Depois que Stella saiu, passei o restante da tarde mergulhada em lágrimas. Pensar no Dylan era um suplício. Se antes as nossas chances eram escassas, agora, com a gravidez dela, qualquer possibilidade de ficarmos juntos parecia ter sido enterrada.
Eu estava exausta de tanto chorar e já me preparava para dormir quando Dario me contatou pelo elo mental. Ele avisou que deveríamos sair; Dylan havia "dado o louco" e insistido que todos o acompanhassem. Eu não tinha o menor clima para festas ou passeios, tudo o que eu queria era o esquecimento do sono, mas cedi quando Dario alertou que o próprio Dylan viria ao meu quarto e não sairia de lá até que eu estivesse pronta.
Chamei Luiza para me ajudar. Ela sempre tinha o olhar clínico para cada ocasião. Escolhemos um vestido tubinho preto, um pouco acima do joelho, de mangas longas e com um decote profundo em "V" nas costas. Fiz cachos largos no cabelo e optei por deixá-los soltos. Usei a maquiagem para destacar os olhos, tentando esconder o inchaço do choro, e finalizei com um batom nude.
— Nossa, a senhora está deslumbrante! — Luiza exclamou.
— Obrigada, Luiza — respondi, nervosa. Seria a primeira vez que os membros da alcateia me veriam oficialmente com os três irmãos.
Desci as escadas e fui até o escritório.
— Posso entrar? — perguntei, batendo de leve. Entrei assim que ouvi a voz de Damian autorizando. — Estou pronta. Onde estão os outros?
Damian desviou o olhar dos papéis sobre a mesa e abriu um sorriso lento, subindo os olhos pelo meu corpo.
— Você está estonteante.
— Obrigada. Você também está muito bonito.
— Eu sou bonito — ele retrucou com a arrogância charmosa de sempre, largando a papelada e vindo ao meu encontro.
— Você é muito convencido, sabia? — Envolvi o pescoço dele com meus braços. Damian segurou minha cintura com firmeza, colando nossos corpos antes de tomar meus lábios em um beijo que começou gentil e logo se tornou possessivo.
— Deixei vocês sozinhos por alguns segundos e já estão enfiando a língua na garganta um do outro no meio do escritório? Que vergonha, senhorita Anika — a voz de Dario ecoou na porta. Ele vestia uma calça escura e uma blusa branca que realçava seus braços musculosos.
— Já está pronto? — perguntei, sentindo o rosto esquentar pelo flagrante.
— Sim. Só falta o Dylan.
— E alguém sabe onde ele se encontra?
— Serve este aqui? — Dylan entrou no recinto, a expressão mais séria que o normal. Ele jogou as chaves do carro para Dario. — Irmãozinho, você é o responsável por nos trazer inteiros para casa hoje.
— Como sempre — Dario riu, colocando a mão em minhas costas e me guiando para fora.
Saímos da mansão e Dario abriu a porta do carona para mim, forçando Damian e Dylan a irem no banco de trás.
— O quê? Acham mesmo que eu deixaria vocês dois se divertindo com ela aí atrás enquanto eu dirijo? Estão ferrados — Dario brincou, embora seus olhos estivessem atentos aos arredores.
Ele deu partida e o carro deslizou pelas ruas da alcateia. Eu estava distraída, observando as luzes da estrada pela janela e processando a conversa com Stella, quando Dario pisou no freio com uma violência brutal. O cinto de segurança me travou no lugar, impedindo que eu fosse arremessada contra o para-brisa.
— O que houve, Dario?! — gritei, o coração disparado.
Dario não respondeu de imediato. Ele engatou a marcha à ré com uma agilidade assustadora, os olhos fixos em algo na estrada à frente que eu ainda não conseguia distinguir. Sua expressão era de puro pavor e urgência.
— Precisamos tirá-la daqui. Agora! — ele rosnou, a voz de Alfa ecoando no espaço fechado do carro.
Olhei para trás e vi Damian e Dylan já em alerta, as íris mudando de cor, prontos para a luta. Algo estava nos cercando na escuridão.