Capitulo 1: A Primeira Vez Que o Vi

1596 Words
Narrado por Alanna Vescari A entrada do prédio Ravelli International tinha mais mármore do que a casa da minha avó inteira. E aquele segurança parrudo na porta me olhou como se eu tivesse invadindo o Olimpo com meu salto vermelho e saia justa. A recepcionista, loira engomada, me analisou dos pés à cabeça antes de sorrir com simpatia forçada. — Entrevista para o departamento de marketing? — ela perguntou. Balancei a cabeça. — Estágio no setor de criação. — Mostrei o e-mail impresso, só por garantia. Vai que me expulsam antes mesmo de subir? Elevador. Trigésimo andar. Corredor branco demais. Silêncio demais. Gente séria demais. Foi quando vi ele. Encostado na parede, camisa dobrada nos antebraços fortes, calça preta moldando pernas que mereciam um troféu, e um olhar intenso, escuro, daqueles que te despem antes mesmo de dizer "oi". E que "oi" — Procurando alguma coisa? — ele perguntou com um sorriso torto que me fez perder meio neurônio. Tentei manter a compostura. — Sala 308. Primeira entrevista. Você trabalha aqui? Ele assentiu devagar, os olhos percorrendo meu corpo com um interesse que me arrepiou. — Às vezes. Depende da inspiração. Franzi o cenho. — É da criação? — Algo assim. Não sei explicar por quê, mas algo nele era... diferente. Não tinha o ar pedante dos engravatados que cruzavam o corredor. Tinha algo cru. Quente. Quase perigoso. Como um leão solto em uma sala cheia de cordeiros. E eu? Eu era curiosa demais pra correr. — Sou Alanna. — Estendi a mão. — Kael. — Ele apertou minha mão devagar. Forte. Quente. E por um instante longo demais, não soltou. Meu corpo respondeu antes que minha mente acompanhasse. Um calor subiu pelas minhas pernas. Merda. Soltei antes que ficasse óbvio. — Então, Kael da inspiração... espero não me ferrar nessa entrevista. — Tentei rir, mas minha voz saiu mais rouca que o normal. — Se depender de mim, você já passou. — Aquilo foi um sussurro. Baixo. Carregado. Engoli em seco. Ele me olhava como se já soubesse que um dia me teria nua em sua cama. E o pior? Eu não estava com vontade de dizer não. — Alanna Vescari? — chamou uma mulher do outro lado do corredor. Assenti, virando de volta para Kael. — Boa sorte — ele disse, com aquele maldito sorriso torto. Entrei na sala com as pernas bambas, sentindo a nuca suar. Me obriguei a focar. Queria aquele estágio mais do que queria um orgasmo decente — e olha que isso era dizer muito. Só no fim da entrevista, quando o diretor falou casualmente: — O senhor Ravelli costuma acompanhar os primeiros dias dos estagiários de perto. Eu sorri. — Que bom. Não vejo a hora de conhecer o chefão. Mal sabia eu... que eu já tinha conhecido. E que ele era o homem com o olhar que me despiu no corredor. Kael Ravelli. O CEO bilionário. Que eu achava ser só mais um funcionário. Mas, se era o chefão... por que diabos fingiu ser só "Kael"? Eu ainda não sabia. Mas logo, muito logo... eu ia descobrir. E quando descobrisse, talvez já fosse tarde demais. Porque uma parte de mim já tinha se rendido ao perigo. E Kael era a definição de tentação. A risada dela era baixa, como uma melodia proibida, e Kael teve que lutar contra o impulso de se inclinar mais perto, absorver aquele som com a boca, marcá-la com seus dentes, cravar nela sua presença. — E o que você faz aqui, além de consertar o que quebra? — ela perguntou, com os olhos cheios de faíscas. Havia algo nela que incendiava tudo ao redor — inclusive ele. — Faço o que mandam — ele respondeu com um sorriso enviesado, deixando o mistério no ar. O papel de funcionário era mais excitante do que imaginava, especialmente com uma mulher como ela diante de si. Alanna arqueou uma sobrancelha, claramente não convencida. Ela era esperta. Perigosa. Desejável demais. — Hum. Você não tem cara de quem obedece ordens — ela provocou, cruzando os braços, o movimento empinando os s***s sob o tecido justo do vestido preto. Kael prendeu a respiração por um segundo. Aquele corpo não havia sido feito para caber em regras. Muito menos em protocolos corporativos. — E você não tem cara de quem acredita no que vê — ele devolveu, ainda sorrindo, sentindo o calor se instalar entre eles. Ela deu uma risadinha e balançou a cabeça. — Toque de mestre, senhor...? — Kael. — Ele estendeu a mão como se a formalidade não fosse nada mais do que um jogo. Um que ele estava disposto a jogar até o fim. — Kael, o cara do TI sexy. Interessante — ela murmurou, pegando a mão dele. A pele dela era quente, macia, e o toque breve pareceu prolongar-se por horas. Alanna olhou ao redor como se avaliasse o ambiente e, em seguida, aproximou-se dele com naturalidade provocante. — Preciso de um favor — ela sussurrou, a voz rouca roçando os nervos de Kael como uma carícia. — Consegue fazer meu computador travar de novo amanhã? Adorei a visita. Kael riu, deixando que a tensão se dissipar um pouco. Mas por dentro, ele estava em combustão. — Só se você me prometer estar usando esse mesmo vestido. Ou um mais curto. Ela mordeu o lábio, mas não respondeu. Apenas virou-se com o som de seus saltos ecoando como uma promessa em seus ouvidos. Kael ficou parado, observando enquanto ela se afastava, e percebeu que estava completamente ferrado. Não era só a beleza dela — embora aquilo fosse o suficiente para deixar qualquer homem de joelhos. Era o conjunto: o olhar afiado, a boca atrevida, o jeito de quem conhece o poder que tem e o usa como uma arma. Alanna não fazia ideia de quem ele era. E, por ora, ele preferia assim. Kael tinha tudo sob controle — ou achava que tinha. Mas aquele primeiro encontro tinha mudado algo. Ela havia entrado no radar dele como um míssil sem aviso prévio. E se havia uma regra que ele havia aprendido a quebrar com maestria, era: nunca subestime a mulher que te deixa sem ar. O jogo tinha começado. E ele m*l podia esperar para ver até onde estavam dispostos a ir. Naquela noite, Kael não conseguiu dormir. As palavras, os olhares, os sorrisos maliciosos de Alanna estavam impregnados em sua pele como um perfume proibido. O rosto dela invadia seus pensamentos com uma clareza perturbadora, como se tivesse sido moldado para provocação até nos sonhos. Sentado na varanda de sua cobertura, ele segurava um copo de uísque com os dedos firmes, observando a cidade lá embaixo. A máscara de funcionário comum havia sido colocada com perfeição, mas ele sabia que estava brincando com fogo. Alanna não era o tipo de mulher que você apenas desejava. Ela era o tipo que você quer possuir... até que ela se torne sua fraqueza. E Kael não tinha fraquezas. Ou pensava que não tinha. Ele lembrou-se de cada detalhe — o modo como ela arrumava o cabelo atrás da orelha, o sorriso que começava com os olhos e terminava nos lábios, o perfume doce com um fundo de especiarias que ficou impregnado em sua camisa. Tudo nela era tentação. Pura e crua. Mas havia algo mais. Algo que o desarmava de forma sutil: o fato de ela não saber quem ele era. Alanna havia falado com ele como se ele fosse apenas mais um. Sem bajulação, sem interesse calculado. Apenas uma mulher sendo deliciosamente provocante com um homem que despertava seu interesse. E Kael não recebia isso há anos. Ele sorriu ao lembrar do pedido dela para que ele fizesse o computador travar de novo. Aquela mulher era um veneno doce, e ele estava pronto para saborear. No dia seguinte, o plano estava montado. Kael desceu até o setor de criação da empresa — onde Alanna trabalhava — antes do expediente. Reprogramou o sistema do computador dela para uma reinicialização forçada no final do dia. Nada sério. Só o suficiente para garantir outra visita. Quando Alanna chegou, mais tarde, com seu andar firme e o vestido verde colado às curvas, Kael precisou de toda a sua força de vontade para parecer casual. Ela passou por ele no corredor sem notar — e aquilo o atiçou ainda mais. Ele queria ser notado. Queria que ela o desejasse antes de descobrir a verdade. — Oi, Kael — ela disse quando o viu mais tarde perto da sala de café, como se tivessem apenas se esbarrado por acaso. O tom era casual, mas o brilho nos olhos dizia outra coisa. Desejo velado. Curiosidade indomável. — Oi, Alanna. O computador já travou hoje? — ele perguntou, fingindo inocência. Ela sorriu, cruzando os braços. — Como você sabe? — Digamos que eu prevejo tragédias tecnológicas — respondeu, aproximando-se um pouco mais. Ela mordeu o lábio inferior, e o gesto mandou ondas de calor direto ao centro da virilidade de Kael. — Então acho que vou precisar de você de novo — ela sussurrou. Kael inclinou-se levemente, o rosto próximo ao dela. — Sempre que quiser. Alanna virou-se e saiu com um olhar por cima do ombro que gritou promessas silenciosas. Ele a seguiu com os olhos, sabendo que havia muito mais naquela mulher do que beleza e ousadia. Havia fogo. E ele pretendia alimentá-lo até que ambos queimassem. O primeiro encontro tinha sido um acidente. O segundo, planejado. Mas o que viria a seguir… seria pura combustão. E Kael, o bilionário mascarado de funcionário, não tinha a menor intenção de recuar.
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