Quando Damian avisou que Anika não estava no quarto, eu me senti perdido. Ronne ficou agitado, pronto para desmembrar cada parte do corpo daquelas invasoras. Tessa estava bem na minha frente, acompanhada por mais duas bruxas, me encarando com um olhar desafiador e um sorriso de canto.
"O que te traz até aqui, Tessa?", perguntei, avaliando-as com cautela.
"Quanto tempo, Dario... Vejo que não mudou nada desde a nossa última 'brincadeira'. Continua fedendo a cachorro," disse a morena de olhos vermelhos, retirando o capuz que cobria seu rosto.
"Se você chama matança de brincadeira, você realmente é uma psicopata," respondi, me aproximando com rosnado baixo.
"Relaxa. Hoje não tenho tempo para dar uns chutes na sua b***a. Estou procurando algo que pertence ao meu coven," falou Tessa, passando os dedos de leve pelo meu abdômen de forma provocativa.
"Não tenho tempo para jogos, Tessa. O que veio procurar na p***a do meu território?", perguntei, perdendo a paciência.
"Uma bruxa. A localização dela indicava este lugar, mas o rastro sumiu de repente."
"Impossível. Meus guerreiros teriam visto qualquer invasora entrar em nossas terras."
"Bom, então essa bruxa deve ser muito astuta. Deve ter entrado e saído sem que vocês percebessem... Já a admiro. Bom, nos vemos por aí, lobinho," disse Tessa, dando de ombros e recolocando o capuz.
"Se cruzar meu caminho novamente, não deixarei você viva para uma próxima vez, Tessa."
"Também te amo, Dario," ironizou ela, desaparecendo entre as árvores.
Nós, lobisomens, não nos damos bem com bruxas, mas Tessa era uma exceção. Éramos como fósforo e gasolina; antes da chegada de Anika, a atração entre nós era inevitável. Sempre acabávamos brigando e, logo em seguida, transando. Por isso, apesar de às vezes querermos nos matar, acabamos nos tornando próximos.
— Já estou com a Anika, avisou Damian pelo elo mental.
— Ótimo. Leve-a para o quarto. Eu mesmo irei me certificar de puni-la por sair sem avisar.
Fui para o campo de treinamento para uma reunião de emergência com meus guerreiros, o Gama e o Beta da matilha.
Depois de duas horas de reunião, fui direto para o quarto de Anika. Bati na porta e, como ela não respondeu, entrei. Ela estava dormindo de lado, encolhida debaixo do edredom. Seus cabelos vermelhos estavam espalhados pelo travesseiro e seus lábios estavam entreabertos; mesmo dormindo, ela era extremamente bonita.
Dei um beijo gentil em sua testa. Peguei as algemas debaixo da cama que Damian havia deixado horas antes, conforme eu pedi, e prendi suas mãos na cabeceira da cama. Tirei minhas roupas e fui para o banheiro tomar um banho.
Depois de um tempo relaxando sob a água quente, ouvi o grito de Anika. Peguei uma toalha, enrolei-a na cintura e fui até ela.
"O que significa isso, Dario?", perguntou Anika, puxando os braços com força, tentando se soltar.
"Isso faz parte da sua punição," respondi, aproximando-me lentamente da cama.