Eu e meu pai ficamos sentados por quase meia hora aguardando o chamado. Ele parecia ter o mundo sobre os ombros, mas eu tentava manter a calma; tinha certeza de que meus sintomas eram puramente emocionais, talvez o início de uma depressão pelo luto e pelo término.
— Bom dia, Stella. Quanto tempo! Como vai? — cumprimentou a Dra. Ana assim que entrei.
— Bom dia, Ana. Vim justamente por isso... não tenho me sentido nada bem.
Ana é a médica-chefe da nossa matilha, uma referência para todos que desejam seguir a medicina entre os lobos.
— Conte-me o que está acontecendo e depois irei examiná-la.
— Sono em excesso, um cansaço que não passa e, às vezes, enjoos matinais.
— Certo. Sente-se na maca, por favor.
Ela se levantou e realizou um exame rápido, pedindo em seguida que eu me deitasse.
— Stella, seu ciclo menstrual atrasou este mês? — perguntou, enquanto apalpava meu abdômen.
— Sim... ainda não desceu.
— Lembra-se da última vez?
— Já faz pouco mais de um mês.
— Sente dor em alguma destas áreas? — Ela continuou a palpação, observando minhas reações.
— Não, dor eu não sinto.
— Bom, tenho quase certeza de que se trata de uma gestação, mas precisamos de um exame de sangue para confirmar.
— Como assim, gestação? — Meu coração disparou, e uma onda de nervosismo me atingiu.
— Ainda não temos o veredito, mas os sintomas são clássicos. A enfermeira Suzana virá colher seu sangue agora.
A espera pelo resultado foi a pior parte. Se antes eu estava calma, agora minhas pernas tremiam incontrolavelmente. Eu estava apavorada. Não queria estar grávida, muito menos de um filho do Dylan, não no caos em que nossas vidas se encontravam.
Meia hora depois, a enfermeira retornou com o envelope. Antes de entregá-lo à médica, ela hesitou e suspirou.
— O Alfa Dylan está lá fora. Ele exige entrar e deixou claro que não aceitará um "não" como resposta.
— Por favor, não o deixe entrar! — pedi, quase em súplica. — Ele não pode nem suspeitar disso.
— Sinto muito, Stella, mas não podemos barrá-lo. Ele é o nosso Alfa — justificou a enfermeira, baixando o olhar.
— Tudo bem, deixe-o entrar — consentiu a Dra. Ana, lançando-me um olhar encorajador.
A porta se abriu e Dylan entrou. O ar na sala pareceu se tornar mais pesado instantaneamente; a tensão era quase palpável. Ana olhou de mim para ele, respirou fundo e analisou os papéis por alguns segundos antes de soltar a bomba:
— Exatamente como eu suspeitava. Parabéns, Stella. Você está esperando um filhote.
Aquelas palavras me atingiram como um soco no estômago. Eu não podia acreditar. Estava carregando um filho de Dylan... e agora, o que seria de nós?
MUITO DISTANTE DA ALCATEIA, NO TERRITÓRIO HUMANO
— Meu senhor, eu consegui localizá-la.
— Onde ela está? — perguntou o homem vestido de preto, sentado atrás de uma mesa imponente de carvalho, com um charuto entre os lábios e o olhar gélido.
— Na matilha Sombra da Noite, senhor.
Um sorriso sombrio surgiu no rosto do homem enquanto a fumaça do charuto subia.
— Mande o meu "tesouro" ir buscá-la imediatamente.
— Mais alguma instrução, senhor?
— Tragam-na viva e sem um único arranhão. Se ela for ferida, eu mesmo punirei o meu tesouro.
— Sim, senhor