CAPÍTULO 2

1512 Words
Três anos antes — Daniela, você é burra? Thomas grita comigo após eu ter derramado uma sopa na sua blusa. — Desculpe, amor. Me perdoa. Ele se levanta da mesa e tira a camisa, jogando a mesma na minha cara. — Lava ela, sua i****a. Ele fala e sai da mesa. Fico olhando para porta, onde o mesmo passa. Eu sinto muito. Eu sou uma tonta mesmo. Olho para a camisa em minhas mãos, e vou para lavanderia. Ele tem estado nervoso e eu não sei por quê. Ele podia partilhar comigo, mas não. Ele prefere ficar na dele e eu respeito o seu espaço. Mesmo porque, eu não gosto de me meter, porque sei que ele não gosta. Depois de lavar a camisa, vou para cozinha e lavo as vasilhas. Deixo tudo arrumado. — O que você fez com ele? Meu sogro questiona chegando na cozinha. — Entornei sopa nele, sem querer. Digo baixo. — Cuidado. Ele não está nos seus melhores momentos. — O Sr. sabe o que houve? Indaguei — Não é da sua conta. Me encolho no lugar que eu estava e não digo nada. Vou para rua. Quer algo para fazer o jantar? — Não. Já tem tudo aqui. Digo limpando a pia. — Ok. Ele saiu sem falar mais nada. Eu tenho que aprender a ficar calada. Me casei com Thomas tem três meses, e a nossa relação só não é melhor, por minha causa. Ele sempre joga na minha cara que eu nunca faço o que ele quer, nunca faço como ele quer. E eu o entendo, já que ele é mais experiente do que eu. Ele tem 25 anos e sabe mais do que eu da vida. Sou muito grata ao meu marido, porque ele me acolheu. Me deu carinho e uma casa. Não tinha nada disso e também não esperava nada da vida. Os meus pais nem sei quem são. Não fui adotada enquanto estava no orfanato. E quando eu fugir de lá, fiquei vagando pela rua. Ficava em frente a uma escola de balé vendo as meninas dançarem. E eu gostava. Queria muito entrar lá e aprender. Porém, a minha realidade é outra. Passei o resto do dia arrumando a casa. Eu não estudava e não tinha qualificação para nada. E eu nem reclamava, porque eu tinha tudo com Thomas. Ele me amava e me dava de tudo. Eu não precisava me preocupar com nada, pois, ele escolhia o que vestia, calçava e comia. Eu só estava aqui por ele e para ele. A noite estava fazendo jantar quando o meu sogro chegou. — Ainda não está pronto? Ele indaga se aproximando de me mim. — Está quase. Thomas já chegou? Indaguei pegando o suco na geladeira e colocando em cima da mesa. — Ele vai trabalhar até mais tarde, então, será só nós dois. Suspiro, porque ele deve está com problemas no trabalho e eu aqui o aborrecendo. Não digo nada. — Pode se sentar. Já coloco na mesa. Digo pegando as panelas do fogão e colocando na mesa. Ele se senta me olhando e as vezes eu me sinto incomodada. — Meu filho disse que vai precisar viajar, e então você ficará comigo. Eu não gosto disso. Ele as vezes fala coisas como se eu fosse dele. — Ele vai demorar? Indaguei com receio de ficar somente o pai dele e eu. — Não sei. Você sabe como ele é. Não gosta de falar das coisas que o envolve. Fico olhando para meu prato. Thomas trabalhava para uma empresa conceituada de New York. Ele ganhava muito bem, pelo menos eu achava, porque ele nunca deixou transparecer outra coisa, e nunca me deixou faltar nada. Quando eu pedia alguma coisa, ele me dava sem problema. Claro, tinha que está dentro dos critérios deles, pai e filho. Eu não podia me vestir com roupas que marcassem o meu corpo. Não podia usar brincos e nem sapatos de saltos e muito menos maquiagem, a menos que fosse para ficar dentro de casa. Portanto, eu andava dentro dos parâmetros deles. Se isso me incomodava? Às vezes me pegava pensando se isso era o certo para minha vida. Sempre via as garotas das televisões com maquiagens, batons, saltos e Roupas descoladas, e achava que aquilo iria combinar comigo, mas, eu tenho uma pessoa que não gosta desse tipo de roupas e coisas, e assim eu aprendi a viver. — Sua comida está uma delícia! Wilson me tira dos meus pensamentos. — Obrigado! Ele sorrir para mim de uma forma estranha e eu volto meu olhar para o meu prato. Acabo de comer e me retiro da mesa. — Eu ainda não acabei de comer, Daniella. Ele diz severo. Franzo a testa. O mesmo tratamento que você tem com o meu filho, serve para mim. Você não levanta da mesa antes que eu me levante, portanto, sente-se e continue me fazendo companhia. — Desculpe. Falo com um misto de raiva e tristeza dentro de mim. Eu me sentia assim toda vez que era imposto algo para mim. Algo que eu não concordava, mas eu acabava aceitando para não ter problemas com Thomas. Ele fica comento com uma calma que me dar ainda mais raiva de ficar sentada aqui olhando esse momento dele. Eu não queria ficar aqui. Eu queria já está arrumando essa cozinha para ir tomar um banho antes de Thomas chegar. Porém, assim que eu cesso os meus pensamentos, Thomas chega com uma cara que não me agrada. Será que ele continua chateado comigo? Bufo. — Coloque a minha comida, Daniella. Thomas diz, e eu me levanto e pego meu prato e volto para mesa. Eu não digo nada. Não quero perguntar como foi seu dia, para não ter uma resposta desgostosa. — Resolveu o que tinha para resolver? Wilson questiona ao filho. Coloco a comida dele e coloco em cima da mesa. — Está faltando algo aqui, não? Meu marido questiona olhando com raiva para mim. Olho para seu prato e esquece dos talheres. — Desculpa, amor. Me levanto e pego. — Quanto a sua pergunta, pai. Ainda não. Mas, vou conseguir resolver. — Claro que vai. Wilson diz e eu fico ali perdida no meio desses dois. — O que você fez agora de tarde? Thomas indaga para mim. — Nada. Somente dei faxina nos quartos lá de cima e na biblioteca. Depois vim fazer o jantar. — Filho, o advogado já começou com a tramitação de tutela. Meu sogro diz e eu não entende. Eu não tenho muito estudo, não entendo nada de leis, mas entendo o que a palavra tutela significa. Thomas olha para mim. — Estamos formalizando um documento onde o meu pai e eu somos seus tutores. Franzo a testa. — Por que isso? Daqui a pouco eu faço 18 anos e não tem necessidade disso, até mesmo porque eu sou emancipada. — Mas meu pai e eu concordamos que você precisa de proteção. — Eu estou correndo algum risco ou perigo? Eles começam a rir e eu não entendo. — Quando dizemos que é para sua proteção, é porque caso algo aconteça comigo ou com o meu pai você está assegurada. Não entende, mas eu vou concordar para não criar um atrito entre nós. Eu acredito que realmente Thomas esteja fazendo isso para meu bem. — Você sempre estará bem com a gente, independentemente de qualquer coisa. Até mesmo se acontecer algo com o meu filho, eu nunca vou te desamparar. Nada vai te faltar. Wilson fala com gosto na voz. Não digo nada. Eu, na verdade, entreguei a minha vida a Thomas. Acredito que ele saiba realmente o que é melhor para mim. — Quanto tempo isso vai demora, pai? — Não sei. O advogado não me disse. Só disse que já entrou em tramitação e será feito uma audiência. — E nessa audiência ela participa? Thomas indaga como se eu não estivesse aqui. — Ela não participará se ainda for menor de 18 anos, porque, por mais que tenha a emancipação, nós dois respondemos por ela. — Tomará que ele consiga isso mais rápido possível. — Você fala como se fosse morrer. Digo para Thomas. — Você não vai se livrar de mim tão fácil e nem tão cedo. Ele fala com certa arrogância. — Não quis dizer isso. Eu sou estou... — Não quero saber, Daniella. E acredito que você já falou demais. Os meus olhos enchem de lágrimas. — Desculpe. Falo olhando para baixo. — Pai, vamos comigo até o escritório. Preciso conversar algumas coisas com o Sr. — Vamos. Eles se levantam como se não tivessem ninguém a mesa. Fico olhando-os saindo e isso me deixa mais triste. Me levanto para arrumar a cozinha. Após arrumar tudo na cozinha eu subo para meu quarto. Me encaminho direto para o banheiro e tiro minhas roupas. Tem dia que eu só quero me trancar nesse quarto e não sai. Mas, em contrapartida, Thomas as vezes me trata bem. As vezes ele é carinhoso, e então eu me pego fazendo as coisas para o agradar.
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