o Ataque

709 Words
Capítulo 4: Sombra na Noite (Narração de Isabel) O dia tinha sido exaustivo. O posto estava mais cheio do que nunca, com feridos, mães aflitas, crianças chorando. Já estava escuro quando terminei meu último atendimento, e, mesmo com o cansaço, decidi ir para casa a pé. O trajeto não era longo, mas o morro parecia um lugar diferente à noite. As vielas estavam silenciosas, exceto por alguns passos apressados aqui e ali. Eu me sentia vulnerável, mas tentei ignorar. Não queria pedir ajuda a ninguém, muito menos a Muralha. Ele já parecia estar me observando de perto demais ultimamente, e a última coisa que eu queria era dar a impressão de que precisava dele. Mas, no fundo, eu sabia que aquele lugar era perigoso. --- O Ataque Eu estava a poucos metros de casa quando senti alguém me seguindo. Meus passos aceleraram, e o coração começou a bater mais rápido. Não queria olhar para trás, mas quando virei uma esquina, um homem surgiu do nada, bloqueando meu caminho. — Ei, doutora, tá perdida? — disse ele, com um sorriso que me gelou o sangue. Tentei manter a calma, mas o pânico tomou conta quando ele me segurou pelo braço, puxando-me para perto. A força dele era assustadora, e eu sabia que, por mais que tentasse lutar, não conseguiria me soltar. — Não precisa ter medo. Só quero te conhecer melhor, sabe? — continuou ele, enquanto eu tentava me soltar. Gritei, mas ele tapou minha boca com a outra mão. Meu coração batia descontrolado, e eu comecei a pensar que ninguém viria. Foi então que ouvi passos pesados e uma voz grave ecoou pela viela. — Solta ela. Agora. Era Muralha. --- O Resgate O homem congelou ao ouvir a voz, e quando se virou, viu Muralha parado ali, com a expressão mais fria que eu já tinha visto. Ele não estava sozinho; dois de seus homens estavam logo atrás, armados. — Eu falei pra soltar — repetiu Muralha, mais baixo, mas muito mais ameaçador. O homem obedeceu imediatamente, soltando meu braço e levantando as mãos. Eu cambaleei para trás, ainda em choque, mas senti a mão firme de Muralha me segurando antes que eu caísse. — Leva ele pra salinha — ordenou ele aos seus homens. Eu não sabia o que era "a salinha", mas pelo olhar de terror no rosto do homem, era óbvio que ele sabia. Em segundos, ele foi arrastado para longe, enquanto Muralha se virou para mim. — Tá machucada? — perguntou ele, a voz mais suave agora. Eu m*l conseguia falar, ainda tremendo. Apenas balancei a cabeça, tentando segurar as lágrimas. — Vem. Você não vai ficar sozinha hoje. Antes que eu pudesse protestar, ele passou o braço ao meu redor e começou a me guiar. --- A Casa de Muralha A casa dele era grande e bem organizada, algo que eu não esperava. Ele me colocou para sentar no sofá e foi buscar algo na cozinha. Quando voltou, tinha um copo d’água e uma toalha molhada nas mãos. — Bebe isso — disse, enquanto se ajoelhava à minha frente para limpar os arranhões no meu braço. Eu nunca tinha visto esse lado dele antes. A brutalidade estava lá, mas era como se ele estivesse tentando segurá-la por minha causa. — Eu tô bem... — murmurei, tentando parecer mais forte do que me sentia. Ele balançou a cabeça. — Não, não tá. Foi então que desabei. As lágrimas vieram sem controle, e eu chorei como não fazia há anos. Muralha não disse nada, só ficou ali, sentado ao meu lado, me deixando desabafar. Depois de um tempo, ele quebrou o silêncio. — No meu morro, ninguém toca em você. Entendeu? Eu olhei para ele, vendo uma sinceridade que não esperava. Ele realmente acreditava nisso. — Obrigada... — consegui dizer, ainda soluçando. Muralha me ajudou a me deitar em um dos quartos da casa. Antes de sair, olhou para mim com uma expressão indecifrável. — Descansa. Aqui, você tá segura. Reflexão Noturna Deitada naquela cama, ainda sentindo o calor da adrenalina e o peso do medo, percebi algo que me assustava ainda mais. Por mais que eu soubesse que Muralha era perigoso, eu confiava nele. E isso podia ser o maior erro da minha vida.
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