O Retorno

1510 Words
Eu havia convidado Mila e Becky para irem em minha casa para tomar um café conosco, minha amiga não pensou duas vezes e aceitou na hora, papai ficou muito feliz ao vê-la, pois ele sempre soube da nossa amizade e do quanto eu havia sentido saudade dela. Uns dois meses depois que eu fui adotada, pedi para meu pai me levar ao abrigo para visitar meus amigos, mas Mila já não estava, por um lado fiquei muito feliz quando soube que ela havia sido adotada, mas por outro, havia ficado triste por pensar que nunca mais a veria, ainda bem que esse mundo é pequeno e que conseguimos nos reencontrar. Mel, Guille e Becky não pararam de brincar um momento sequer, a filhinha de Mila havia se dado muito bem com a minha pitoca e o meu irmãozinho, legal como criança faz amizades tão rápido, diferente de nós adultos, ah, era tão legal ver os três brincando juntos. - E o que você faz da vida? - Me perguntou Mila. - Dou aula de espanhol para os anos finais e também sou professora do quarto ano. - Respondi. - E você? - Que legal, Kim! - Disse a garota soando bastante amigável. - Ah, eu sou veterinária, com a ajuda dos meus pais adotivos, eu consegui construir minha própria clínica. - Uau! Que demais! - Falei um pouco surpresa e impressionada. - Mais ou menos, pois muitas vezes chegam animais de rua que foram extremamente maltratados, aí eu cuido deles, e depois o que faço? Fico com eles. Ao todo, já temos 8 cachorros, 7 gatos e 3 galinhas, que eram de um sítio, mas o dono se mudou e as deixou, aí ficamos com elas. Jesus! Era muito bicho, eu sempre fui apaixonada pelos animais, eu adoraria ter pelo menos um bichinho, mas Lucas nunca gostou muito de animais, só que acho que eu não conseguiria ter a quantidade que a Mila tem, e galinha seria um bicho que eu jamais teria, pois uma vez eu dormi na casa de uma amiga do interior da cidade, e na casa ao lado tinha um rapaz que tinha duas galinhas, era 5, 6 da madrugada, eu tentando dormir e quem disse que eu conseguia? Aqueles bichos não paravam de cacarejar, e como estávamos em uma galera, umas 10 pessoas no total, ficamos conversando e fazendo alguns jogos até umas 3h, ou seja, quase não dormi nessa noite, a partir desse dia passei a não gostar mais de galinhas, pelo menos, não perto de mim, tipo, eu preferia manter uma distância de 100 metros delas. Mila jantou conosco e depois ela e Becky foram embora, mas prometemos que manteríamos contato, trocamos whats e f*******:, não queria mais perder a amizade dela. Ah, estava tão feliz de a ter encontrado depois de tantos anos. Mel e eu tomamos banho e depois nos arrumamos para dormir. Como na casa só tinha dois quartos (um do papai e da Sabrina e outro dos meninos), Mel e eu teríamos que dormir na sala, mas para mim isso não era problema, preferia mil vezes dormir em um chão do que ao lado de um homem que não me cuida, não me respeita e não me trata como sua mulher, as vezes era como se eu morasse com um estranho, como se eu não conhecesse meu próprio marido. Nós não éramos casados no papel, mas como morávamos juntos, éramos praticamente marido e mulher. - Kim, você e a Mel podem dormir no nosso quarto, o Guille e eu dormimos na sala. - Falou Joca. - Joca, nós já conversamos sobre isso, e o que eu te disse? Que eu só viria aqui novamente se eu não tirasse vocês do seu quarto, não é justo vocês dormirem na sala cada vez que a Mel e eu viermos pra cá. - Kim, eu faço questão, você é minha irmãzinha e a Mel minha sobrinha, fora que vocês são mulheres e merecem conforto. Então, não se fala mais no assunto, sempre que vocês vierem aqui, vocês dormirão no meu quarto. - Te amo, sabia? - Falei sem conter um leve sorriso. - Sabia. - Brincou o meu irmão. Dei um beijo no rosto dele, e depois Mel e eu fomos para o quarto dos garotos, no qual dormiríamos. Joca era um garoto muito sangue bom, meio mulherengo, como ele mesmo gostava de dizer ''ele só perdoa eu e a mãe dele'', uma vez ele me contou que já ficou até com algumas primas, sempre foi bem namorador, mas a minha maior surpresa foi quando ele estava com 18 anos e me contou que havia perdido a virgindade, fiquei tipo ''what?'', para mim, ele não era mais virgem há muito tempo, do jeito que ele sempre foi, pensei que ele havia perdido com uns 14 ou 15 anos no máximo, me surpreendi bastante quando ele fez essa revelação. Mas Joca fazia o estilo mulherengo fofo, ele não ficava com mais de uma garota ao mesmo tempo, e sempre tratava bem a menina que ele estava, dava até flores e chocolate, achava legal da parte dele. No quarto dos garotos tinha duas camas, uma do Joca e outra do Guille, mas Mel e eu resolvemos dormir juntas, pois fazia muito tempo que não fazíamos isso. - Tá gostando da nossa viagem? - Perguntei. - Tô amando, mamãe. Ah, Lucas havia me ligado algumas inúmeras vezes, mas resolvi não atender, queria descansar dele, apenas mandava mensagens dizendo ''agora não posso, depois te ligo'', e assim que Mel dormiu, resolvi ligar pra ele, pois conhecendo - o bem, se eu não ligasse, não duvidava nada que no dia seguinte ele não estivesse batendo na porta da casa do meu pai atrás de mim, ele seria bem capaz disso. - Como vocês estão, meu amor? - Perguntou Lucas docemente. - Estamos ótimas. - Respondi. - Que bom! Já estou morrendo de saudade. Lucas com saudade da gente? Até parece. Bom, da Mel era bem provável de que ele estivesse mesmo com saudade, mas de mim eu duvidava, a não ser que fosse saudade de me bater, aí até poderia ser. No dia seguinte, fomos todos a um parque aquático, Mila e Becky também foram com a gente, nos divertimos tanto, quanto tempo que eu não me divertia assim, pois Lucas não gostava desses passeios, ele dizia que era perda de tempo, que era só pra jogar dinheiro fora e tal, e quando saíamos era sempre para comer fora, nunca fazíamos nada de diferente. Ah, era tão bom ver a alegria estampada no rosto da minha filha, estávamos todos felizes, se divertindo. Andamos em vários tobogãs, eu andei nos de adulto com Joca, papai e Sabrina e também nos infantis com a Mel. Foi um dia e tanto, chegamos lá de manhã e saímos só quando o parque fechou, quisemos aproveitar ao máximo cada minuto. - Hoje foi o melhor dia da minha vida toda! - Falou Mel ao chegarmos em casa. - O meu também. - Disse Guille. Assim que entramos em casa, uma guerra se iniciou por conta do chuveiro, todo mundo queria tomar banho. Mel e eu tomamos banho juntas, como de costume, e depois Joca tomou com Guille, em seguida foi a vez da Sabrina e por último papai. Ah, meu pai… Como queria ficar pra sempre com ele, mesmo sabendo que isso não era possível. - E como estão as coisas entre você e o Lucas? - Questionou meu pai. - Estamos bem. - Menti. Não gostava de mentir e papai sempre me ensinou que não devemos contar mentiras, mas eu não podia falar a verdade, como eu diria ''ah, está tudo ótimo, tirando a parte que ele me agride constantemente''? Provavelmente, ele sairia correndo para m***r o Lucas. - Sinto falta de você aqui, baixinha. - Ele disse ao me abraçar. - Também sinto. - Falei ao retribuir o abraço. Queria poder ficar para sempre naquele abraço tão aconchegante. E de repente, quando eu menos percebi, havia chegado o dia de voltar pra casa, acho que Mel também queria ficar, mas infelizmente não podíamos, ela tinha escola, e eu tinha os meus trabalhos, fora que ainda tinha o Lucas. Papai e Joca nos levaram até o aeroporto, nos despedimos dele e fomos em direção onde estava o avião, não quisemos ir de carro, pois seria mais de 5h de viagem, e eu não gostava de ficar tanto tempo na estrada, ainda mais com a Melzinha junto. Mel e eu nos sentamos nas poltronas. Eu a abracei e ela deitou a cabeça em meu ombro. Ninguém disse nada. Acho que estávamos sentindo a mesma coisa. Tentei conter as lágrimas que queriam cair, pois não queria que a minha filha me visse chorando. Mel dormiu durante a viagem e eu só rezava o caminho todo para que Lucas mudasse, para que a gente chegasse lá e ele estivesse diferente, uma nova pessoa, eu sabia que isso não aconteceria, mas eu gostava de imaginar de que seria possível ele mudar, quem sabe um dia...
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