Aproveitou a falta de sono e foi andar um pouco pela casa que, para ela, já não era mais o seu lar há muitos anos. Algumas coisas mudaram, outras nem tanto. Os empregados eram os mesmos de quando ainda era criança. Aquela que havia sido sua babá, hoje era a governanta da mansão, mas o carinho que Sophie tinha por ela, ainda era o mesmo e era recíproco.
A parte mais difícil de retornar a mansão era ter de reviver todo o passado novamente. Ela não escondia de ninguém o quanto estava insatisfeita de estar ali. Ela não tinha boas lembranças dali, isso era óbvio. A questão era que não podia fugir de suas responsabilidades, como seu amigo bem lembrou no dia anterior, antes de viajarem.
Caminhou até a biblioteca de sua mãe e ficou ali, curtindo a saudade que sentia de seus pais. Por várias vezes lhe pediram que voltasse e ela se recusou – Sophie precisava disso. Precisava dessa distância para curar suas feridas dos acontecimentos de sua juventude época em que fora tão imprudente consigo mesma e com os outros.
Todos os dias se culpava pelo que tinha ocorrido. Achava que, se sua atitude tivesse sido diferente, quanta dor teria sido evitada e de quanto sofrimento ela mesma teria sido poupada.
Abriu um exemplar de “Guerra e Paz” e encontrou um papel com anotações de sua mãe. Lembra de desde criança achar a letra de sua mãe linda demais. Guardou aquele pequeno papel no bolso, para juntar às demais lembranças na sua caixinha de recordações.
Sentou ali na biblioteca e ficou lembrando das diversas vezes em que entrava ali contra a vontade de seus pais. Não que eles não quisessem que ela lesse, pelo contrário. A incentivavam demais. O problema era que quando ela entrava na biblioteca, esquecia o mundo aqui fora e não queria mais nada da vida. Esquecia até de se alimentar.
Enquanto se perdia em meio a suas lembranças, não percebeu quando os empregados entraram na biblioteca para arrumá-la. Sentiu seu estômago embrulhar por lembrar a real razão de estar ali. Voltou para seu quarto. Deu uma passada no quarto de Adam que ainda dormia seu sono pesado.
Decidiu que se deitaria novamente e tentaria dormir. Pouco minutos depois já estava em sono pesado.
***
- Definitivamente, não foi uma boa ideia aceitar o convite de Collins e ir a essa balada. Coisa mais sem graça. Se eu soubesse teria ficado em casa assistindo NetFlix. Agora estamos aqui, do lado de fora da mansão, torcendo que meu avô já tenha pegado no sono para que a gente consiga entrar sem sermos notados as quatro horas da manhã. – Sophie reclamava para Adam, muito brava. – Que ideia foi essa de vir dormir aqui na mansão, justo hoje?
O clima fora da casa estava começando a ficar pesado com o céu cheio de nuvens; denunciando que em breve cairia uma daquelas chuvas torrenciais.
- Vamos lá... precisamos entrar na casa e cair na cama feito uma pedra, independentemente de qualquer coisa. – Adam falou, zonzo de sono enquanto Sophie colocava a chave na porta, sem fazer nenhum barulho e girando bem devagar as duas voltas da tranca. Abriu lentamente a porta que, graça aos cuidados dos empregados, não faz aquele som assustador de porta de casa m*l assombrada.
Fechou a porta atrás de si, com a mesma delicadeza de antes, sem fazer barulho algum. A casa estava toda escura, como era de se esperar àquela hora da madruga. Respiraram aliviados por terem vencido a etapa da porta sem grande dificuldade. Seguiram silenciosos com o plano de chegar aos seus quartos sem serem notados e sem fazer barulho. Pelo que Sophie conhecia seu avô, tinha uma audição de gato e qualquer que fosse o barulho ele ouviria e se levantaria da cama só para saber do que se tratava.
Neste mesmo instante, ouviram um estrondo lá fora. Ia começar uma daquelas chuvas torrenciais. O coração de Sophie quase que saiu pela boca com o susto que levou. Subiram as escadas correndo com tanto medo que deu naquele momento.
Desde criança, Sophie morre de medo de relâmpagos e seu pai sempre a confortava em momentos de tempestade como agora. O problema é que ela cresceu e nem dá mais para correr para o colo do pai quando vem uma tempestade assim. O jeito que tem é correr para debaixo das cobertas e torcer que a tempestade passe o quanto antes.
Não demorou muito até que ela pegasse no sono, embalada pelo som maravilhoso das gotas de chuva nas folhas lá fora. Depois que passa toda a tormenta do início da tempestade, só o que fica é o som embriagador das gotas. É hipnotizante. O restante da madrugada foi tranquilo e conseguiram dormir algumas poucas horas até acordar com o despertador do celular.
Sophie teve vontade de jogar o aparelho na parede. De onde saiu a ideia de colocar o celular para despertar uma hora dessas? – Se perguntou. Foram necessários alguns segundos até que ela se desse conta que foi ela mesma quem ajustou o alarme. Não queria causar uma impressão r**m com o seu avô por perto.
Tratou de levantar da cama e foi quase se arrastando tomar um banho para afastar o sono. Era por volta das oito e meia da manhã quando Sophie desceu as escadas e caminhou até a cozinha onde seu avô tomava café enquanto lia o noticiário.
- Bom dia, vovô! – Deu um beijo no topo da cabeça de seu avô e sentou-se próximo a ele.
- Bom dia, querida! Dormiu bem?
- Sim e você?
- Dormi bem, também. – Ele a olhava por cima dos óculos na ponta do nariz – Gostaria que você me acompanhasse até a firma.
- Eu??? Por que? – Sophie estava muito surpresa com o que seu avô disse.
- Você é a única herdeira da fortuna de seu pai e há dez anos você não sabe exatamente nada do que fazemos ali; precisa pelo menos conhecer o lugar, não acha?
- Acho. – Sophie engoliu em seco e continuou seu café em companhia de seu avô.
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Prezados Leitores,
Peço que leiam com atenção este pequeno texto.
Ninguém é obrigado a ler o que escrevo, mas se você decidiu ler, peço que atente às notas finais que serão deixadas no término dos episódios.
Faço um tratamento de saúde e por essa razão, demoro um pouco mais que o normal para revisar os livros. No entanto, sempre deixo uma mensagem no final do episódio indicando quando estará atualizado para que vocês não gastem moedas desbloqueando um episódio que não está pronto para ser lido.
Escrever me ajuda a esquecer um pouco todo o drama que estou vivendo, mas ultimamente, devido a esses comentários, estou repensando se vale mesmo a pena continuar. Não estou pedindo elogios; estou pedindo um pouco de empatia. Apenas isso.
Não vai doer nada em você se precisar esperar alguns dias até sair o próximo episódio revisado
Estou escrevendo essa mensagem a vocês porque estou cansada de receber tantos comentários tóxicos. Todos os dias tem alguém deixando um comentário grosseiro a fim de me ofender ou diminuir o meu trabalho.
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