Falcão Narrando A laje é o único lugar onde minha cabeça consegue pensar sem ninguém enchendo o saco. Tô ali em cima, sentado na cadeira de plástico, chinelo no pé, cordão brilhando no peito, vendo a Rocinha inteira respirar lá embaixo. É luz acendendo, som estourando, cachorro latindo, moto cortando a viela, criança gritando. O caos pra qualquer um. Minha paz. Acendo meu baseado, trago fundo e solto a fumaça devagar, olhando o horizonte. Mas hoje o barato não tá batendo como deveria. O bagulho da boate ainda tá grudado na minha cabeça como chiclete velho. — Tem alguma p***a errada nessas casas do meu pai, mano… — murmuro sozinho, apertando o beck entre os dedos. Puxo o ar de novo, deixo o peito encher. A imagem volta: corredor, porta fechada, choro desesperado. E não era choro de que

