- Sabe mesmo...então me dê isso, por favor! - me ajoelho perante à Deus.
- Não posso...- ele me estende à mão.
- Por quê? - seguro a mão dele e ele me leva para uma janela enorme, nela consigo ver minha irmã dançando em meu quarto. - Marianne...- me aproximo da janela e começo à chorar.
- Já te contaram como funciona o nosso tempo? - ele me encara.
- Não...
- Um dia no paraíso é um ano no mundo dos humanos, você já está aqui há quase dois dias, logo será...
- Dois anos na Terra...então...eu.
- Sim, eles estão fortes superando sua morte. - ele coloca à mão em meu ombro. - Te mandar de volta para a mesma família, seria bom e r**m ao mesmo tempo, há vários anjos aqui, eles eram humanos no passado e tiveram que seguir em frente, então enviar você causaria uma rebelião. - ele suspira cansado.
- Como sabia meu nome e minha família? - olho fixamente para ele.
- Eu sou o seu Deus e também o homem que te desenhou e te enviou para a família Galaretto, eu sou o pai de bilhões de pessoas, conheço cada uma. - ele sorri.
- Deve ser difícil viver vendo alguns de seus filhos pecarem...
- Você é uma! - ele passa a mão na minha cabeça. - Evitava ir á igreja sempre que podia...
- Eu não acreditava nisso, na verdade cresci dançando...dormia pensando em qual espetáculo estaria amanhã...
- Eu sei...bom, só posso fazer uma coisa para você, apagar todas as lembranças da sua vida passada, ou reencarnar você, faço algum casal ter um filho...
- Não...se não posso voltar para minha verdadeira família, não quero nada...- olho para baixo e escuto a voz da minha mãe rapidamente.
- Sei di nuovo nella stanza di tua sorella? (Você está de volta no quarto da sua irmã?)
- Claro! Vou me tornar bailarina e ser um orgulho para Amy! - ela sorri.
- Acredito em você querida! Aposto que sua irmã acredita também! - ela abraça minha irmã. - Vamos seguir em frente, é isso que ela deseja...
- Mamãe...- toco o vidro da janela.
- Não fique pensando no passado, apenas viva minha filha, faça um futuro no qual não se arrependa. - ele sorri.
- Por quê...não me lembro de como morri? - pergunto limpando minhas lágrimas.
- Sua morte não foi planejada, se lembrará em breve.
- Entendo...o senhor deve ter mais problemas, me perdoe por invadir sua casa, estou me retirando. - me curvo novamente.
- Tome cuidado quando voltar para casa! Tenha uma boa tarde e não precisa usar mais a tipoia. - ele sorri colocando a mão em minha cabeça, com certeza ele havia me curado só de tocar em mim.
Saio para fora da sala e já encontro Mariel com ódio nos olhos, ela puxa meu braço em direção á saída e segura minha cintura voando comigo para cima.
- Você é realmente forte! - digo impressionada, porém ela não me responde nada.
*MINUTOS DEPOIS NO APARTAMENTO*
- O que você fez foi irresponsável! Não vou permitir que uma aluna minha faça isso novamente! - ela diz furiosa.
- Para você é fácil...aposto que nunca perdeu ninguém importante em sua família! É um anjo, é imortal! - respondo.
- Não somos imortais! - ela me encara. - Demônios conseguem m***r anjos que não treinam o suficiente! Não me conhece! Não sabe nem metade do quê passei...então não faça mais isso! Está de detenção, quatro dias sem treino! - ela sai batendo a porta com força.
- Nem queria treinar mesmo...- digo em voz baixa.
- Minha irmã está uma fera com você, né?! - Mael aparece saindo do banheiro.
- Como entrou aqui? - pergunto surpresa.
- Ganhei uma cópia da chave, pela minha irmã. - ele sorri se sentando no sofá. - Está sem a tipoia?
- Deus me curou. - digo.
- Até parece...ESPERA! É por isso que Mariel estava brava? INVADIU A CASA DO SENHOR?!
- Precisava falar com ele, então...
- Cara! Você é doidinha da cabeça! Por quê fez isso?
- Eu queria minha vida de volta...não consigo me adaptar com este lugar! - digo olhando a vista do prédio. - Maldito anjo que me deixou morrer...ele só tinha uma função e nem isso conseguiu cumprir! - digo batendo forte no vidro.
- Ele te falou sobre o anjo que não lhe salvou?
- Não, na verdade nem perguntei...la m***a è già fatta! ( a m***a já está feita!)
- Levou detenção, então ficará em casa esses dias, gostaria de passear? - ele pergunta sorrindo de leve.
- Você tem sido um belo cavalheiro por todo esse tempo, me pergunto o porquê...desde que cheguei, você e sua irmã me ajudaram, então não quero ser um estorvo. - digo cabisbaixa.
- Não é um estorvo! - ele sorri colocando a mão em meu ombro.
- Você é bastante sexy sabia?! - digo sorrindo.
- Assim do nada? - ele arregala os olhos surpreso.
- Claro! Vive de armadura, é um homem másculo, na Itália se nos víssemos juntos, diriam que somos um belo casal.
- Não entendi, está se candidatando à minha namorada? - ele se aproxima tentando me provocar.
- Não seja convencido! - digo séria. - Nunca namorei ninguém, embora existisse muitos pretendentes, sempre pensava no balé. - sorrio olhando para a janela.
- Mas agora você não é mais bailarina. - ele se aproxima olhando para mesma.
- Posso te perguntar uma coisa? - digo encarando ele.
- Sim.
- Por quê usa a máscara prata?
- Tenho uma cicatriz, um arranhado na verdade...não afetou meu olho, mas odeio ela. - ele diz rapidamente.
- Pensei que anjos fossem imortais, por quê não invadiu a casa do senhor e pediu para ele te curar? - pergunto curiosa.
- Mariel me mataria se fizesse isso...- ele sorri de leve. - A cicatriz não me atrapalha em nada, então...
- Foi um demônio, não foi?
- Sim...preciso ir para um lugar...já que não quer sair. - ele sorri indo embora.
Ele sempre foge...parece que esconde algo de mim, mas o que seria?