Narração de Muralha. A madrugada tava densa, carregada de silêncio. No morro, silêncio nunca é um bom sinal. Eu reuni os caras na laje da boca. Gaspar tava do meu lado, sempre na função, e o resto do bonde aguardava minhas ordens. Eles sabiam que, se eu tava chamando, o negócio era sério. — A Fênix ultrapassou todos os limites — comecei, encarando cada um deles. — Vieram atrás do nosso território, mas pior que isso, mexeram com a minha mulher. Um burburinho correu entre os caras. Mexer com a Isabel era um recado direto pra mim, e todo mundo sabia que isso significava guerra. — Eu quero todo mundo armado e atento. Não quero mais ninguém mole nesse morro. Quem vacilar, eu mesmo dou um jeito. Entendido? — Sim, patrão! — a resposta foi unânime. Gaspar deu um passo à frente, colocando um

