Eu chorei e bati na porta de Dylan a noite toda. Eu estava desesperada, parecia que estava perdendo parte de mim, e ouvi-lo me rejeitar doía muito, como lâminas rasgando meu coração.
Acordei e senti dois corpos me envolvendo. Olhei para trás e vi que estava deitada em um dos braços de Dario, que estava dormindo e me abraçando pela cintura. Na minha frente, estava Damian, dormindo com a cabeça sobre um dos braços e o outro repousando na minha perna. Tê-los comigo me ajudou a não sofrer tanto com a rejeição de Dylan.
Mas meus pensamentos continuavam vagando para o beijo que partilhamos. Foi diferente dos beijos que partilhei com Dario e Damian. Tinha amor, raiva, desejo e medo, mas mesmo assim me deu a sensação de estar completa.
"Como você está se sentindo?", escuto a voz de Dario me tirando dos meus pensamentos.
"Estou me sentindo um pouco melhor," falei, me sentando devagar e me recostando na cabeceira da cama para não acordar Damian, que ainda estava dormindo.
"Você desmaiou depois do ocorrido," Dario fala, sentando-se perto de mim.
"Eu sinto muito por fazer vocês ficarem preocupados."
"Confesso que fiquei surpreso em ver você naquele estado," fala Dario, soltando um suspiro.
"Eu realmente me importo muito com ele, e Rose ficava descontrolada em relação a Dylan de um jeito que não sei explicar."
"Isso deve ser o jeito da sua loba lidar com a rejeição," fala Dario, me envolvendo em seus braços.
Eu apoiei a cabeça em seu peito. Seu cheiro me acalmava, e ficar em seus braços me dava conforto.
Ficamos assim por alguns minutos em silêncio, deixando que nosso contato físico falasse por nós o quanto éramos importantes para ambos.
Senti um toque suave na minha coxa, enviando arrepios pelo meu corpo. Olhei para baixo, e Damian tinha acordado e estava me olhando com um sorriso malicioso estampado no rosto.
"Que tal fazermos você relaxar um pouquinho?", sussurrou Dario no meu ouvido, enquanto Damian já estava plantando beijos suaves na minha coxa.
"Deixa eu te provar de novo, Anika," fala Damian, alisando minha coxa com as mãos, me fazendo sentir a umidade dentro da minha calcinha.
"Dê tempo a ela, Damian. Não queremos assustá-la," fala Dario, se afastando, e confesso que parte de mim ficou decepcionada.
"Darei o tempo que for necessário, minha lobinha," fala Damian, me dando um beijo na testa e se levantando.
Meus olhos caíram para o pulso machucado dele, me fazendo recordar do momento em que ele caiu no chão como se estivesse com dor — que eu pensei que era um truque para me afastar do quarto de Dylan. Vendo eu focar meu olhar na queimadura no pulso de Damian e me perder em pensamentos, Dario disse:
"Precisamos conversar sobre isso também."
"Eu não sei como consegui fazer isso. Eu estava desesperada e não percebi nada de diferente em mim até segurar o pulso de Damian," falei, ainda olhando a queimadura.
"Anika, tenho que confessar que isso não é normal. Um lobisomem comum não tem capacidade de fazer esse tipo de coisa, principalmente uma ômega como você," fala Dario, pensativo.
"Eu realmente não sei como fiz isso, e olha agora: não tem nada," falei, tocando no braço de Dario.