CAPÍTULO 4

2087 Words
Eu estava com um sentimento de liberdade por dentro. Daria meu melhor no palco para que o Senhor Markos agradasse e eu pudesse ter enfim um trabalho. Eu já estava de volta. Estava trancada no banheiro, me olhando, olhando todo meu corpo. Eu nunca me vi assim. Nunca me permitir olhar meu corpo inteiro. E por mais que eu não queira admitir, eu tinha um corpo bonito. Me olho novamente no espelho e suspiro. Essa é a hora. Eu tenho que incorporar a dançarina. Saio com um top marcando bastante meus s***s. O short também está marcando meu bumbum. Eu aproveitei e comprei uns quatro conjuntos desses. Eu não penso se ele vai ou não gostar. Penso que eu tenho que dar o meu melhor para ficar. — Achei que tinha desistido. O senhor Markos está irritado. Sua voz não demonstra nenhum um tipo de empatia. Fico com vergonha de andar assim perto dele e de Tales. Eu nunca me vi vestida desse jeito na frente de ninguém, nem mesmo de Thomas. Fico parada sem jeito. Eu não tenho o dia todo. Ele fala mais irritado. Suspiro. Essa é a hora. Eu não posso fraquejar. Minha liberdade está em jogo. Vou para o palco ainda tímida. — Podem colocar alguma música? Indaguei. Preciso me soltar e nada melhor que ouvindo uma música. Vejo Markos fazendo sinal para Tales colocar. Espero a música começar. Estou realmente travada. Suspiro forte A música começa e eu começo a dançar. Começo a me movimentar devagar. Vejo os olhos dos dois homens no recinto para mim. Fecho meus olhos, e esqueço que ambos estão ali, e começo verdadeiramente a dançar. Meu corpo se solta e eu me deixo ser levada pela música. A batida, a letra. Tudo me faz me entregar completamente a dança. Eu amo dançar, e eu me sinto muito, mais muito bem aqui nesse palco. Eu danço dando o melhor de mim, e me sinto um passarinho livre. Esse passarinho pode voar, buscar novos horizontes, pode pousar onde quiser. E eu quero isso. Eu quero poder decidir a minha vida, poder ter a liberdade desse passarinho. Eu danço e me esqueço do mundo lá fora. Esqueço de tudo que está acontecendo na minha vida. Me perdi tanto na música e na dança, que acabei não percebendo que a música havia acabado. Eu paro sem jeito. Ouço palmas e olho sem graça para o senhor Markos. — Acredito que sua timidez te atrapalhe um pouco, mas você dança bem. Fico feliz de ouvir isso. — Isso quer dizer que, estou contratada? — Sim. Você está contratada. Eu não cabia de felicidade. Era o primeiro passo de muitos que ainda daria para obter o que eu queria. — Obrigada! Agradeço, porque depois de tanto andar pra lá e pra cá, eu tinha um emprego. E não me importar se é em um bordel. Tudo que eu quero, a partir de hoje, eu terei. O Senhor fará meu contrato de trabalho? Ele me olha. — Vamos com calma. Deixa você passa na experiência primeiro. Franzo a testa. — Passar na experiencia? Achei que estava tudo certo. Estou sem entender. — Você passou no teste, mas na experiência ainda não. — Como assim? Quanto tempo vai durar essa experiência? Eu estou nervosa. Eu não quero passar mais temo dentro da casa de Wilson. Me sinto sufocada, me sinto presa. Isso não pode mais ser adiado. — Se acalme. Pare de ser histérica. Você não pode chegar aqui e achar que as coisas são fáceis. Você acha que eu sou dono desse lugar porque caiu nas minhas mãos? Ele grita. Não, sua garota mimada. Então se você quiser ainda o emprego, você terá que esperar para ter esse contrato de trabalho. Ele sai me deixando triste e ao mesmo tempo com raiva, por ele me chamar de garota mimada. Eu teria que esperar ele me dar esse contrato para poder marcar uma audiência. Suspiro. Vou para o banheiro e coloco minhas roupas normais. Amarro meus cabelos em um coque e volto para o salão. Vou até o bar. — Você quer minha ajuda? Questiono a Tales. — Já são quase seis da tarde. Você poderia me ajudar a arrumar as mesas. Ele fala e eu assinto. Vou caminhando para o salão e arrumando as mesas. Desço todas a cadeiras e coloco em seus lugares. Organizo também as almofadas nos sofás. Volto para o bar e questiono a Tales o que mais ele quer que eu faça. Ele me diz que por enquanto era só isso. — Qual seu nome? Tales questiona — Daniella Clarke. — Prazer, Daniella! Ele acena a cabeça. — Prazer. Me sento nos bancos que tem em frente ao balcão. — Você não vai se arrumar? Tales indaga. — Eu não demoro nem vinte minutos para me arrumar. Ele franze a testa. — Que mulher é você que não demora para se arrumar? Apesar de olhar para seu rosto, e ver que ele nunca viu uma maquiagem. — Eu não sei me maquiar? Falo sem jeito. Ele me olha com pena. — Vou pedir uma das meninas para te ajudar com isso. — Não precisa. Ele eleva suas sobrancelhas. — Precisa sim. Você não pode dançar apagada desse jeito. Ele pega seu celular. Vejo ele teclando algo. — Eu te agradeço. Mas realmente não precisa. — Tarde demais. Ele fala apontando para uma loira linda. Ela estava vestida somente com um hobby. Sua maquiagem é maravilhosa. Seus cabelos bem feitos lhe dava uma aparência mais linda ainda. Daniella, essa é Coby, uma das meninas que trabalha aqui. — Prazer. Digo e ela me estende a mão. — Prazer. Ela responde com um sorriso. Essa é a nova contratada para gente? — Sim e não. Ela é nova contratada, porém, não igual a vocês. Ela é uma dançarina. — Até que fim Markos resolveu contratar uma dançarina de verdade. Sempre disse para ele isso. Esse salão fica sem graça quando subimos para os quartos. A loira diz. — Ele te ouviu. Tales debocha. — Seu debochado. Mas me diz, o que você precisa. — Daniella precisa aprender a se maquiar. Ela não sabe e nunca se maquiou. Você pode ajudá-la? — Claro. Vamos, ainda temos um tempinho. Ela fala me puxando. Subimos um lance de escada e seguimos pelo corredor. Entramos em um quarto. Esse é meu quarto. Pode vim aqui quando quiser. Claro, na parte da tarde e manhã. — Você trabalha nisso a muito tempo? Indaguei olhando todo quarto. — Não é tão r**m. Ela diz e puxa a cadeira da sua penteadeira para me sentar. Eu tenho uma filha para criar. Me surpreendo com isso. Eu não arrumava nada depois que o i****a do pai dela me abandonou. Então conheci Markos. Ele me disse que estava procurando garotas para trabalhar para ele como garotas de programas. — Ele é o c*****o. Afirmo — Não o chame assim perto dele. O mesmo não gosta. — Ele parece muito jovem para se ter um lugar desses. — E é. Ele tem vinte noves anos de idade. Mas a vida também não foi boa para ele, por isso ele criou esse lugar. Fico intrigada com que ela fala. — Você o conhece a muito tempo? Ela começa a passar algo em meu rosto. — Uns dois anos. Foi quando ele me chamou para trabalhar com e para ele. Fecha os olhos. Ela pede e eu faço. Me conte sobre você. — Não tenho muito o que contar. Acredito que todos nós aqui temos uma história de vida triste. — Entende. Não vamos falar da sua tristeza. — Mas e sua filha? Quantos anos ela tem? Indaguei e abro um olho e vejo o brilho em seus olhos. — April tem 3 anos. É meu amor. Amo mais que tudo e faço tudo por ela. Sinto a emoção na voz dela. Ela continua passando algo em meu rosto. — Fico feliz por você. Espero que algum dia possa conhecê-la. — Você vai. Não se preocupe. Olha no espelho. Olho e vejo outra pessoa. — Coby... O que é isso? Tão diferente... Tão... — Estranho? — Um estranho bom! Me sinto outra pessoa. Sempre vi em revistas e televisões as mulheres todas maquiadas e achava linda — Gostou? — Sim, eu amei. Muito obrigada! — Não precisa agradecer. Agora esse cabelo, não vamos ter tempo de arrumar. Se amanhã você quiser que arrumemos ele, eu ajudo com prazer. Ela é um amor! — Obrigada, Coby! Depois você poderia me ensinar a fazer para eu fazer sozinha. — Claro. Agora não dá tempo mais. Temos que descer e acredito que você tenha que se arrumar para dançar. Olho no meu relógio de pulso e já são quase dezenove horas. — Nossa, as horas voaram. Muito obrigada, mais uma vez. Digo me levantando. — Não precisa agradecer. Como disse, quando quiser, eu te ajudo. Sorrio. — Deixa eu descer e me arrumar. Saio do quarto dela e sigo o corredor por onde viemos. Desço e já encontro o salão iluminado. Vou para o balcão onde está me bolsa e pego. Me encaminho para o banheiro. Volto já vestida. — Posso deixar minha bolsa aqui? Pedi a Tales que me olhou estranho. O que foi? — Você já é linda, porém está mais linda ainda. Ele me deixa sem graça. — Obrigada! Agradeço sem graça. Vejo as meninas todas a posto e resolvo ir para meu palco. — Pode deixar sua bolsa aqui. Eu vou guardar. Tales fala e eu passo para ele. Vou até meu posto e comprimento algumas meninas. Me apresento e algumas não me dão confiança, outras junto com Coby me dão boas-vindas. Subo no palco e a música começa. Começo a dançar mesmo não tendo ninguém, porém, não demorou muito para o ambiente está cheio. Os homens começam a chegar. Uns vão para o bar, outros sentam nos sofás e alguns vão já direto para algumas meninas. Fico dançando e vendo alguns homens se aproximando do meu palco. — Essa não está disponível. O Senhor Markos aparece não sei de onde. — Que isso, Markos? Porque essa não está disponível? Ela é tão linda e bem gostosa. Um dos homens fala bebendo algo. — Ela não é uma garota de programa. É somente uma dançarina. Markos responde. — Que desperdício! Mas acredito que isso vá mudar com o tempo. E quando mudar eu já estou na fila. Sonhar não paga. Penso comigo. — Vamos ver. Porém, podem procurar uma das outras meninas. — Fazer o que, né. Vamos até as outras. Eles se vão e sinto os olhos de Markos sobre mim. Continuo dançando e ele me dá uma última olhada e sai no escuro do salão. Ainda bem que ele tirou esses homens de perto de mim. Espero não ter problemas com nenhum cliente, pois eu daria na cara deles, se alguém aqui me faltasse ao respeito. Fico até duas da manhã dançando. Meus pés estão doendo. Estou cansada e com sono. Eu tenho que me acostumar com essa minha nova rotina. Tiro as roupas de dança e visto as minhas. Me olho no espelho e essa maquiagem não combina em nada com essas roupas. Eu me sinto bem com a maquiagem, mas eu não me sinto bem com essas roupas. Meu primeiro salário eu mudarei o meu guarda – roupa todo. — Tales, você pode pedir um taxi para mim? Pedi me sentando. — Você mora onde? Posso te levar. — Não precisa. Eu moro longe. Muito longe. Prefiro que você chame um taxi. Claro, se não for te incomodar. — Tudo bem! Eu vou chamar. Ele pega seu celular, vejo ele digitar alguma coisa. Abaixo a cabeça no balcão. Estou realmente cansada. Preciso de uma boa noite de sono. Se duvidar durmo o dia todo amanhã. Quinze minutos estará aqui. — Obrigada! Preciso da minha cama. Digo com sono. — Hoje é seu primeiro dia. Você se acostuma com o tempo. — Espero que sim. Respondo não olhando para ele. Estava com a cabeça baixa e continuava assim. Espero chegar em casa e Wilson esteja dormindo, porque eu não estou com ânimo nenhum para dizer onde eu estava. Na verdade, não iria dizer para ele que estava trabalhando. Eu queria pegá-lo de surpresa com a audiência. Assim como ele sempre tem um sorriso no rosto por se considerar vitorioso, eu também quero ter esse sorriso na hora que ver a cara dele ao saber que já tenho como me sustentar.
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