Capítulo:62-Anika POV

885 Words
​Acordei no dia seguinte sentindo um peso reconfortante sobre o corpo. Abri os olhos devagar, piscando contra a claridade, e vi Dario ao meu lado. Seus braços envolviam minha cintura possessivamente; eu estava de bruços, com a cabeça repousada sobre seu braço. Tentei levantar em silêncio para não acordá-lo, mas falhei assim que me apoiei nos cotovelos. Dario despertou num reflexo e me puxou de volta contra seu peito quente. ​— Bom dia — ele murmurou, a voz rouca de sono, abraçando-me apertado. ​— Bom dia. ​— Estava tentando fugir de mim? — perguntou, plantando um beijo demorado no meu pescoço. ​— Não... Só ia me arrumar para o meu primeiro dia de treinamento. Pretendo surrar a Stella — brinquei, virando-me para encará-lo. ​— Não sabia que você era tão durona assim. ​— Tem muita coisa que você ainda não sabe sobre mim — respondi, roubando-lhe um selinho antes de escapar da cama. ​— Vamos tomar café juntos? ​— Vamos. Só vou me arrumar e já desço — falei, entrando no banheiro. ​— Quer companhia? — ele ofereceu, com um brilho malicioso no olhar. ​— Mais tarde! Se não, vou me atrasar e não quero dar motivos para a Stella me perturbar no primeiro dia — gritei por cima do ombro, ligando o chuveiro e sentindo a água morna relaxar meus músculos. ​Vesti uma legging preta com faixas amarelas laterais e um top combinando. Deixei meus cabelos soltos e calcei meus tênis de academia. Ao descer, encontrei a mesa de jantar ocupada. Damian segurava uma caneca de café com um sorriso de canto; Dylan usava óculos escuros, claramente sofrendo com a ressaca da noite anterior; e Dario me observava com um olhar tão encantado que minhas pernas quase falharam. Sentei-me ao lado dele. ​— Bom dia — falei. ​— Bom dia — responderam em uníssono. ​Pela primeira vez desde que cheguei, senti que parecíamos uma família de verdade, apesar de toda a confusão com Dylan. ​— Você está bem? — perguntei a Dylan, que massageava as têmporas. ​— Sim... Só uma ressaca daquelas. ​— Tomar um café bem forte ajuda — sugeri, servindo-me de um pedaço de bolo de laranja. ​— Dormiu bem, Anika? — Damian perguntou, alternando o olhar entre mim e Dario com malícia evidente. ​— Damian, deixe-a tomar café em paz — interveio Dario, buscando minha mão livre por cima da mesa e apertando-a com carinho. ​Após a refeição, segui para o campo de treinamento. Gael já estava lá. ​— Bom dia, Gael. Viu a Stella por aqui? ​— Bom dia. Ela foi beber água, disse que voltava em cinco minutos. ​Logo vi os três irmãos se aproximando, parando a uma distância estratégica para observar. ​— O que houve? — perguntei a Damian pelo elo mental. ​— Nada demais. Só estamos aqui para garantir que o Dylan não surte. ​— Ele não concordou com isso, não é? ​— Nem um pouco. Ele está à beira de um colapso nervoso — Damian respondeu, e eu pude ver Dylan inquieto, mesmo de longe. ​Fiquei séria ao ver Stella se aproximar. Ela vestia uma legging preta e um top azul com o zíper frontal levemente aberto. Seus cabelos negros estavam presos em um r**o de cavalo alto, e ela usava botas de combate de plataforma média. Notei os meninos olhando, especialmente Dylan, que parecia hipnotizado, e não pude evitar revirar os olhos. ​— Atrasada — disparou ela ao parar na minha frente. ​— Não lembro de termos combinado um horário exato. ​— A partir de agora, temos. Esteja aqui às oito em ponto — ordenou ela, colocando as mãos na cintura e lançando um olhar rápido para os homens ao longe. — Eu não queria isso, aceitei porque não tive outra opção. Eles vão mesmo ficar ali nos vigiando? ​— O Dylan não está muito de acordo com o nosso treino — expliquei. ​— Ele realmente gosta muito de você — ela comentou, observando-o. ​— Eu apostaria que não é por minha causa que ele está tão tenso ali — retruquei, sustentando o olhar dela. ​Stella suspirou e descruzou os braços. — Esqueça eles. Vamos focar no que importa. Nós duas sabemos que não nos bicamos, então que tal uma trégua a partir de agora? ​Ela estendeu a mão. Olhei nos seus olhos, buscando qualquer sinal de falsidade, mas vi apenas cansaço e determinação. Resolvi aceitar e apertei sua mão. ​— Certo. Vamos treinar. Meia hora de defesa em forma humana e meia hora de luta transformada com o Gael — instruiu ela, posicionando-se em guarda. — Anika, só te peço uma coisa: não me dê golpes na barriga. ​Franzi a testa enquanto me posicionava também. — Por que somente a barriga? ​Antes que eu pudesse processar o pedido, um soco atingiu meu rosto, fazendo-me recuar dois passos. A dor latejou instantaneamente. ​— Sem distrações! — Stella exclamou. — Concentre-se, desvie e tente me golpear. ​Ela veio para o segundo ataque, mas desta vez eu estava atenta. Consegui desviar, colocando em prática o básico que Dario havia me ensinado. O jogo havia começado.
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