O motor do carro rugiu assim que Theo girou a chave na ignição. Olívia, no banco do passageiro, sentia o corpo tenso, os dedos apertando as coxas enquanto tentava processar tudo o que havia acontecido naquela noite.
Ela deveria estar em casa agora, tirando seus saltos e bebendo uma taça de vinho para encerrar a noite. Mas, em vez disso, estava fugindo com um homem misterioso, perseguida por ameaças que nem entendia.
Theo dirigia com precisão, cortando a cidade como se conhecesse cada atalho, cada rua escura que os mantivesse fora do radar. O silêncio dentro do carro era cortante.
— Vai me dizer para onde estamos indo? — Olívia finalmente quebrou o silêncio.
Theo manteve os olhos na estrada.
— Para um lugar seguro.
Ela bufou.
— Defina "seguro".
Ele virou o rosto para ela por um breve instante, o canto da boca se curvando.
— Um lugar onde ninguém vai te encontrar.
O tom dele era enigmático, mas também insinuante. Como se aquele "ninguém" incluísse qualquer pessoa que tentasse entrar no mundo dele — até mesmo ela.
Olívia sentiu um arrepio correr sua espinha.
— Eu ainda não entendi por que eu estou envolvida nisso.
Theo suspirou.
— Você estava comigo. E, se há uma coisa que essas pessoas fazem bem, é encontrar pontos fracos.
— Então, sou seu ponto fraco agora?
Ele riu, mas não era uma risada de diversão. Era uma risada amarga.
— Não, Olívia. Mas agora você é um alvo.
Ela engoliu em seco. Não gostava daquilo. Não gostava da sensação de estar sendo puxada para algo muito maior do que poderia controlar.
— Se eu quiser sair dessa? — desafiou.
Theo virou o volante com precisão ao entrar numa estrada isolada.
— Não sei se isso ainda é uma opção para você.
O frio da noite invadiu o carro, e Olívia sentiu um nó no estômago.
Eles dirigiram por mais alguns minutos até que Theo entrou numa propriedade privada. O portão automático se abriu, revelando uma casa moderna, cercada por árvores altas. O tipo de lugar onde ninguém passaria por acaso.
Ele estacionou e desligou o carro.
— Chegamos.
Olívia olhou ao redor.
— Que lugar é esse?
— Meu refúgio.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Você tem um "refúgio"? Isso parece coisa de criminoso.
Theo riu, saindo do carro.
— Ou de alguém que precisa de privacidade.
Ela hesitou por um momento, mas então saiu também. O chão de pedra fria sob seus saltos lhe deu um choque de realidade.
Ela não pertencia àquele lugar.
E, no entanto, ali estava.
O Jogo da Sedução
Dentro da casa, o ambiente era minimalista, mas sofisticado. O cheiro de couro e madeira pairava no ar, e a iluminação suave criava sombras nas paredes.
Theo tirou o paletó e jogou sobre uma poltrona.
— Você quer um drink?
Olívia cruzou os braços.
— Quero respostas.
Ele serviu uma dose de uísque e tomou um gole antes de responder.
— Eu trabalho com… informações.
Ela riu sem humor.
— Isso é um eufemismo para o quê? Espionagem? Tráfico?
Ele inclinou a cabeça, divertido.
— Nada tão cinematográfico. Mas eu sei coisas que muita gente gostaria que eu não soubesse.
Olívia sentiu o peito apertar.
— Então, aquele tiro…
— Foi um recado.
Ela mordeu o lábio.
— E você me colocou no meio disso.
Ele se aproximou devagar, deixando o copo de lado.
— Eu te tirei do meio disso. Se você ainda estivesse lá quando a polícia chegasse, teria que dar seu nome. Seu rosto estaria nos relatórios. Você acha que essas pessoas não teriam acesso a isso?
Ela respirou fundo.
Ele estava certo.
Mas isso não significava que ela confiava nele.
Theo parou à sua frente, tão perto que ela sentia o calor de seu corpo.
— Olívia…
Ela ergueu os olhos para ele, e foi um erro.
A intensidade no olhar de Theo a puxou para um abismo perigoso. Um abismo que exalava tentação e perigo em igual medida.
— Eu deveria ir embora — ela sussurrou.
Os dedos dele roçaram seu queixo, erguendo levemente seu rosto.
— Então vá.
Mas ele sabia.
Sabia que ela não iria.
O silêncio entre eles se tornou um fio prestes a se romper.
Olívia não sabia quem cedeu primeiro. Se foi ela, incapaz de resistir ao magnetismo dele, ou se foi Theo, finalmente tomando o que queria.
O beijo veio como um choque elétrico.
A boca dele era exigente, faminta, e Olívia sentiu as pernas fraquejarem ao ser puxada contra aquele corpo rígido.
Theo a segurou firme, aprofundando o beijo, fazendo com que ela esquecesse, por um momento, de todo o perigo ao redor.
Só existia o calor. O desejo cru.
A língua dele explorava sua boca com uma precisão que a fazia arder. Suas mãos deslizaram pela curva das costas dela, pressionando-a ainda mais contra si.
Olívia gemeu contra seus lábios.
E então, tão abruptamente quanto começou, ele se afastou.
Os olhos de Theo estavam escuros, seu peito subia e descia com a respiração pesada.
— Isso foi um erro — ele disse, mas sua voz traía a hesitação.
Olívia umedeceu os lábios, ainda sentindo o gosto dele.
— Então pare de me olhar desse jeito.
Theo riu baixo, passando a mão pelo cabelo.
— Você realmente não sabe no que está se metendo, sabe?
Ela ergueu o queixo.
— Não. Mas estou começando a querer descobrir.
O sorriso dele desapareceu.
— Então talvez eu seja um problema maior para você do que esses caras lá fora.
Olívia estreitou os olhos.
— E quem disse que eu tenho medo de problemas?
O silêncio entre eles era carregado. Olívia sentia o coração batendo forte, não apenas pelo medo do desconhecido, mas pelo efeito que Theo tinha sobre ela. Havia algo nele—no jeito como a olhava, no tom rouco de sua voz—que fazia seu corpo responder antes mesmo de sua mente processar.
Ela deveria sair dali. Deveria pegar um táxi e voltar para casa. Mas não conseguiu se mover.
Theo pegou seu copo de uísque e tomou outro gole, sem tirar os olhos dela.
— Se for ficar, precisa entender uma coisa, Olívia.
Ela cruzou os braços, fingindo uma segurança que estava longe de sentir.
— E o que eu preciso entender?
Ele se aproximou lentamente, parando tão perto que ela sentiu o cheiro do uísque misturado ao perfume amadeirado dele.
— Que, a partir do momento em que cruzou aquela porta comigo, você entrou no meu mundo. E aqui, as regras são minhas.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Regras? Que tipo de regras?
Theo não respondeu de imediato. Em vez disso, ergueu uma das mãos e deslizou os dedos pela lateral do rosto dela, um toque leve, quase experimental.
— Você aguenta a verdade, Olívia?
Ela sentiu um arrepio percorrer sua pele.
— Tente.
Theo abaixou a mão, mas sua presença continuava esmagadora.
— Se ficar, vai se envolver em algo que não pode controlar. Eu sou um homem que já perdeu o direito de viver na luz. Meu mundo é escuro, perigoso. Mas se decidir entrar, não poderá simplesmente sair quando quiser.
Ela prendeu a respiração.
— Parece que está me dando uma escolha.
Ele sorriu, mas não havia humor ali.
— Estou. Mas não se engane, Olívia. Você já fez a sua.
Ela não soube dizer se o que sentiu foi medo ou excitação. Talvez os dois.
A tensão entre eles era palpável, carregada de um desejo perigoso. Olívia sabia que não deveria se aproximar mais, mas era como se Theo exercesse uma força gravitacional sobre ela.
— Você sempre fala assim? — ela desafiou, inclinando-se ligeiramente para ele. — Como se fosse um aviso ambulante?
Theo soltou uma risada baixa, mas seus olhos brilharam com algo sombrio.
— Não, Olívia. Eu só falo assim quando quero que alguém entenda que está brincando com fogo.
Ela umedeceu os lábios, sentindo a respiração acelerar.
— E se eu quiser me queimar?
O ar entre eles ficou eletrizado. Theo não respondeu imediatamente. Em vez disso, moveu-se rápido, segurando-a pela cintura e puxando-a contra si.
— Você não tem ideia do que está pedindo — ele sussurrou contra seu ouvido, a voz um convite e uma ameaça ao mesmo tempo.
Olívia fechou os olhos, sentindo o calor dele contra seu corpo. A tensão s****l era tão densa que poderia ser cortada com uma lâmina.
Ela abriu os olhos e encontrou os dele, escuros, intensos. Um desafio silencioso.
— Então me mostre.
E foi tudo o que precisou.
Theo a beijou. Mas não foi um beijo suave ou hesitante. Foi um beijo de posse, de alguém que não tinha intenção de voltar atrás.
As mãos dele deslizaram pelas costas dela, puxando-a ainda mais para perto. Os lábios exigentes, a língua provocadora, o corpo pressionando o dela contra a parede fria da sala.
Olívia se entregou ao momento, ao desejo, ao perigo que ele representava.
E soube, naquele instante, que não havia mais volta.