceber que não é Mario quem segura a minha mão, pois ele está parado bem ao meu lado. O homem, cujo nome não sei, está parado ao meu lado e posa para fotos. Ele está vestindo um terno cinza que lhe veste perfeitamente e exala uma fragrância masculina que consegue atordoar momentaneamente os meus sentidos. Ele pressiona levemente a mão direita na minha cintura para me puxar para mais perto. Assim como eu, ele está usando uma máscara, o que torna impossível reconhecê-lo.
As câmeras começam a filmar novamente enquanto caminhamos pelo tapete vermelho até chegarmos à entrada principal do prédio.
— Quem é o seu acompanhante, Sra. Rivas? Ouço um jornalista perguntar.
Que dia*bos eu respondo, se nem sei quem ela é?
Viro-me para olhar para o meu companheiro, cujo sorriso esplêndido deve ter encantado mais de uma pessoa nesta sala.
— Boa noite, o meu nome é Alonso Ferrara, um novo investidor na Azuero & RivasCorp. Ele responde calmamente.
Os jornalistas continuam fazendo perguntas, que minha companheira responde sem problemas. Depois de alguns minutos, entramos no prédio, deixando para trás as luzes piscantes e as perguntas da imprensa presente. Fiquei tão atordoada que nem me lembro do que mais perguntaram.
— Pode me explicar o que dia*bos aconteceu lá fora, Sr. Ferrara? Pergunto, intrigada.
— Nada, só que o seu futuro ex-marido chegou há alguns minutos acompanhado de uma modelo colombiana cujo nome não sei, nem me importo em saber, e, sendo o cavalheiro que sou, não poderia permitir que a minha futura esposa chegasse sozinha a este evento.
Acho que o meu rosto é um poema.
— Futura esposa? Questiono. — Não sei a quem você está se referindo, acho que está me confundindo com alguém. Respondo, surpresa.
— Claro que não, eu jamais confundiria a futura mãe dos meus filhos. Diz ele, sério.
— Sr. Ferrara. Ouço o meu pai dizer atrás de nós. Viro-me e o vejo acompanhado de outro homem que noto ter certa semelhança com o meu acompanhante.
— Eu não sabia que o senhor já conhecia a minha filha. Diz o meu pai.
— Sim, senhor, tive o prazer de conhecê-la esta tarde. Ele comenta, galantemente. Olho para ele, intrigada. — Esta tarde?
— Por favor, junte-se a nós na nossa mesa. O meu pai diz a ele, e começamos a andar pela sala, com todos os olhares voltados para nós.
Eu definitivamente queria que a minha chegada deslumbrasse a todos, mas juro que isso não fazia parte dos meus planos.