Operação Sino - Parte V

760 Words
Você agora deve estar começando a entender por que não revelei isso tudo antes, nem procurei as autoridades. Me diga, meu amigo, seja sincero: no meu lugar, você falaria? Vou te contar mais, pra você ver que o buraco é mais embaixo... bem mais embaixo. Até chegar o sábado, fiquei como se estivesse de sobreaviso, sempre à disposição de um chamado Dele, a qualquer hora do dia ou da noite. Ele agora era meu senhor. E de todos os alemães. Minha única saída era até o café e bar Crepúsculo dos Deuses, que ficava a duas quadras do Portão de Brandemburgo. Tomava um café com uma deliciosa fatia de torta de maçã e admirava tudo aquilo que, em alguns anos, se tornaria pó. Inclusive os bravos soldados da Wehrmacht, que, rindo e bebendo, agora cantavam abraçados a canção Erika. O Banquete e Confidências Chegou o grande dia. Às 20 horas em ponto, entro no imenso salão repleto de Senhores e Senhoras da nova elite alemã. O cheiro de perfume francês dava para sentir desde a escadaria — talvez seja por isso que eles quiseram tanto invadir Paris. Os oficiais estavam todos lá: Himmler, Hess, Keitel, Heydrich... O médico particular do Ditador alemão Dr. Morell, Goebbels, e todos os outros que faziam parte da gangue — porque lá, como aqui, festinha boca-livre ninguém perde. Estava cumprimentando Wernher quando ouço um chamado: — Herr Assessor, junte-se a nós! — falou o bolota, digo, Göring. E continuou: — Infelizmente não pude estar presente na sua primeira entrevista. Tive que levar Mainha ao dentista. Fale, caro Herr Assessor: como são os aviões de combate nos anos 1980? Não me diga que são melhores do que o nosso Messerschimitt 109? — Meu caro Marechal, os aviões de combate são a jato. Podem alcançar facilmente a velocidade do som e transportar armamentos de grande capacidade destrutiva. — Falei só pra deixar o ministro da Aeronáutica com água na boca. — Mas como velocidade do som? Isso quer dizer que, se eu der um sustenido maior daqui em direção ao boca de latrina, o avião vai chegar primeiro? — indaga o ministro. — Sim, caro Marechal. E digo mais: se o boca de latrina estiver com a dita cuja aberta, o caça desce de goela abaixo e ele nem vai ver. — Inacreditável, meu caro Herr Assessor, inacreditável. Temos muito que conversar. Nesse momento, foi anunciada a chegada de Hitler. — Senhoras e senhores, o Führer Adolf Hitler! E um Heil Hitler! foi dito com toda a força que os convidados conseguiam expressar. Ele caminhou entre os presentes, falou com um, saudou outro, beijou senhoras, passou a mão — sorrateiramente — na b***a da esposa do Goebbels e dirigiu-se, acompanhado por todos nós, até o espaço onde a solenidade seria realizada. Bandeiras com suásticas desciam do teto, e alguns jovens da Juventude Hitlerista se perfilaram próximo a mim. O hino do Partido Nacional dos Trabalhadores da Alemanha ecoou por todo o ambiente, fazendo todos perfilarem em posição de sentido. Quando solicitaram minha presença no palco, fui escoltado por essa guarda jovem de cérebro lavado — e enxaguado — por esses tiranos. No palco, ao meu lado, Hitler falou da grandeza da Alemanha. Exaltou sua importância, não só no presente, mas no futuro — o que, segundo ele, comprovava que o grande Reich alemão duraria mil anos, ou mais uma coisinha. Por esse motivo, eu me tornaria seu assessor particular e, como votos de boas-vindas, ele abriu uma pequena caixa de metal e me presenteou com um broche do partido... e uma bela cápsula de cianureto sabor menta. Para encerrar a solenidade, recebi das mãos do senhor Wilhelm Kissel, presidente do conselho da Daimler-Benz, as chaves de um belíssimo Mercedes-Benz 540K Spezial Roadster, na cor prata. Ao me entregar as chaves, proferiu a frase que, dias depois, estampava todos os outdoors de Berlim, Munique e adjacências: “O Futuro Novamente nas Suas Mãos.” A solenidade foi encerrada, o jantar servido, e a noite terminou com a apresentação do grupo folclórico de músicas antigas — e semidesaparecidas — da Baviera. Contudo, antes de deixar o recinto fui abordado pela esposa do Goebbels, Magna, que queria saber se o Führer iria casar com Eva ou com outra mulher comprometida. Eu, só pra deixá-la ainda mais esperançosa, afirmei que ela seria a Senhora Hitler assim que a guerra fosse ganha. Ela, em gratidão, retirou do pulso uma linda pulseira de diamantes e a pôs no bolso do meu paletó. Bem, financeiramente essa viagem, até o momento, tinha sido muito lucrativa.
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