Capítulo:57- Dario Pov

1075 Words
​Hoje daríamos início aos treinos de Anika. Para transformá-la na Luna perfeita, eu sabia que precisaria da ajuda de três pessoas fundamentais: meus irmãos. No entanto, ainda precisava convencer um deles, que provavelmente me daria um "não" como resposta, mas valia a pena tentar. ​Acordei cedo para malhar e pretendia chamar Anika para começar uma rotina de corrida. Tomei um banho rápido, vesti minha roupa esportiva e fui até o quarto dela. Como sei que ela costuma dormir com a porta destrancada, entrei sem bater, mas parei abruptamente no portal. ​Damian estava deitado na cama com Anika. Ambos dormiam abraçados e despidos. ​— Que p***a é essa? — perguntei, a surpresa travando minha garganta. ​Anika deu um pulo, despertando em sobressalto e puxando o lençol para cobrir o corpo. Damian, por outro lado, permaneceu impassível. Ele se levantou com uma calma irritante e caminhou em direção ao banheiro, sem se importar com a própria nudez. ​— Já virou hábito, irmãozinho? Ser um estraga-prazeres ou você gosta de empacar especificamente a minha f**a? — ele provocou, antes de fechar a porta. ​— Desculpe... eu não sabia que você estava dormindo aqui — respondi, virando-me para sair, mas a voz de Anika me deteve. ​— Dario, espera. Fica. — Ela me olhou com as bochechas queimando de vergonha. — Eu... eu quero tentar... com você também. ​Ela gaguejou, piscando várias vezes, mas a mensagem foi clara. Senti um nó no estômago. Quando nós, os irmãos, concordamos em partilhá-la como nossa companheira, não tínhamos discutido os detalhes práticos da i********e. Ouvir aquilo com Damian ainda ali, a poucos metros, me deixou em um impasse. ​— Eu não vejo problema, se você preferir ficar com ela sozinho agora — disse Damian, saindo do banheiro com uma toalha na cintura. ​Antes que eu pudesse processar a situação, recebi um elo mental urgente de Gael. Ele nos convocava ao escritório; Dylan não estava nada bem. ​— Depois conversamos sobre isso. Temos que ir, o Dylan precisa de nós — anunciei. A malícia no rosto de Damian deu lugar a uma preocupação imediata. ​— O que houve? — ele perguntou, vestindo-se rapidamente. ​— Gael não deu detalhes, apenas disse que ele está descontrolado. ​— Eu vou com vocês — Anika declarou, saltando da cama e catando suas roupas no chão. ​— É melhor você ficar, Anika — Damian interveio, e pelo seu olhar, eu soube que ele estava escondendo algo. — Não sabemos o que aconteceu e, conhecendo o Dylan, ele descontrolado pode te machucar sem querer. ​Eu entendi o jogo de Damian. Se o problema envolvesse Stella, o melhor era manter Anika longe para poupá-la de ver o sofrimento de Dylan por outra mulher. ​— Fique aqui e se prepare. Hoje sua aula é comigo — forcei um tom firme para distraí-la. ​— Está bem. Vou me arrumar e espero por você — ela respondeu, tentando recuperar o ânimo. ​Descemos as escadas e encontramos Gael diante da porta do escritório, com o semblante pálido. ​— Gael, o que aconteceu? ​— Eu não sei. Vim buscar alguns documentos e o encontrei assim... totalmente fora de si. ​Entramos os três de uma vez. O escritório era um cenário de guerra. Garrafas de whisky estilhaçadas, móveis destroçados contra as paredes e Dylan sentado no chão, no meio do caos. Suas mãos sangravam em carne viva, evidenciando que ele havia socado as paredes até os nós dos dedos cederem. ​— Que merda é essa, Dylan? Se continuar assim, vai acabar perdendo os dedos — disparou Damian, olhando para o sangue. ​— O que houve dessa vez? Conversa com a gente, irmão — pedi, tentando me aproximar. ​— Ela me traiu... Aquela v***a me traiu! — Dylan rosnou, a voz embargada de ódio. ​— De quem você está falando? ​— Da Stella, Dario! Ela me traiu com o maldito par destinado dela. Está grávida dele! ​— E é por isso que você está aqui com essa boiolagem? — Damian perguntou, a voz carregada de sarcasmo agressivo. ​— Não é hora para isso, Damian! — repreendi. ​— É hora sim, Dario! Já passou da hora do Dylan parar de olhar para o próprio umbigo. Primeiro ele ficou com a Olívia sabendo o que a Stella sentia. Agora tem a Anika, que ele sabe que é louca por ele, e a Stella, que ele manteve como segunda opção a vida toda. Esse i****a precisa decidir de uma vez o que quer. Vai se f***r, Dylan! ​Damian saiu bufando, e eu não podia tirar sua razão. Dylan estava brincando com o fogo e queimando as duas mulheres no processo. Pedi para Gael nos deixar a sós e me sentei no chão, ao lado do meu irmão. ​— Não estou com cabeça para sermão — ele murmurou. ​— Chega, Dylan. — Tomei a garrafa de whisky da mão dele e dei um longo gole, sentindo o líquido queimar minha garganta. — Faz tempo que não bebemos juntos. ​— Nunca mais tivemos tempo para nada — ele admitiu, o olhar fixo no nada. ​— Você ama a Stella, Dylan? — perguntei, sem olhá-lo. ​— Eu acho que sim. No começo, achei que era só atração física, mas mudou. Agora eu não sei o que fazer. ​— E a Anika? ​— É complicado. Existe o desejo pelo laço de companheiros, mas não é essa obsessão perturbadora que eu sinto pela Stella. ​Olhei para ele, sentindo o peso da verdade. — A Stella não quer mais nada com você. E a Anika também não quer ser um prêmio de consolação. ​— A Anika está no direito dela, eu a machuquei. Mas a Stella... ela engravidou do maldito que a tocou. ​— Amar também é deixar ir, Dylan. Se você a ama, deixe que seja feliz, mesmo que não seja com você. Tente encontrar paz com a Anika, se esse for o desejo da Deusa da Lua. Afinal, a Deusa não permitiria que a Stella seguisse esse caminho se não fosse o destino dela. ​Entreguei a garrafa de volta. Ele abaixou a cabeça, o silêncio sendo sua única resposta. Ele a amava, e a mentira de Stella havia quebrado seu coração da mesma forma que ele, por anos, quebrou o dela
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD