Eu estava na entrada da mansão quando ouvi as servas cochicharem que meu irmão havia entrado com uma garota ferida da floresta.
Fiquei curioso e queria ver que garota era para meu irmão ficar tão preocupado e levá-la para a nossa casa.
Vi o curandeiro subindo as escadas com a serva da nossa mãe e os segui, pensando que Damian realmente havia perdido a cabeça ou que alguma feitiçaria o tinha feito se apaixonar. Se não fossem esses motivos, qual seria? O cara era muito seletivo em relação às mulheres; em vinte e seis anos, eu o vi com apenas três mulheres.
Mas, quando cheguei no corredor, o delicioso cheiro de pêssego e baunilha me dominou. Meu lobo ficou agitado e repetia: "Companheira!"
Eu não podia acreditar que, depois de anos, minha companheira resolveu surgir das sombras, onde quer que estivesse todos esses anos. Foi quando a vi, deitada e inconsciente.
Entrei e olhei para Damian, deitado no sofá de canto e parecendo muito estressado, e para Dario, que estava falando com o curandeiro, o qual parecia apressado em examinar a garota.
"O que está acontecendo aqui?"
Perguntei aos meus irmãos.
"Eu a encontrei desmaiada na divisa das fronteiras."
Respondeu Damian, me olhando.
"E resolveu trazer essa estranha para dentro de casa? Só a Deusa sabe o que ela deve ter feito para estar assim."
Falei, com a raiva crescendo dentro de mim.
"Dylan, ela é minha companheira, ou melhor, minha e do Dario."
"Como assim, sua e do Dario?"
Perguntei, olhando para ele e depois para Dario, que parecia estressado.
"Sentimos o laço de companheiros com ela."
Falou Dario, soltando um suspiro cansado e olhando o curandeiro trabalhar nos ferimentos da garota.
"Que p***a está acontecendo aqui? Isso é impossível! Como podemos ter uma única companheira se nem ao menos somos gêmeos?"
Perguntei, incrédulo.
"Também não sabemos. Temos que esperar ela acordar."
Falou Damian.
"Alfas, é quase um milagre ela estar viva, pela quantidade de prata em seu corpo, mas ela ficará bem."
Disse o curandeiro, desviando nossa atenção enquanto fazia curativo nos ferimentos dos braços.
"E por que ela ainda não acordou?".
Perguntou Dario, parecendo preocupado.
"Além da prata, também há uma grande quantidade de acônito no organismo dela. Essa é a explicação por ela ainda estar inconsciente. Os ferimentos vão melhorar conforme o organismo dela for limpando, então terão que cuidar dos ferimentos."
Explicou o curandeiro, tirando algumas ervas da bolsa.
"Quanto tempo vai demorar até ela acordar?"
"Provavelmente, quando a quantidade de acônito diminuir. Até lá, só nos resta esperar. Eu voltarei amanhã para examiná-la. Agora, se me permitem, irei me retirar, Alfas."
Eu me aproximei da cama e me sentei ao lado dela para examinar seu rosto melhor. Nossas mãos se encostaram e arrepios percorreram meu corpo, como faíscas, deixando meu lobo agitado.
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Já faziam cinco dias, cinco malditos dias, que ela não acordava, e eu já estava ficando maluco. Meu lobo estava agitado, querendo sua companheira, e meu objetivo não era esse.
Damian estava sentado, tratando dos ferimentos dela, como o curandeiro nos ensinou a cuidar e dar os elixires para dar-lhe nutrição. Eu e meus irmãos nos revezávamos para cuidar dela, já que odiávamos ver qualquer outra pessoa tocando nela. Harpe queria atacá-los. Eu tinha sempre que resistir e acalmá-lo.
Sentei no outro lado da cama e olhei para o rosto dela. Sua pele pálida, mas sua beleza ainda chamava a atenção. Seu pequeno queixo levava a um nariz pequeno e delicado. Seus lábios eram cheios e rosados. Seu cabelo era vermelho e brilhante como uma chama.
"Nada mal."
Murmurei, avaliando o rosto dela.
Eu tinha a curiosidade de ver seus olhos. Imaginei que seriam tão bonitos quanto sua aparência. Toquei os lábios dela com o dedo, e ela respondeu: franziu a testa e abriu os olhos. E, finalmente, pude ver aqueles lindos olhos azuis me olhando.