Vittorio narrando Do meu escritório envidraçado, no alto da casa, o mundo lá embaixo parece uma maquete cara: luzes calculadas, som no volume perfeito, garçons se movendo como peças de um tabuleiro que eu mesmo desenhei. Não é boate; é cenário. Não é noite; é operação. Eu apoiei as mãos na borda da mesa, o gelo do copo marcando um círculo úmido na madeira. Do meu ângulo, eu vejo tudo. Quem entra, quem sai, quem finge ser mais rico do que é, quem pode pagar muito mais do que demonstra. Vejo o brilho nos olhos dos clientes quando algo realmente chama atenção deles. Hoje, o brilho é sempre o mesmo. Ela. Caterine Volkova. A vitrine daquela noite. Lá embaixo, o salão está cheio de homens que, na frente do mundo, decidem leis, fecham contratos, ditam regras. Aqui dentro, todos viram a mes

