Ver o rosto de Stella machucado hoje me despertou um desejo assassino, mas precisei me conter; aquele desgraçado ainda seria útil. Dirigimos por algumas horas e Dylan precisou usar toda a sua autoridade de Alfa para tirar aquela teimosa de cima da Ducati — que, por sinal, a deixava ainda mais sexy. Assumi o volante do SUV enquanto Stella dormia profundamente no banco do passageiro. Dylan seguia logo atrás, pilotando a moto dela.
Chegamos à matilha por volta das quatro da manhã. Alguns guerreiros já nos aguardavam em frente à casa de Stella. Abri o porta-malas e encarei o maldito; ele ainda dormia, um i****a dopado.
— Levem-no para a sala de tortura — ordenou Dylan, estacionando a moto ao lado do carro.
— Vou levá-la para dentro — avisei, contornando o veículo. Peguei Stella no colo com cuidado. Ela se mexeu, abrindo os olhos lentamente, ainda envolta pelo sono.
— O que está fazendo? — resmungou, a voz rouca.
— Levando você para a cama.
Dylan me lançou um olhar sério e impenetrável antes de dar partida na moto e sumir na escuridão. Stella aninhou a cabeça em meu peito e voltou a dormir. Pelo elo mental, pedi que Romeu abrisse a porta. Subi as escadas e a deitei na cama, cobrindo-a com o edredom. Quando fiz menção de sair, senti sua mão segurar meu dedo.
— Fica aqui comigo... — ela pediu, sem sequer abrir os olhos.
Fiquei paralisado por alguns segundos, esperando que ela dissesse o nome de Dylan ou que estivesse apenas sonhando. Mas ela entreabriu os olhos e me encarou com sinceridade:
— Eu só não queria ficar sozinha, Gael.
Deitei-me ao lado dela, mantendo uma distância respeitosa, o corpo tenso como uma pedra. Stella, no entanto, virou-se de frente para mim e se aninhou em meu peito. Na mesma hora, meu coração disparou e meus músculos travaram com a proximidade. Demorou alguns minutos até que a respiração suave dela me indicasse que havia adormecido. Só então, relaxei e me permiti cair no sono também.
Acordei com a luz da manhã. Stella estava abraçada a mim, com uma das pernas jogada sobre as minhas, dormindo serena. Por anos, sonhei com esse momento. Finalmente a tinha em meus braços, mesmo que por apenas uma noite. O momento de paz foi interrompido quando Romeu entrou no quarto, avisando que os Alfas a esperavam na sala. Ele parou bruscamente, a expressão mudando de confusão para um choque absoluto ao nos ver juntos.
— Bom dia, pai. Já estou descendo — Stella disse, sentando-se e olhando para mim.
— Você... vocês... por acaso estão... — Romeu gaguejou, com os olhos arregalados.
— Não, pai. Só dormimos. Não fizemos mais nada.
— Vou esperar lá embaixo — ele respondeu, fechando a porta às pressas.
— Vou em casa tomar um banho e já volto — avisei, levantando-me da cama.
— Está bem. Vou te esperar para o café — ela disse, entrando no banheiro.
Ao descer, encontrei os Alfas no sofá. As expressões deles eram idênticas à de Romeu: como se tivessem visto algo bizarro.
— Você e a Stella... vocês transaram? — Dario perguntou, a voz carregada de uma seriedade perigosa.
— Sinto muito, Alfa, mas não responderei a essa pergunta. Se estiver muito interessado, pergunte à Stella. Tenho que ir agora — respondi, incerto se aquilo não era um plano dela para causar ciúmes em Dylan.
Horas depois, reunimo-nos na sala de tortura. O vampiro estava amarrado com correntes de prata, sentado em uma cadeira, ainda sob o efeito do sedativo, vigiado por dois guerreiros.
— Vamos começar — Damian disse, injetando o antídoto para acordá-lo.
O i****a despertou assustado, mas logo um sorriso debochado surgiu em seu rosto. O sorriso morreu no instante em que seus olhos encontraram Stella, sentada atrás de Dario. O olhar de deboche foi substituído por uma decepção profunda.
— A hora do cochilo acabou — Damian anunciou, pegando seringas com prata líquida. — Vamos bater um papo. Espero que colabore. No território humano, existe alguma convenção de bruxas trabalhando com vampiros?
O prisioneiro olhou para Stella mais uma vez antes de suspirar.
— Vão se f***r, seus vira-latas malditos!
Damian não hesitou. Desferiu o primeiro soco no lado direito do rosto do vampiro, seguido de um segundo no mesmo lugar. O sangue começou a escorrer. Ele continuou a sequência de golpes no estômago e no rosto. Percebi Stella fechar os punhos e respirar fundo, fechando os olhos como se estivesse tentando se desconectar daquela cena.