Elisa A primeira coisa que aprendo quando decido me retirar é que ninguém percebe de imediato. Não há anúncio. Não há ausência gritante. O mundo não para para registrar que eu não estou mais ocupando os mesmos lugares. A rotina segue, indiferente, e isso deveria me tranquilizar — mas não tranquiliza. Porque a retirada não é sobre desaparecer. É sobre deixar de sustentar algo que me consumia. Começo com o óbvio: paro de organizar meus dias em torno de horários que não me pertencem mais. Não consulto agendas alheias. Não espero confirmações. Não ajusto compromissos para caber em estruturas que já decidiram que eu sou dispensável. É um gesto simples. Mas estranhamente difícil. Durante anos, minha presença foi naturalizada. Eu aparecia, ajudava, escutava, permanecia. Não como obrigação —

