Getulio Não deveria ter voltado ao arquivo. Eu sei disso no instante em que a chave gira na fechadura antiga, produzindo um som alto demais para um lugar que vive de silêncio. O corredor dos fundos da catedral está vazio, mas ainda assim sinto como se alguém me observasse. Paranoia. Ou consciência. Entro e fecho a porta atrás de mim, acendendo apenas a luminária da mesa. As estantes de madeira se erguem como guardiãs de papéis que jamais deveriam ser perturbados outra vez. Registros antigos. Doações. Testamentos. Meu erro começa aqui: a pressa. Puxo uma pasta específica — sei exatamente onde está, porque fui eu quem a colocou ali anos atrás. Meus dedos tremem ao folhear os documentos, não por dúvida, mas por urgência. Preciso saber o que ainda existe. O que pode ter escapado.

