Eu estava com os guerreiros que trocariam de plantão com a guarda da fronteira quando o cheiro acre das bruxas atingiu nossas narinas. Sem hesitar, fiz um elo mental avisando Dario e Romeu sobre a invasão. Tentamos contê-las, mas aquela bruxa que liderava o ataque era poderosa demais; com um simples gesto, ela apagou metade dos meus homens.
Recuei estrategicamente. Minha prioridade era tirar Stella e Romeu da zona de perigo. Corri até a casa deles em minha forma lupina, comunicando-me pelo elo.
Stella e eu somos companheiros destinados. Sentimos o laço no momento em que ela completou dezoito anos. Naquela época, tive esperança de fazê-la se apaixonar por mim, mas ela me pediu a rejeição. Ela acreditava estar apaixonada por Dylan — embora, na minha opinião, aquilo nunca tenha passado de uma obsessão doentia. No início, não aceitei a rejeição. Stella teve recaídas; nos beijamos algumas vezes porque a atração entre companheiros é inevitável, nossos corpos nos traíam.
Porém, em uma noite amarga, senti na pele a agonia de ver a pessoa que amo entregar-se a outro. Sem saída, aceitei a rejeição definitiva. Stella começou a namorar Dylan e nosso laço enfraqueceu, mas nunca morreu. Eu ainda a amo e guardo a esperança de que, um dia, ambos acordem dessa obsessão e enxerguem seus verdadeiros companheiros.
Bati na porta e Romeu abriu imediatamente, entregando-me algumas peças de roupa.
— Onde está a Stella? — perguntei, vestindo-me às pressas.
— No quarto. Está muito nervosa, você já deve imaginar o motivo — respondeu Romeu, apagando as luzes para não atrair atenção.
— Dylan não fez contato pelo elo para tranquilizá-la?
— Ainda não. É estranho, ele sempre avisa que está bem.
Nesse instante, Stella desceu as escadas em prantos, o desespero estampado no rosto.
— Pai! Aconteceu alguma coisa com o Dylan! Eu senti a dor dele!
Olhei para ela, confuso. Era impossível ela sentir a dor física dele, pois não eram companheiros de alma. Aquilo era fruto do estado emocional dela, ou algo pior.
— Calma, filha. Esse nervosismo faz m*l ao bebê — Romeu tentou acalmá-la. — Vá com o Gael. Eu vou atrás do Dylan.
— Não, pai! Não vou deixar você sozinho. Você é minha única família, não posso te perder! — ela soluçou, abraçando-o.
— Estrelinha, eu ficaria mesmo se o Dylan estivesse aqui. Vá com o Gael, ele vai te proteger.
— Promete que volta para mim?
— Eu prometo. Gael, cuide da minha filha. Estou confiando em você.
— Pode deixar, Romeu. Eu mato e morro por ela — respondi com toda a sinceridade do meu lobo.
Entramos no carro e dirigi no sentido oposto à fronteira, cortando pela estrada de barro na floresta. Estávamos quase saindo do território quando avistamos o carro de Dario capotado e destruído. Stella entrou em colapso. Quando Anika gritou que Dylan ainda estava lá dentro, o desespero dela foi absoluto.
Usei toda a força do meu lobo para arrancar a porta retorcida. O carro estava prestes a explodir. Stella, teimosa e imprudente, entrou pelo outro lado do veículo capotado para segurar a mão de Dylan, ignorando meus gritos para que se afastasse. Ela só saiu quando eu finalmente consegui retirá-lo das ferragens. Joguei Dylan sobre o ombro e corri. No instante em que nos distanciamos, o carro explodiu em uma bola de fogo.
— Gael... cadê a Anika? — Stella perguntou, olhando em volta com os olhos arregalados.
O banco de trás estava vazio. O horror me atingiu.
— Eu vou atrás dela — falei, acomodando o Dylan desacordado no banco de trás do nosso carro e começando a me despir para a transformação.
— Promete que vai voltar? — Stella perguntou, as mãos tremendo, a ansiedade vertendo de cada poro.
— Cuide do Dylan. Qualquer coisa, eu te aviso pelo elo.
Transformei-me e disparei para dentro da floresta, em direção ao coração da matilha, deixando Stella para trás com o homem que ela acredita ser seu verdadeiro amor. Eu não olhei para trás; precisava encontrar a Luna antes que fosse tarde demais.