Capítulo 17 – Às vezes a melhor solução é o adeus.
Charlotte Lionett
Levantei cedo na manhã seguinte. Terminei de me vestir e tirei o IPad da bolsa branca e preta que estava em cima da poltrona. Peguei uma maçã e me encaminhei até na varanda e por ali me sentei. Depois da noite de ontem não me atrevi a falar com o Emir, nem tão pouco saí para jantar.
Abri meu i********:, postei algumas fotos que tirei aqui na Austrália e li alguns comentários de meus seguidores que duplicaram assim que eu fui vencedora do AI e assumi meu namoro em público com o Emir.
Não estive muito tempo na rede social, pois preferi abrir meu email para saber se tinha alguma novidade da escola de NY ou da editora musical, mas nada. Estava tudo normal. Propaganda, notificações do i********:, promoções de viagens, etc.
Posei o IPad em cima da pequena mesa de jardim e fui lavar meus dentes. Já eram quase 11h e eu ainda não havia saído do meu quarto. Terminei de me arrumar até que escutei um som vindo do meu IPad. Era sinal de um novo email recebido. Limpei as mãos, peguei no aparelho e olhei curiosa para a mensagem, não acreditando no que acabara de ler. Enquanto viajava na maionese depois de ler um o assunto do email, batidas na porta do quarto foram ouvidas e eu acabei caindo em mim.
- E aí Charlie, como você está? – Megan perguntou após ter me dado um forte abraço. Já ela e Amy sabiam do que aconteceu ontem entre mim e Emir.
- Mais ou menos. – Abri a passagem e juntas avançámos até no interior do quarto.
- Hum… conseguiu dormir alguma coisa?
- Acho que sim. Muito m*l, mas consegui. – Dei de ombros e logo soltei o ar pesado. – O problema é que hoje irei me cruzar com o Emir em qualquer lugar que eu vá e eu preciso ser forte.
- Isso mesmo querida, você precisa ser forte. – Ela sorriu e passou sua mão pelo meu rosto. – Fale com calma com o Emir e tentem chegar numa conclusão.
- Meg, eu já falei isso para Emir e eu só espero que ele não tenha falado seriamente quando disse que foi um erro ter assumido o nosso relacionamento em público. Tenho medo que ele tenha terminado comigo. – Falei fitando um ponto fixo.
- Claro que não, Charlie. Ele falou isso de cabeça quente.
- Emma disse o mesmo.
- Vamos se anime. Vamos fazer alguma coisa?
- Tudo bem. – Sorri e ela se encaminhou até na sacada. – Ahm, Meg?
Ela me olhou.
- Obrigada.
Sorriu e eu fui até no banheiro. Megan gritou da sacada que ia usar meu IPad um momento para checar alguma e eu falei que não havia problema.
- Charlie! – Ela gritou e eu fui até ela após ter escovado os dentes. – Anna, sua manager mandou um email para você.
- É eu vi, mas não consegui ler tudo, somente o assunto do email. Ela falou que ia me contatar esses dias porque tinha uma proposta para mim, mas achei que fosse por celular. – Dei de ombros e me aproximei da Megan, me sentando na outra cadeira. – Me dê isso aqui.
Ela me entregou o IPad e juntas lemos o email de Anna.
Email recebido _____________
Remetente: Anna Editora
Para: Charlotte Lionett
Data: 02 de agosto de 2015
Hora: 11h01m
Bom dia Sta. Lionett,
Antes de mais quero felicitá-la pela entrevista que foi o maior arraso. O número está sendo muito vendido em todo mundo e meu celular não parou de tocar depois disso.
Bom, mas o motivo de ter enviado esse email não foi esse. Quero lhe pedir desculpas por não ter conversado com você pessoalmente, mas meu trabalho em Sidney teve que se perlongar e eu não tenho tido muito tempo. Estou fazendo uma reportagem importante.
Escrevi esse email porque quero lhe propor uma proposta. Como falei anteriormente, depois que publiquei a sua entrevista na revista “The fame tabloides”, o seu produtor musical me informou que um dos diretores de cinema mais conhecidos da América quer gravar um videoclip da sua música mais conhecida. A gravação terá a duração de uma semana e será no Dubai, com início no dia 20 de agosto. Gostaria de saber se você quer aceitar essa proposta para que eu comece a organizar tudo para a partida e agradeço uma resposta o mais rápido possível.
Muito obrigada e com os melhores cumprimentos,
Anna.
Depois de ter lido aquele email, fitei o IPad sem qualquer tipo de reação.
- Não posso acreditar… - Exclamei caindo na realidade e Megan sorriu para mim.
- Que grande oportunidade, Charlotte! Você já viu o que é ter seu vídeo musical passando na MTV? Logo você irá gravar seu primeiro álbum, depois dará shows e depois poderá ganhar muitos prêmios.
- Sim, é verdade.
- Vai responder agora?
- Ainda não decidi. O fato é que eu adoraria aceitar essa proposta, mas…
- Está pensando no Emir não é mesmo?
- Estou.
- Charlie, você devia pensar em você primeiro.
- Eu sei, mas ele me apoiou muito na minha carreira.
- Claro e ele ia ficar feliz por você apesar de tudo. Amiga… - Ela segurou nas minhas mãos. – Não deixe passar essa oportunidade, por favor.
- Você está certa. – Sorri e depois peguei no IPad, onde comecei digitando uma mensagem para Anna.
*****
Emir Rogers
- Posso me sentar aqui com você, Emir? – John perguntou assim que se aproximou de mim e viu que eu fitava o mar azul sem qualquer tipo de reação.
- Claro John. – Sorri e ele se sentou na areia do meu lado.
- E aí cara, o que estava fazendo?
- Nada, descontraindo, pensando numas coisas sobre a banda.
- Está pensando na turnê? Ou no fato de querer ir até NY enquanto estivemos viajando pelo mundo inteiro?
- Nas duas coisas. Mas só não sei se ainda quero encontrar a Charlotte.
- Quê? – Ele franziu o cenho. – Cara, você estava súper animado com essa ideia e nos garantiu que ia dar tudo certo.
- Eu e a Charlie não estamos bem, por isso não sei se faz algum sentido eu querer viajar até NY nos tempos livres. – Encarei o asiático do meu lado através do par de óculos de sol.
- Emir você decidiu arriscar tudo e agora vai se render assim tão facilmente?
- Eu sei, você tem razão, mas assim eu não sei se sou capaz de ir até lá.
John bufou.
- Emir, você vai ver que as coisas entre você e a Charlie vão se resolver. Cara, falta quase um mês para a partida dela para NY.
- Não tenho assim tanta certeza John, pois as coisas entre mim e ela estão pessimamente.
- Porque não conversa com ela novamente?
- Eu não vou fazer isso Joe, dessa vez não. – Falei firme e me levantei. – Vou pegar uma água. Quer alguma coisa?
- Não, obrigado. Vou esperar a Amy aqui mesmo.
- Valeu.
Deixei John sozinho e fui em rumo do bar de praia que estava completamente vazio, somente umas pessoas se encontravam ali e Emma era uma delas. Peguei a garrafa de água e me sentei de frente para ela que sorriu assim que me viu.
- Oi Emir.
- Hi. O que faz aqui sozinha?
- Ray está com o Anthony e as meninas não sei onde estão. – Soltou uma risadinha.
- Felicidades, já soube que está grávida. – Sorri sinceramente. Talvez o único sorriso sincero que eu havia feito em todo esse tempo.
- Obrigada. – Ela agradeceu com seu belo sorriso e depois me olhou nos olhos. – Emir, eu sei da sua situação com a Charlie e não pude deixar de notar que é algo complicado. – Fez uma pausa ao perceber que eu fiz uma expressão triste e furiosa ao mesmo tempo. – Já sabe como vai ser daqui em diante?
- Não. – Soltei o ar pesado. – Já tentei conversar com ela, mas…
- Eu sei… - Ela me interrompeu.
- Você conhece bem a Charlotte, mas eu não sei mais o que pensar.
- Não sabe? – Ela me olhou com pena.
- Emma, você como todo mundo sabem que eu tive os meus motivos para ter feito aquilo que fiz, mas a Charlie não quer saber, muito menos quer acreditar em mim. – A raiva começou a me invadir mais uma vez. – Eu não quero ser pessimista, mas as coisas estão muito más. Parece que não há solução para o nosso problema.
- Sabe o que eu acho Emir? Que vocês estão perdendo o vosso tempo com tudo isso. Ela estará de partida dentro de um mês, lembre-se disso.
- A Charlotte é uma mulher complicada, ela jamais iria se render.
- Emir, você é uma pessoa impulsiva e sempre age de cabeça quente. – Falou seriamente e eu olhei f**o para ela. – Me desculpe, eu não quero ser defensora da Charlotte, mas acho que os dois tiveram culpa nessa situação.
- Mas não fui eu que fui correndo e me jogar nos braços daquele i****a. – Falei irônico e dessa vez foi a vez de Emma me olhar com reprovação. – Sim Emma, não faça essa cara. A Charlotte tomou o café da manhã com ele, mesmo sabendo que eu ia odiar isso e mesmo sabendo o que ele falou sobre ela!
- Você sabe que ela fez isso sem segundas intensões não sabe?
- Sei, mas a pergunta é: Aquele i****a sabe? – Sorri irônico. – Você tem a noção do que isso é? Do quanto me magoa isso? Sério, a Charlotte merece um óscar por ser tão palhaça. – Bati palmas e sorrindo falsamente de novo.
- Emir não fale assim da minha melhor amiga…
- Não Emma, ela tem que entender que isso é completamente errado e eu não posso ser sempre o mau da situação.
- É complicado. – Ela fitou um ponto fixo, mas logo me olhou. – Emir, eu adoro vocês dois e acho que cada um de vocês tem as suas razões, mas eu acho que vocês deviam conversar mais uma vez.
- Conversar?
- Sim. É o único jeito de vocês dois se entenderem de vez. Faça isso Emir, fale com ela. – Emma falou firme e eu olhei para ela durante alguns segundos.
Foi no momento em que eu vi Charlotte se aproximando sozinha e ela não estava com uma cara melhor que a minha.
Olhei para Emma que assinalou com a cabeça e eu assenti. Me levantei e fui até ela parando na sua frente. A bela morena me olhou e nossos olhares se encontraram, o que provocou em mim borboletas no meu estômago. Apesar de tudo Charlotte continuava sendo a mulher que me deixava louco, suspirando de amor e doía estar longe dela.
- Será que podemos conversar? – Perguntei calmamente e nervoso ao mesmo tempo.
- Ok. Mas agora não pode ser porque eu fiquei de ir passear com a Amy e a Megan.
- Tudo bem, eu também fiquei de fazer algo com a galera hoje. – Cruzei meus braços e a encarei. Percebi que ela tremia, o que me fez deduzir que a minha presença a deixava nervosa.
- Podemos nos encontrar mais tarde?
- Claro. A gente precisa mesmo ter uma conversa séria.
- Ok Emir, eu mando mensagem para você no w******p para combinarmos a hora e o local.
- Tudo bem. – Assenti e senti que tinha que sair dali o mais rápido possível. Agora restava saber como ia correr essa conversa né?
*****
Durante o dia não consegui praticamente relaxar, pois eu estava bastante nervoso com o que fosse acontecer no final da tarde entre mim e Charlotte. Durante o dia ela mandou mensagem para mim falando que queria se encontrar comigo na praia onde costumamos ir e eu aceitei sem problemas.
Fui até no quarto de hotel, tomei um banho rápido para tirar o sal do mar do corpo e logo procurei uma roupa limpa. Elegi um jean cinza escuro, uma camiseta preta estampada, um par de ténis pretos e brancos e em seguida me vesti. Coloquei um pouco de perfume e gel no meu cabelo e logo depois peguei na chave do quarto e fui em rumo da praia onde ficara de me encontrar com Charlotte.
Avancei pela praia até parar no ponto onde queria e me sentei na areia branca. Olhei em volta para a praia que estava deserta e inspirei o ar puro que vinha do mar. Observei alguns surfistas tentando pegar as últimas ondas do dia e também o pôr-do-sol laranja que quase mergulhava dentro do mar.
Meus pensamentos se desviaram para um outro lado e estive ali um bom tempo com a cabeça enfiada neles. Foi como se a cena se dissolvesse e dera origem a uma outra cena, a mesma que eu vivi há vários meses atrás.
Flashback on*
- Vamos, é só um mergulho para você refrescar!
- Nunca, nem pensar! – Charlotte gritou e eu a ignorei. Em seguida peguei ela ao colo e a arrastei até onde as ondas batiam de leve. – ME SOLTE AGORA EMIR, AGORA! – Continuou gritando e eu a ignorei de novo, a levando até no mar.
- Você não falou para eu pedir um desejo? Então meu desejo é que você dê um mergulho nesse mar agora! – Ri e ela soltou um grito enquanto eu fingia que a jogava no mar. Girei Charlotte no ar enquanto soltava fortes gargalhadas e em seguida a coloquei no chão.
As ondas bateram contra as minhas pernas e as dela e eu a puxei para um beijo apaixonado. Minha mão acariciou seu rosto e foi até na nuca dela enquanto a beijava.
Flashback off*
Agitei minha cabeça para afastar aquelas memórias, mas umas outras acabaram por surgir na minha mente e mais uma vez foi como se eu estivesse vivendo elas novamente.
Flashback on*
- Eu quero que a minha primeira vez seja com você… - Ela sussurrou em meu ouvido, o que me fez arrepiar.
Comecei a beijá-la e a tocá-la e ela correspondeu a cada beijo e a cada toque meu. Charlotte estava usando uma blusa azul vivo, de manga comprida, larga e que deixava seus ombros de fora e eu ia depositando beijos no seu ombro enquanto minhas mãos passeavam pelas suas costas, descendo até seu quadril e subindo de novo até seu peito. Ela acabou soltando um leve gemido e me puxou ainda mais para ela.
Beijou meu pescoço e o rosto ao mesmo tempo que eu levantava seus braços para retirar sua blusa. Charlotte ficou apenas de sutiã na minha frente e eu olhei para ela nos olhos, sorrindo.
Flashback off*
Soltei o ar pesado depois de ter caído na realidade. Foram os bons momentos que eu passei com a Charlotte e eu diria os melhores da minha vida, mas eu temo que tudo isso mude depois do que temos vivido esses dias.
Senti barulho de passos atrás de mim e olhei para trás, onde acabei cruzando meu olhar com a dona dos lindos olhos azuis que me enfeitiçaram desde o primeiro dia que nos vimos. Engoli em seco, meu coração começou batendo rápido e minha respiração acelerou também.
- Hi Emir. – Ela disse com uma voz doce e eu me levantei da areia.
Olhei para Charlotte e vi que ela havia mudado de roupa. Estava usando um curto vestido verde e estava com o par de rasteirinhas nas mãos. Notei também que ela usava o par de brincos de safira e o fio fino de ouro branco que ela ganhou de mim no dia da festa de natal da faculdade. Como sempre estava linda, mas a expressão triste no rosto dela era algo insuportável de se ver.
- Hi. – Falei meio constrangido.
- Desculpe se demorei muito…
- Não, eu cheguei há pouco também.
- Ok. – Ela desviou seu olhar do meu por uns segundos. – A gente precisa conversar.
- Eu sei, eu também acho que merecemos uma segunda oportunidade de conversar depois do que aconteceu. – Falei sério enquanto tirava o par de óculos de sol e ela me encarou. – Pode começar. O que quer me dizer?
- Sabe, Emir… - Ela começou e suspirou fundo. – Eu estou cansada. – Disse calmamente e eu senti um desconforto no estômago depois de ter ouvido aquilo. Charlotte continuou. – Estou cansada que sempre estejamos brigando, que sempre estejamos m*l um com o outro e eu cada vez mais tenho menos confiança em você.
- Eu também estou perdendo a confiança que tinha em você.
- Você não tem motivos para isso, Emir! – Disse séria.
- E você também não! – Falei forte e firme e ela me observou por segundos.
- Estou completamente cansada… - Sua voz saiu meia arrastada. – Eu até estou com medo de tudo o que você faça. Eu não quero isso para mim.
Sorri irônico, mas com mágoa.
- Wow, ao que a gente chegou, Charlotte. – Coloquei as mãos atrás da cabeça e numa questão de segundos deixei elas caírem. – Você já deveria me conhecer muito bem. – Olhei agora nos olhos dela. – E devia perceber que há certas coisas que fazem parte da minha forma de ser como pessoa. Não faz sentido nenhum eu pedir te desculpas sobre algo que faz parte de mim!
- Sinto muito, sabe? Pois isso mostra que você não sente vontade nenhuma de mudar. – Ela agitou a cabeça em sentido de reprovação. Percebi que ela tinha vontade de chorar.
- E isso mostra que você não quer me aceitar tal como eu sou e isso é um problema. Mostra também que se isso não acontecer, você não quer mais estar comigo.
- Ok Emir, vamos ser realistas de uma vez por todas! – Ela disse após ter suspirado. – A verdade é que eu amo você, como nunca amei ninguém na vida, com você eu aprendi muitas coisas e você despertou uma felicidade em mim que eu desconhecia, mas eu também quero ter a minha paz de espírito, coisa que com você eu não consigo ter desde que chegámos em Gold Coast. – Disse muito séria e eu engoli em seco.
- Tem a certeza disso? – Franzi o cenho.
- Absoluta.
- Então temos que tomar uma decisão.
- Acha? – Falou quase num sussurro, tentando ao máximo fazer um esforço para engolir o choro que se formava na sua garganta e eu também não estava me sentindo muito melhor do que ela. Eu estava sentindo um aperto no peito e por mais que me custasse eu precisava fazer isso.
- Sim. O que eu acho é que as coisas não podem continuar assim… - Eu também engoli o nó que se formava na minha garganta. Nunca na vida fiquei assim por uma mulher, mas dessa vez era como se meu mundo se desmoronasse.
Charlotte me olhou nos olhos durante alguns segundos e deixou que uma lágrima escapasse dos olhos dela, mas logo a limpou.
- Ok… - Sussurrou. – Então se você está tão firme nas suas decisões, o melhor é a gente dar um tempo.
- Não… - Eu apertei os olhos tentando evitar chorar e respirei fundo. – Para mim não existe isso de tempo. Ou somos namorados, ou não.
Desviou seu olhar do meu, fitou o mar durante alguns segundos e deixou derramar umas lágrimas. Sério, eu estava me matando por dentro por tê-la feito chorar.
- Quer que seja eu a tomar uma decisão? – Perguntou olhando-me de volta e eu não respondi. – Então o melhor é a gente terminar, por mais que me custe.
Senti um desconforto me invadir depois das palavras dela e eu me senti o maior i****a desse mundo.
- Ok, você escolheu, está tudo terminado entre a gente. – Falei fraco sem sequer olhar nos olhos dela. Fitei o pôr do sol na minha frente e aquela mágoa, aquele desconforto voltou a me invadir mais uma vez.
Senti o olhar dela posto em mim e o choro escapou da sua garganta. Ela levou a mão à boca para tentar se controlar e respirou fundo.
- Muito bem… - Falou entre o choro. – Assim que chegarmos em Los Angeles eu mesma tratarei de fazer a mudança de volta para casa dos meus pais…
Não respondi nada. Mais uma vez as palavras dela doeram dentro de mim. Olhei sério para ela, que derramava as lágrimas e ao sentir que meu olhar a estava incomodando, Charlotte dá as costas para mim e caminha em passo apressado em rumo da saída da praia.
Um grito de fúria escapou da minha boca e eu chutei várias vezes uma das cadeiras de praia que por ali se encontrava. Me deixei cair na outra cadeira do lado, apoiei meus cotovelos sobre meus joelhos e escondi o rosto entre as mãos. Lágrimas vieram involuntariamente nos meus olhos e eu não queria acreditar que eu estava chorando novamente por causa de uma mulher. Da última vez que chorara foi quando encontrei Britney na cama do seu antigo quarto com o atual noivo dela.
Meu choro saía baixo, a raiva havia dado origem a tristeza, angústia e desespero. A mulher que amo deu um fim no nosso relacionamento, falando que apenas que pousássemos em LA que ia se mudar novamente. Todos os nossos sonhos, os nossos planos e tudo o que havíamos construído havia sido destruído e eu não sabia como iria reagir dali para a frente.
*****