BRIANA
O garoto novo é bonito. Não. Ele é maravilhosamente gato. Do tipo: UAU.
O que é uma d***a porque eu não quero viver com um cara que me faz querer pecar.
Esta é minha casa! Eu quero me sentir confortável o bastante para andar descabelada e sem maquiagem. Mas de qualquer forma, é uma bela visão para se ter diariamente. Aposto que Pedro tem algum defeito grave. Ele parece perfeitamente legal até o momento, mas ninguém pode ser tão bonito e legal assim.
- O que você achou?
Eu pergunto depois de lhe mostrar o seu novo quarto. Não tem nada demais nele: uma cama, um armário e uma mesa para estudos. É meio sem graça até, mas acho que é o paraíso para nós, universitários. Nós não somos uma espécie muito exigente, ter um lugar para dormir é o bastante.
- Eu achei ótimo.
- Bom, nós teremos que discutir as regras do banheiro.
- Quais são?
- A prioridade é sempre minha. - Eu pisco um olho. - o tempo limite lá dentro é de dez minutos.
- Por que a prioridade é sua?
Dou de ombros.
- Eu sou a única mulher.
Pedro estala a língua e ri.
- Sexista.
- Eu diria esperta. Além do mais, eu sangro todos os meses, privilégios para as mulheres são uma obrigação.
- Informação demais. Certo, não dá pra discordar. Eu posso conviver com isso.
- Há também as regras da televisão.
- Deixa eu advinhar, a prioridade é sua?
- Eu posso ser boazinha com você, não costumo ser com o Erik, mas acho que vou deixar a tevê ser sua nas terças à noite.
Pedro finge estar pensando, ele cruza os braços e se apoia contra a porta do seu novo guarda-roupa.
- Quinta.
Dou de ombros.
- Podemos começar assim.
Estico a mão para selarmos o acordo. Pedro ri, ele acha que eu sou estranha, mas aperta a minha mão ainda assim. O toque dele é quente e eu sinto o meu peito palpitar. Que coisa mais clichê: Derretida pelo novo e super gato colega de quarto. Tenho certeza que a minha recém solteirice tem algo a ver com isso. Eu fico um pouco concentrada demais no calor do seu toque e acabo prolongando o cumprimento por mais tempo do que seria normal.
É Pedro quem desfaz o contato. Ele se afasta um passo inteiro de perto de mim e põe a mão, que estava tocando a minha alguns segundos antes, atrás de suas costas. Tenho a sensação que ele está mantendo a mão de castigo, como se o nosso cumprimento tivesse sido longo demais e ela devesse ser punida por isso.
Nós temos um minuto de silêncio constrangedor e eu não sei de onde isso veio, mas, felizmente, a campainha toca antes que a coisa fique esquisita.
- Deve ser Anika. É minha amiga - Eu explico, já me afastando. - Ajeite as suas coisas e venha para sala e então eu apresento vocês.
- Parece bom. - Ele pigarreia. - Ja irei.
Anika vai enlouquecer quando botar os olhos naquele corpo. Pedro deveria ser modelo. Ele é tão bonito que estou um pouco tonta.
Abro a porta, feliz de ter uma garota para babar nele junto comigo, mas a felicidade vai embora quando dou de cara com Brennan. Bom, é bem-feito pra mim. Quer dizer, eu devia ter previsto isso, não é? Justin não manda mensagens há dois dias, é claro que ele apareceria. Tão previsível.
- O que você tá fazendo aqui?
- Isso não é necessário. De nós dois, não é você quem deveria estar sendo hostil.
Touché! Ele está certo. Eu quero ser uma cretina e fazer com que ele saia do apartamento, mas acho que eu lhe devo o mínimo de consideração. Solto um suspiro e abro espaço para que ele entre.
- Você quer beber alguma coisa?
- Não, obrigado. Eu só quero conversar.
Conversar é exatamente o que eu não quero. Eu aponto para o sofá e espero que ele sente, e então sento no outro.
- Você não tem respondido as minhas mensagens.
Eu não tenho.
- Desculpe. A faculdade está uma loucura.
- Minta direito, pelo menos. As aulas ainda nem começaram.
Opa...
- É, tudo bem. - Tomo uma longa respiração. Por mais que eu não queira essa conversa, e eu realmente não quero, é óbvio que ela precisa acontecer. - Eu acho que eu e você precisamos de tempo afastados, Justin.
- Mas eu sinto a sua falta. Eu não quero isso, Bri. Eu não quero ficar sem você.
- Eu não entendo. Quer dizer, você não me odeia?
Justin ri e por um momento eu registro isso. A sua risada. Eu a amo. Eu a amava... eu a odeio também. Minha mão aperta a almofada ao meu lado. Eu não estou pronta pra isso. Eu não quero essa conversa.
- Eu fiquei morrendo de raiva, é claro. Eu não posso acreditar até agora que você tenha me traído. Toda vez que eu penso nisso... - Sua mandíbula aperta. Ele quer estar calmo, ele quer fazer isso bom, ele quer me perdoar porque ele me quer de volta. Mas ele não perdoou. - Mas... eu sinto falta de nós. Eu estou disposto a superar isso.
A almofada está esmagada na minha mão. Justin pode ver que estou abalada. Ele pode farejar isso. Num segundo estou sozinha no sofá e no outro eu o tenho ao meu lado. Ele beija a minha bochecha, meu queixo, meu pescoço. Ele está sussurando que me quer de volta, ele esta dizendo que me ama. O meu coração bate mais e mais forte.
Eu não quero isso... eu quero... eu não quero.
Alguém pigarreia. Eu abro os olhos que não sei quando fechei. Pedro está olhando pra mim. Ele parece constrangido por ter interrompido.
- Desculpa atrapalhar. É que eu queria tomar um banho e esqueci o sabonete. Eu queria saber se você podia...
Ele deixa a frase no ar. As suas bochechas estão vermelhas. Ele está tão constrangido. Ele não deveria, no entanto. Pedro acabou de estender a mão e me salvar de cair no abismo. Ele não sabe disso, mas é meu novo herói.
Eu salto do sofá.
- Claro. Eu vou pegar para você.
Justin já está de pé também e mede Pedro descaradamente.
- Quem é esse?
Ele pinga hostilidade. Eu sei o que ele está pensando. Está pensando que eu sou uma v***a e que Pedro é a minha mais nova conquista.
Eu tomo a decisão antes de debater se é ou não uma boa ideia. Agarro o braço de Pedro bem apertado.
- Esse é Pedro. E bem, como você pode imaginar, nós estávamos ocupados.
O rosto dele fica vermelho.
- Essa p***a é séria? Eu venho aqui resolver as coisas e você está trepando com outro?
Pedro está rígido ao meu lado. Completamente imóvel. Eu não olho para ele.
- Eu não convidei você para vim. Eu disse que precisava de tempo.
- Pra t****r com outro cara?
Eu odeio o seu tom de voz. Eu odeio que ele esteja me julgando. Mas isso é bom. Estar com raiva é melhor do que ceder.
- E se for? E se você me der licença, eu gostaria de voltar a t****r.
O rosto de Justin está roxo agora. Eu nunca falei assim com ele.
Pedro finalmente reage e puxa o braço para longe. Eu não o olho, mas sei que está olhando para mim com algo semelhante a indignação e sei que ele quer que eu olhe de volta.
Felizmente, Justin está com raiva demais para perceber que Pedro está me rejeitando.
- Quer saber? Faça como quiser, eu aposto que vai voltar rastejando de volta como uma boa v***a.
Eu congelo. Eu odeio essa palavra. Eu sabia que era o que ele estava pensando, mas ouvi-lo dizer dói.
Eu deveria responder, mas estou com tanta raiva que por um momento fico sem fala.
Essa palavra i****a.
- Ei cara, isso não foi legal.
A intromissão de Pedro me choca verdadeiramente. Justin o encara e tenho certeza que quer partir para a briga. Mas estou tranquila. Justin não se mete em brigas de verdade. É um contraste com a sua personalidade. Explosivo o bastante para deixar alguém com ódio, mas pacífico o suficiente para nunca dar o primeiro soco.
- Vai se fuder. Isso é entre eu e ela.
- Eu não vou, obrigado. E, na verdade, você está na minha casa então meio que é sobre mim também. Por falar nisso, vou te pedir para sair.
- sua casa? - Os olhos de Justin me queimam. - ta dormindo no mesmo teto que ele?
Não ainda, tecnicamente. Mas eu não respondo. Sustento o seu olhar e deixo que interprete o silêncio da forma que quiser.
Ele balança a cabeça e ri friamente. Ele não pode acreditar que a sua preciosa garotinha está morando junto com o mesmo garoto que ela transa. Na sua cabeça deve estar imaginando que somos praticamente casados.
É uma mentira tão grande e absurda. Mas desde que Pedro não abra a boca, eu não farei isso também.
- Vai se fuder. - finalmente, ele vira para sair. - vai se fuder de verdade, Briana.
A porta é batida com força pela segunda vez hoje. Mas quando Erik fez foi diferente. Tão diferente. Eu posso respirar de novo agora que ele foi. Meu coração ainda está disparado, a minha cabeça está doendo e eu quero chorar.
Mas estou bem. Está tudo bem
- Que m***a foi essa?
Ele parece irritado. A sua voz é a de alguém prestes a estourar. Suspiro e paro de encarar a porta por onde Brennan saiu e olho para Pedro pela primeira vez desde que o arrastei para a minha confusão.
- Tá legal, eu sei o que você deve estar pensando...
- Estou pensando que você é louca. Que ideia foi essa, m***a?
- Bom, eu estava precisando de ajuda e ai...
Ele me interrompe de novo.
- E aí me arrastou pro meio da sua briga. Nós não somos amigos, Briana. Você não está no seu direito.
Isso foi rude. Agora eu estou com raiva dele também. Ele não pode simplesmente rir e levar na esportiva? Não precisa ser um b****a, certo? Não foi pra tanto.
Estou esgotada. É como eu sempre fico depois de encontrar Justin. Pedro não está ajudando.
Eu sinto que quero chorar e a última coisa que eu preciso é de testemunhas. Eu passo direto por ele, sem me importar em terminar a nossa briga e me tranco no meu quarto.
Está tudo bem. Eu estou bem.