Capítulo 1 – O Encontro Fatal

1093 Words
A noite estava quente, carregada de eletricidade no ar, como se o próprio universo soubesse que algo estava prestes a acontecer. O exclusivo Clair de Lune, um dos clubes mais refinados de São Paulo, fervilhava com a elite da cidade. Risadas abafadas, brindes sussurrados e olhares carregados de intenções se cruzavam pelo salão luxuoso, onde a música baixa apenas amplificava a tensão sedutora do ambiente. Olívia Martins não deveria estar ali. Ela nunca foi o tipo de mulher que se sentia confortável em lugares como aquele. Advogada recém-formada, acostumada a batalhar para conquistar seu espaço, não via sentido naquele mundo de excessos e luxúria disfarçada de sofisticação. Mas Beatriz, sua melhor amiga e confidente desde a faculdade, não aceitaria um “não” como resposta naquela noite. — Você precisa viver um pouco, Liv! — Beatriz insistiu horas antes, estendendo um vestido de cetim vermelho de alças finas. — Esse caso que você pegou está sugando sua alma. Olívia bufou, cruzando os braços. — Eu gosto da minha alma. — E eu gosto da minha melhor amiga solteira e estressada, mas nem tudo pode ser perfeito, certo? No final, Beatriz venceu. Como sempre. Agora, Olívia estava ali, sentada no balcão, girando o copo de vinho na mão enquanto tentava ignorar os olhares masculinos que pareciam avaliá-la como uma presa rara. O vestido vermelho abraçava suas curvas de um jeito quase pecaminoso, e os saltos realçavam sua postura, mesmo que ela ainda sentisse que aquele não era o seu lugar. Até que ela sentiu. Não ouviu sua aproximação, mas a intensidade do olhar queimava sua pele antes mesmo que ela se virasse. Theo Vasconcellos. O nome dele carregava peso. Empresário implacável, um dos homens mais influentes do país, dono de uma fortuna incalculável e de uma fama ainda mais perigosa. Alguns o chamavam de gênio. Outros, de monstro. Mas todos concordavam em uma coisa: Theo nunca deixava algo — ou alguém — escapar de suas mãos quando decidia que queria. E agora, seus olhos azuis estavam cravados nela. Olívia sentiu um arrepio subir por sua coluna quando finalmente se virou, encontrando o olhar dele. Alto, imponente, vestido impecavelmente em um terno escuro que parecia ter sido feito sob medida para acentuar sua aura de autoridade. A barba cerrada realçava o maxilar forte, e seus lábios estavam curvados em um sorriso carregado de intenções. — Você não parece pertencer a esse lugar — ele disse, a voz grave e rouca como uma promessa perigosa. Olívia arqueou a sobrancelha. — E você parece pertencer a todos os lugares. Theo sorriu de lado, um brilho de interesse cruzando seus olhos. Ela não se intimidava facilmente. Ele gostava disso. — Talvez. Mas hoje, o único lugar onde quero estar é ao seu lado. A ousadia dele fez algo vibrar dentro dela, um calor desconhecido que ameaçava consumir seu bom senso. Ela não era ingênua. Sabia exatamente o tipo de homem que Theo Vasconcellos era. Um predador nato. Um homem acostumado a ver as mulheres se renderem sem esforço. — E se eu não quiser sua companhia? — desafiou. Theo inclinou-se ligeiramente para frente, reduzindo a distância entre eles, e o perfume amadeirado e intenso dele a envolveu. — Então, direi que você está mentindo para si mesma. Os olhos de Olívia estreitaram-se. — Arrogância não combina com sedução. Ele riu baixo, um som rouco e perigoso. — Quem disse que estou tentando seduzir você, pequena? O modo como ele pronunciou aquele apelido fez seu estômago revirar. Como se a posse já estivesse implícita. Como se soubesse exatamente que, no final, ela cederia. E contra todo o bom senso, Olívia pegou a taça de vinho e tomou um gole, mantendo os olhos fixos nos dele. Ela não fugiria. Não seria como as outras. Mas ela não percebeu que, naquele exato momento, o jogo já tinha começado. O Jogo da Sedução — Dance comigo. Não foi um pedido. Foi uma ordem envolta em veludo. Olívia hesitou por um segundo. Uma parte dela queria negar. Queria dar as costas e ir embora. Mas a outra parte, a parte mais perigosa, queria ver até onde aquilo iria. Ela pousou a taça no balcão e segurou a mão que Theo estendia para ela. A eletricidade entre os dois foi imediata. Ele a guiou até a pista de dança, onde a música era apenas um sussurro sensual ao fundo. Assim que a puxou para perto, Olívia sentiu a firmeza do corpo dele contra o seu. Forte. Quente. Perigoso. Theo segurou sua cintura, os dedos pressionando sua pele nua onde o vestido não cobria. Seu rosto estava próximo demais, e ela podia sentir a respiração dele roçar contra sua têmpora. — Você tem cheiro de pecado — ele murmurou. Olívia sorriu, inclinando-se ligeiramente para trás para encará-lo. — Você tem cheiro de encrenca. — Um belo par, então. Ela riu, mas o som morreu quando Theo deslizou os dedos para cima, subindo por suas costas nuas, traçando um caminho que enviou ondas de calor direto para sua pele. — Não brinque comigo, Olívia — ele sussurrou. — E se eu quiser brincar? Theo estreitou os olhos, seu aperto na cintura dela se tornando levemente mais firme. — Então, espero que esteja pronta para perder. O Aviso O jogo entre os dois estava claro. Mas o que Olívia não sabia era que, ao aceitar aquela dança, ela não apenas aceitou o desafio silencioso de Theo Vasconcellos. Ela cruzou uma linha invisível. Uma linha que a colocava em um mundo onde desejo e poder eram entrelaçados. E onde homens como Theo nunca aceitavam um não como resposta. A música diminuiu e, por um instante, o silêncio os envolveu. O olhar de Theo era feroz, carregado de intenções que faziam a respiração de Olívia ficar mais curta. Ela sabia que deveria se afastar. Mas, ao invés disso, ficou. E quando Theo inclinou a cabeça, os lábios pairando a centímetros dos dela, ela soube que estava perdida. Porque naquele momento, ela queria que ele a beijasse. E Theo Vasconcellos nunca negava nada a si mesmo. Um Olívia hesitou. Cada célula em seu corpo dizia que entrar no carro de Theo Vasconcellos era um erro. Mas, ao mesmo tempo, outra parte dela — a parte que havia se sentido viva como nunca antes nos braços dele — sabia que recusar poderia ser ainda pior. Ela respirou fundo. E então, sem dizer uma palavra, pegou a chave da mão dele. Theo sorriu de canto. E, naquele instante, Olívia soube que acabava de cruzar um limite do qual talvez não houvesse retorno.
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