Ele escolheu ignorar.
E, a partir desse momento… deixou de ser um problema.
Passou a ser uma decisão.
— Começou — Ruan disse, olhando a tela.
Eu observei em silêncio.
Números caindo.
Contratos sendo encerrados.
Parcerias desfeitas… uma após a outra.
Nada de explosões.
Nada de escândalo imediato.
Só… colapso.
Organizado.
Preciso.
Irreversível.
— Ele tá perdendo apoio — murmurei.
— Não — Ruan corrigiu, com calma.
— Tá sendo retirado.
Diferença sutil.
Mas importante.
Porque nada ali era sorte.
Era planejamento.
Douglas acordou naquela manhã com o telefone tocando sem parar.
Mensagens.
Ligações.
E-mails.
Tudo ao mesmo tempo.
— O quê? — ele atendeu irritado.
Do outro lado, desespero.
— A parceria caiu.
— Como assim caiu?
— Eles desistiram. Sem explicação.
Silêncio.
Outro telefone tocando.
E outro.
E outro.
Em menos de duas horas…
o mundo dele começou a desmoronar.
Contas bloqueadas.
Reuniões canceladas.
Investidores recuando.
Pessoas sumindo.
Como se, de repente…
ninguém mais quisesse estar ligado a ele.
— Ele tá tentando reagir — comentei.
Ruan soltou um leve riso.
— Deixa.
Na tela, Douglas aparecia andando de um lado pro outro no escritório, furioso, perdido… tentando entender o que estava acontecendo.
Mas não havia resposta.
Porque não era um problema que ele pudesse resolver.
Era algo maior.
Mais profundo.
Mais inevitável.
— Quem tá fazendo isso comigo?! — ele gritou, jogando o celular na mesa.
Ninguém respondeu.
Porque ninguém sabia.
E quem sabia…
não precisava falar.
Dias passaram.
E, com eles…
o nome Douglas Ferraz começou a desaparecer.
Lentamente.
Primeiro dos negócios.
Depois dos contatos.
Depois… das conversas.
Como se nunca tivesse sido tão grande quanto pensava.
Como se nunca tivesse sido intocável.
— E agora? — Ruan perguntou.
Observei a tela.
A última etapa.
— Agora ele entende.
A última visita foi silenciosa.
Sem anúncio.
Sem pressa.
Douglas já não era o mesmo.
Roupa amassada.
Olhos cansados.
Postura quebrada.
Ele abriu a porta… e travou.
Porque nós estávamos ali.
Como antes.
Mas, dessa vez…
não era um aviso.
Era o fim.
— Foi você… — ele murmurou, a voz falhando.
Ruan inclinou levemente a cabeça.
— Foi você — corrigiu.
Silêncio.
Pesado.
Irrefutável.
Douglas deu um passo para trás.
— O que vocês querem?
A resposta veio simples.
Fria.
— Nada.
Uma pausa.
— Já tiramos tudo que precisava.
Ele riu.
Desesperado.
— Isso não vai ficar assim—
— Já ficou — interrompi.
Os olhos dele tremiam agora.
Medo.
Finalmente.
— E eu?
Ruan deu um pequeno passo à frente.
O suficiente.
— Você some.
Silêncio.
— Ou…?
O olhar dele encontrou o nosso.
E entendeu.
Não era ameaça.
Não era blefe.
Era destino.
Naquela mesma noite…
Douglas Ferraz deixou a cidade.
Sem despedidas.
Sem explicações.
Sem rastro.
E, com o tempo…
até o nome dele deixou de ser lembrado.
Do outro lado da cidade…
Safira ria.
Dançava.
Vivia.
Sem saber…
que um capítulo da vida dela tinha sido apagado.
Antes mesmo de começar.
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Encostado na sombra do apartamento dela, observei em silêncio.
— Resolvido — Ruan disse.
Assenti.
Mas meus olhos ainda estavam nela.
Sempre nela.
— Agora ninguém atrapalha.
Uma pausa.
Lenta.
Carregada.
— Agora… a gente se aproxima.
Ruan sorriu.
E dessa vez…
não havia mais contenção.
Porque a maior ameaça…
já tinha desaparecido.
E Safira…
finalmente…
estava completamente nossa.