Capítulo 2 – Entre o Perigo e o Desejo

1498 Words
O motor do carro rugiu assim que Theo girou a chave na ignição. Olívia, no banco do passageiro, sentia o corpo tenso, os dedos apertando as coxas enquanto tentava processar tudo o que havia acontecido naquela noite. Ela deveria estar em casa agora, tirando seus saltos e bebendo uma taça de vinho para encerrar a noite. Mas, em vez disso, estava fugindo com um homem misterioso, perseguida por ameaças que nem entendia. Theo dirigia com precisão, cortando a cidade como se conhecesse cada atalho, cada rua escura que os mantivesse fora do radar. O silêncio dentro do carro era cortante. — Vai me dizer para onde estamos indo? — Olívia finalmente quebrou o silêncio. Theo manteve os olhos na estrada. — Para um lugar seguro. Ela bufou. — Defina "seguro". Ele virou o rosto para ela por um breve instante, o canto da boca se curvando. — Um lugar onde ninguém vai te encontrar. O tom dele era enigmático, mas também insinuante. Como se aquele "ninguém" incluísse qualquer pessoa que tentasse entrar no mundo dele — até mesmo ela. Olívia sentiu um arrepio correr sua espinha. — Eu ainda não entendi por que eu estou envolvida nisso. Theo suspirou. — Você estava comigo. E, se há uma coisa que essas pessoas fazem bem, é encontrar pontos fracos. — Então, sou seu ponto fraco agora? Ele riu, mas não era uma risada de diversão. Era uma risada amarga. — Não, Olívia. Mas agora você é um alvo. Ela engoliu em seco. Não gostava daquilo. Não gostava da sensação de estar sendo puxada para algo muito maior do que poderia controlar. — Se eu quiser sair dessa? — desafiou. Theo virou o volante com precisão ao entrar numa estrada isolada. — Não sei se isso ainda é uma opção para você. O frio da noite invadiu o carro, e Olívia sentiu um nó no estômago. Eles dirigiram por mais alguns minutos até que Theo entrou numa propriedade privada. O portão automático se abriu, revelando uma casa moderna, cercada por árvores altas. O tipo de lugar onde ninguém passaria por acaso. Ele estacionou e desligou o carro. — Chegamos. Olívia olhou ao redor. — Que lugar é esse? — Meu refúgio. Ela arqueou uma sobrancelha. — Você tem um "refúgio"? Isso parece coisa de criminoso. Theo riu, saindo do carro. — Ou de alguém que precisa de privacidade. Ela hesitou por um momento, mas então saiu também. O chão de pedra fria sob seus saltos lhe deu um choque de realidade. Ela não pertencia àquele lugar. E, no entanto, ali estava. O Jogo da Sedução Dentro da casa, o ambiente era minimalista, mas sofisticado. O cheiro de couro e madeira pairava no ar, e a iluminação suave criava sombras nas paredes. Theo tirou o paletó e jogou sobre uma poltrona. — Você quer um drink? Olívia cruzou os braços. — Quero respostas. Ele serviu uma dose de uísque e tomou um gole antes de responder. — Eu trabalho com… informações. Ela riu sem humor. — Isso é um eufemismo para o quê? Espionagem? Tráfico? Ele inclinou a cabeça, divertido. — Nada tão cinematográfico. Mas eu sei coisas que muita gente gostaria que eu não soubesse. Olívia sentiu o peito apertar. — Então, aquele tiro… — Foi um recado. Ela mordeu o lábio. — E você me colocou no meio disso. Ele se aproximou devagar, deixando o copo de lado. — Eu te tirei do meio disso. Se você ainda estivesse lá quando a polícia chegasse, teria que dar seu nome. Seu rosto estaria nos relatórios. Você acha que essas pessoas não teriam acesso a isso? Ela respirou fundo. Ele estava certo. Mas isso não significava que ela confiava nele. Theo parou à sua frente, tão perto que ela sentia o calor de seu corpo. — Olívia… Ela ergueu os olhos para ele, e foi um erro. A intensidade no olhar de Theo a puxou para um abismo perigoso. Um abismo que exalava tentação e perigo em igual medida. — Eu deveria ir embora — ela sussurrou. Os dedos dele roçaram seu queixo, erguendo levemente seu rosto. — Então vá. Mas ele sabia. Sabia que ela não iria. O silêncio entre eles se tornou um fio prestes a se romper. Olívia não sabia quem cedeu primeiro. Se foi ela, incapaz de resistir ao magnetismo dele, ou se foi Theo, finalmente tomando o que queria. O beijo veio como um choque elétrico. A boca dele era exigente, faminta, e Olívia sentiu as pernas fraquejarem ao ser puxada contra aquele corpo rígido. Theo a segurou firme, aprofundando o beijo, fazendo com que ela esquecesse, por um momento, de todo o perigo ao redor. Só existia o calor. O desejo cru. A língua dele explorava sua boca com uma precisão que a fazia arder. Suas mãos deslizaram pela curva das costas dela, pressionando-a ainda mais contra si. Olívia gemeu contra seus lábios. E então, tão abruptamente quanto começou, ele se afastou. Os olhos de Theo estavam escuros, seu peito subia e descia com a respiração pesada. — Isso foi um erro — ele disse, mas sua voz traía a hesitação. Olívia umedeceu os lábios, ainda sentindo o gosto dele. — Então pare de me olhar desse jeito. Theo riu baixo, passando a mão pelo cabelo. — Você realmente não sabe no que está se metendo, sabe? Ela ergueu o queixo. — Não. Mas estou começando a querer descobrir. O sorriso dele desapareceu. — Então talvez eu seja um problema maior para você do que esses caras lá fora. Olívia estreitou os olhos. — E quem disse que eu tenho medo de problemas? O silêncio entre eles era carregado. Olívia sentia o coração batendo forte, não apenas pelo medo do desconhecido, mas pelo efeito que Theo tinha sobre ela. Havia algo nele—no jeito como a olhava, no tom rouco de sua voz—que fazia seu corpo responder antes mesmo de sua mente processar. Ela deveria sair dali. Deveria pegar um táxi e voltar para casa. Mas não conseguiu se mover. Theo pegou seu copo de uísque e tomou outro gole, sem tirar os olhos dela. — Se for ficar, precisa entender uma coisa, Olívia. Ela cruzou os braços, fingindo uma segurança que estava longe de sentir. — E o que eu preciso entender? Ele se aproximou lentamente, parando tão perto que ela sentiu o cheiro do uísque misturado ao perfume amadeirado dele. — Que, a partir do momento em que cruzou aquela porta comigo, você entrou no meu mundo. E aqui, as regras são minhas. Ela arqueou uma sobrancelha. — Regras? Que tipo de regras? Theo não respondeu de imediato. Em vez disso, ergueu uma das mãos e deslizou os dedos pela lateral do rosto dela, um toque leve, quase experimental. — Você aguenta a verdade, Olívia? Ela sentiu um arrepio percorrer sua pele. — Tente. Theo abaixou a mão, mas sua presença continuava esmagadora. — Se ficar, vai se envolver em algo que não pode controlar. Eu sou um homem que já perdeu o direito de viver na luz. Meu mundo é escuro, perigoso. Mas se decidir entrar, não poderá simplesmente sair quando quiser. Ela prendeu a respiração. — Parece que está me dando uma escolha. Ele sorriu, mas não havia humor ali. — Estou. Mas não se engane, Olívia. Você já fez a sua. Ela não soube dizer se o que sentiu foi medo ou excitação. Talvez os dois. A tensão entre eles era palpável, carregada de um desejo perigoso. Olívia sabia que não deveria se aproximar mais, mas era como se Theo exercesse uma força gravitacional sobre ela. — Você sempre fala assim? — ela desafiou, inclinando-se ligeiramente para ele. — Como se fosse um aviso ambulante? Theo soltou uma risada baixa, mas seus olhos brilharam com algo sombrio. — Não, Olívia. Eu só falo assim quando quero que alguém entenda que está brincando com fogo. Ela umedeceu os lábios, sentindo a respiração acelerar. — E se eu quiser me queimar? O ar entre eles ficou eletrizado. Theo não respondeu imediatamente. Em vez disso, moveu-se rápido, segurando-a pela cintura e puxando-a contra si. — Você não tem ideia do que está pedindo — ele sussurrou contra seu ouvido, a voz um convite e uma ameaça ao mesmo tempo. Olívia fechou os olhos, sentindo o calor dele contra seu corpo. A tensão s****l era tão densa que poderia ser cortada com uma lâmina. Ela abriu os olhos e encontrou os dele, escuros, intensos. Um desafio silencioso. — Então me mostre. E foi tudo o que precisou. Theo a beijou. Mas não foi um beijo suave ou hesitante. Foi um beijo de posse, de alguém que não tinha intenção de voltar atrás. As mãos dele deslizaram pelas costas dela, puxando-a ainda mais para perto. Os lábios exigentes, a língua provocadora, o corpo pressionando o dela contra a parede fria da sala. Olívia se entregou ao momento, ao desejo, ao perigo que ele representava. E soube, naquele instante, que não havia mais volta.
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