Hoje daríamos início aos treinos de Anika. Para transformá-la na Luna perfeita, eu sabia que precisaria da ajuda de três pessoas fundamentais: meus irmãos. No entanto, ainda precisava convencer um deles, que provavelmente me daria um "não" como resposta, mas valia a pena tentar.
Acordei cedo para malhar e pretendia chamar Anika para começar uma rotina de corrida. Tomei um banho rápido, vesti minha roupa esportiva e fui até o quarto dela. Como sei que ela costuma dormir com a porta destrancada, entrei sem bater, mas parei abruptamente no portal.
Damian estava deitado na cama com Anika. Ambos dormiam abraçados e despidos.
— Que p***a é essa? — perguntei, a surpresa travando minha garganta.
Anika deu um pulo, despertando em sobressalto e puxando o lençol para cobrir o corpo. Damian, por outro lado, permaneceu impassível. Ele se levantou com uma calma irritante e caminhou em direção ao banheiro, sem se importar com a própria nudez.
— Já virou hábito, irmãozinho? Ser um estraga-prazeres ou você gosta de empacar especificamente a minha f**a? — ele provocou, antes de fechar a porta.
— Desculpe... eu não sabia que você estava dormindo aqui — respondi, virando-me para sair, mas a voz de Anika me deteve.
— Dario, espera. Fica. — Ela me olhou com as bochechas queimando de vergonha. — Eu... eu quero tentar... com você também.
Ela gaguejou, piscando várias vezes, mas a mensagem foi clara. Senti um nó no estômago. Quando nós, os irmãos, concordamos em partilhá-la como nossa companheira, não tínhamos discutido os detalhes práticos da i********e. Ouvir aquilo com Damian ainda ali, a poucos metros, me deixou em um impasse.
— Eu não vejo problema, se você preferir ficar com ela sozinho agora — disse Damian, saindo do banheiro com uma toalha na cintura.
Antes que eu pudesse processar a situação, recebi um elo mental urgente de Gael. Ele nos convocava ao escritório; Dylan não estava nada bem.
— Depois conversamos sobre isso. Temos que ir, o Dylan precisa de nós — anunciei. A malícia no rosto de Damian deu lugar a uma preocupação imediata.
— O que houve? — ele perguntou, vestindo-se rapidamente.
— Gael não deu detalhes, apenas disse que ele está descontrolado.
— Eu vou com vocês — Anika declarou, saltando da cama e catando suas roupas no chão.
— É melhor você ficar, Anika — Damian interveio, e pelo seu olhar, eu soube que ele estava escondendo algo. — Não sabemos o que aconteceu e, conhecendo o Dylan, ele descontrolado pode te machucar sem querer.
Eu entendi o jogo de Damian. Se o problema envolvesse Stella, o melhor era manter Anika longe para poupá-la de ver o sofrimento de Dylan por outra mulher.
— Fique aqui e se prepare. Hoje sua aula é comigo — forcei um tom firme para distraí-la.
— Está bem. Vou me arrumar e espero por você — ela respondeu, tentando recuperar o ânimo.
Descemos as escadas e encontramos Gael diante da porta do escritório, com o semblante pálido.
— Gael, o que aconteceu?
— Eu não sei. Vim buscar alguns documentos e o encontrei assim... totalmente fora de si.
Entramos os três de uma vez. O escritório era um cenário de guerra. Garrafas de whisky estilhaçadas, móveis destroçados contra as paredes e Dylan sentado no chão, no meio do caos. Suas mãos sangravam em carne viva, evidenciando que ele havia socado as paredes até os nós dos dedos cederem.
— Que merda é essa, Dylan? Se continuar assim, vai acabar perdendo os dedos — disparou Damian, olhando para o sangue.
— O que houve dessa vez? Conversa com a gente, irmão — pedi, tentando me aproximar.
— Ela me traiu... Aquela v***a me traiu! — Dylan rosnou, a voz embargada de ódio.
— De quem você está falando?
— Da Stella, Dario! Ela me traiu com o maldito par destinado dela. Está grávida dele!
— E é por isso que você está aqui com essa boiolagem? — Damian perguntou, a voz carregada de sarcasmo agressivo.
— Não é hora para isso, Damian! — repreendi.
— É hora sim, Dario! Já passou da hora do Dylan parar de olhar para o próprio umbigo. Primeiro ele ficou com a Olívia sabendo o que a Stella sentia. Agora tem a Anika, que ele sabe que é louca por ele, e a Stella, que ele manteve como segunda opção a vida toda. Esse i****a precisa decidir de uma vez o que quer. Vai se f***r, Dylan!
Damian saiu bufando, e eu não podia tirar sua razão. Dylan estava brincando com o fogo e queimando as duas mulheres no processo. Pedi para Gael nos deixar a sós e me sentei no chão, ao lado do meu irmão.
— Não estou com cabeça para sermão — ele murmurou.
— Chega, Dylan. — Tomei a garrafa de whisky da mão dele e dei um longo gole, sentindo o líquido queimar minha garganta. — Faz tempo que não bebemos juntos.
— Nunca mais tivemos tempo para nada — ele admitiu, o olhar fixo no nada.
— Você ama a Stella, Dylan? — perguntei, sem olhá-lo.
— Eu acho que sim. No começo, achei que era só atração física, mas mudou. Agora eu não sei o que fazer.
— E a Anika?
— É complicado. Existe o desejo pelo laço de companheiros, mas não é essa obsessão perturbadora que eu sinto pela Stella.
Olhei para ele, sentindo o peso da verdade.
— A Stella não quer mais nada com você. E a Anika também não quer ser um prêmio de consolação.
— A Anika está no direito dela, eu a machuquei. Mas a Stella... ela engravidou do maldito que a tocou.
— Amar também é deixar ir, Dylan. Se você a ama, deixe que seja feliz, mesmo que não seja com você. Tente encontrar paz com a Anika, se esse for o desejo da Deusa da Lua. Afinal, a Deusa não permitiria que a Stella seguisse esse caminho se não fosse o destino dela.
Entreguei a garrafa de volta. Ele abaixou a cabeça, o silêncio sendo sua única resposta. Ele a amava, e a mentira de Stella havia quebrado seu coração da mesma forma que ele, por anos, quebrou o dela