Acordei no dia seguinte sentindo um peso reconfortante sobre o corpo. Abri os olhos devagar, piscando contra a claridade, e vi Dario ao meu lado. Seus braços envolviam minha cintura possessivamente; eu estava de bruços, com a cabeça repousada sobre seu braço. Tentei levantar em silêncio para não acordá-lo, mas falhei assim que me apoiei nos cotovelos. Dario despertou num reflexo e me puxou de volta contra seu peito quente.
— Bom dia — ele murmurou, a voz rouca de sono, abraçando-me apertado.
— Bom dia.
— Estava tentando fugir de mim? — perguntou, plantando um beijo demorado no meu pescoço.
— Não... Só ia me arrumar para o meu primeiro dia de treinamento. Pretendo surrar a Stella — brinquei, virando-me para encará-lo.
— Não sabia que você era tão durona assim.
— Tem muita coisa que você ainda não sabe sobre mim — respondi, roubando-lhe um selinho antes de escapar da cama.
— Vamos tomar café juntos?
— Vamos. Só vou me arrumar e já desço — falei, entrando no banheiro.
— Quer companhia? — ele ofereceu, com um brilho malicioso no olhar.
— Mais tarde! Se não, vou me atrasar e não quero dar motivos para a Stella me perturbar no primeiro dia — gritei por cima do ombro, ligando o chuveiro e sentindo a água morna relaxar meus músculos.
Vesti uma legging preta com faixas amarelas laterais e um top combinando. Deixei meus cabelos soltos e calcei meus tênis de academia. Ao descer, encontrei a mesa de jantar ocupada. Damian segurava uma caneca de café com um sorriso de canto; Dylan usava óculos escuros, claramente sofrendo com a ressaca da noite anterior; e Dario me observava com um olhar tão encantado que minhas pernas quase falharam. Sentei-me ao lado dele.
— Bom dia — falei.
— Bom dia — responderam em uníssono.
Pela primeira vez desde que cheguei, senti que parecíamos uma família de verdade, apesar de toda a confusão com Dylan.
— Você está bem? — perguntei a Dylan, que massageava as têmporas.
— Sim... Só uma ressaca daquelas.
— Tomar um café bem forte ajuda — sugeri, servindo-me de um pedaço de bolo de laranja.
— Dormiu bem, Anika? — Damian perguntou, alternando o olhar entre mim e Dario com malícia evidente.
— Damian, deixe-a tomar café em paz — interveio Dario, buscando minha mão livre por cima da mesa e apertando-a com carinho.
Após a refeição, segui para o campo de treinamento. Gael já estava lá.
— Bom dia, Gael. Viu a Stella por aqui?
— Bom dia. Ela foi beber água, disse que voltava em cinco minutos.
Logo vi os três irmãos se aproximando, parando a uma distância estratégica para observar.
— O que houve? — perguntei a Damian pelo elo mental.
— Nada demais. Só estamos aqui para garantir que o Dylan não surte.
— Ele não concordou com isso, não é?
— Nem um pouco. Ele está à beira de um colapso nervoso — Damian respondeu, e eu pude ver Dylan inquieto, mesmo de longe.
Fiquei séria ao ver Stella se aproximar. Ela vestia uma legging preta e um top azul com o zíper frontal levemente aberto. Seus cabelos negros estavam presos em um r**o de cavalo alto, e ela usava botas de combate de plataforma média. Notei os meninos olhando, especialmente Dylan, que parecia hipnotizado, e não pude evitar revirar os olhos.
— Atrasada — disparou ela ao parar na minha frente.
— Não lembro de termos combinado um horário exato.
— A partir de agora, temos. Esteja aqui às oito em ponto — ordenou ela, colocando as mãos na cintura e lançando um olhar rápido para os homens ao longe. — Eu não queria isso, aceitei porque não tive outra opção. Eles vão mesmo ficar ali nos vigiando?
— O Dylan não está muito de acordo com o nosso treino — expliquei.
— Ele realmente gosta muito de você — ela comentou, observando-o.
— Eu apostaria que não é por minha causa que ele está tão tenso ali — retruquei, sustentando o olhar dela.
Stella suspirou e descruzou os braços.
— Esqueça eles. Vamos focar no que importa. Nós duas sabemos que não nos bicamos, então que tal uma trégua a partir de agora?
Ela estendeu a mão. Olhei nos seus olhos, buscando qualquer sinal de falsidade, mas vi apenas cansaço e determinação. Resolvi aceitar e apertei sua mão.
— Certo. Vamos treinar. Meia hora de defesa em forma humana e meia hora de luta transformada com o Gael — instruiu ela, posicionando-se em guarda. — Anika, só te peço uma coisa: não me dê golpes na barriga.
Franzi a testa enquanto me posicionava também.
— Por que somente a barriga?
Antes que eu pudesse processar o pedido, um soco atingiu meu rosto, fazendo-me recuar dois passos. A dor latejou instantaneamente.
— Sem distrações! — Stella exclamou. — Concentre-se, desvie e tente me golpear.
Ela veio para o segundo ataque, mas desta vez eu estava atenta. Consegui desviar, colocando em prática o básico que Dario havia me ensinado. O jogo havia começado.