Ver Anika se aproximando de Dylan me deixou furioso. Eu aceitaria partilhá-la com Dario, mas com Dylan, jamais. Ele não merece a felicidade após me fazer sangrar emocionalmente por anos. Eu amava Olívia tanto quanto amo Anika agora, e ele a tirou de mim. Tenho a convicção de que o ciclo se repetirá se ele se envolver com a ruiva.
Enquanto cruzava o corredor, os gritos de Stella ecoaram, elevando minha raiva ao ápice. Ele estava com Anika, mas mantinha Stella trancada como se fosse sua propriedade privada. Meu lobo rugia por sangue; eu só desejava uma coisa: vingança.
Decidi começar golpeando o que Dylan julgava essencial. Eu precisava mapear suas fraquezas. Foi então que vi Stella descendo as escadas furtivamente, tentando se tornar invisível. Vestia o blazer do meu irmão, tinha o rosto marcado pelo sono e os cabelos em desalinho. Soube, naquele instante, por onde começar o jogo.
Ao segurar seu braço, ela sobressaltou-se. Notei o exato momento em que Dylan surgiu no topo da escada. Era a hora do teste. Sussurrei no ouvido dela apenas para monitorar a reação dele. Quando vi sua mandíbula tensionar e sua expressão murchar em fúria, tive a confirmação: eu havia encontrado o caminho.
Então, eu a beijei. Admito que Stella tem um beijo notável; se eu ainda não estivesse viciado no gosto de Anika, diria que ela seria uma alternativa tentadora. Esperei um tapa, um protesto, mas me surpreendi quando ela correspondeu. Talvez a nossa "Estrelinha" não fosse tão ingênua quanto a fachada sugeria.
Saí pela porta da frente em direção ao campo de treinamento. Encontrei Dario e Gael, nosso Gama, instruindo os novatos. Tirei a camisa e iniciei o aquecimento para as aulas de combate que eu lideraria.
Antes que eu pudesse reagir, um soco devastador atingiu meu maxilar. O gosto metálico do sangue inundou minha boca no mesmo segundo. Dylan já avançava para o segundo golpe antes que eu pudesse identificar o ataque, forçando-me a recuar sob o impacto. Dario e Gael intervieram imediatamente. Dario imobilizou Dylan pelos braços e, confesso, nunca o vira tão descontrolado.
— Qual é o seu problema, Dylan? Foi só um beijo — provoquei, limpando o rastro de sangue no canto da boca com as costas da mão. — Não achei que ficaria tão instável, considerando que agora você tem a Anika.
— Não ouse tocar nela novamente, Damian, ou eu juro que mato você! — ele rugiu, lutando contra o aperto de Dario.
— Ela é solteira, Dylan. Não te pertence mais. Se Stella decidir ser minha concubina, eu a aceitarei de braços abertos.
Lancei a isca apenas para testar o limite do seu autocontrole, e a resposta foi fascinante: Harpe tentava romper a superfície. Aquilo não fazia sentido biológico. O lobo dele não deveria manifestar esse nível de possessividade por Stella se sua companheira predestinada era Anika. Os caninos de Dylan saltaram e o estalo de seus ossos quebrando ecoou pelo campo — ele estava perdendo o controle para a fera, movido por algo que eu chamaria, sem dúvida, de ciúme visceral.
— Some daqui, Damian! Agora! — Dario ordenou, a voz carregada de urgência.
Não hesitei. Virei as costas e disparei para a floresta. Saí de lá com uma certeza absoluta: Anika pode ser importante, mas Stella é o tendão de Aquiles de Dylan. Agora, só preciso descobrir qual das duas será o alvo final para fazê-lo sofrer cada gota do que eu sofri.