CAPÍTULO 02

2903 Words
CRISTAL Dulce Prazer não é como eu imaginei. Não tem mulheres nuas com glitter comestível no corpo enquanto dançam para os homens, esperando algumas notas. Não tem homens transando no sofá ou batendo na b***a das mulheres que passam por eles. É uma sala completamente coberta de um veludo amarronzado. Tem um bar como nas boates, os barmans fazendo drinks atrás do balcão e bancos pretos e altos para os clientes sentarem e esperarem as bebidas. A sala é cheia de divãs de couro preto um pouco mais afastados na área das paredes e mesas elegantes espalhadas pelo ambiente, uma música sexy ronda em volume baixo. Reconheço fácil a cantora e identifico fácil tanto Beyoncé, como a música – Haunted. O lugar não está lotado como as boates que eu já fugi de casa para ir, é um lugar fino e elegante. Homens bem vestidos com seus ternos de cores escuras e máscaras escondendo seus rostos. Passo o olho rápido e vejo o cardápio variado, baixos, alguns calvos, tem uns altos e bem esbeltos enquanto outros tem uma barriga saliente. As mulheres são mulheres experientes, não velhas, mas mesmo com suas máscaras mostram o ar sério de uma mulher bem resolvida e madura, são muito belas também. Creio que devo ser a única garota de dezoito anos e virgem deste lugar. Continuo observando ao redor, todos já estão entretidos numa conversa ou bebendo no bar enquanto estou parada no meio da sala sem saber o que fazer. Talvez essa tenha sido a pior ideia que eu já tive. O que eu estava pensando? Acho melhor eu ir embora antes que a vergonha seja maior. — Você veio... — Uma voz grave e rouca muito conhecida me chama a atenção. Viro de costas e encontro um mascarado loiro, os cabelos bem arrumados e um terno avermelhado muito moderno e sofisticado, a máscara preta contrasta com o azul vivo dos olhos do meu irmão. Sim, eu consigo reconhece-lo da mesma forma que ele fez comigo. — Chris. — Me seguro para não abraça-lo, não seria bom aparentar aos outros estar acompanhada. — Sim, eu não desisti. — O que achou? — Não é tão r**m, quer dizer... não parece muito um clube do sexo. — Ele sorri enquanto caminha. — Venha aqui, vamos beber alguma coisa juntos. — Me chama e eu o acompanho até o bar, ele senta num dos bancos e eu ao seu lado. A ficha vai caindo aos poucos. — O que você esperava que fosse? Mulheres nuas dançando pole dance? Homens bêbados e gordos? — Na verdade, sim. — Respondo e ainda com um ar de riso ele faz sinal para o barman. — Isso é clube do prazer, não um bordel. — O homem com uniforme se aproxima de nós. — O você vai querer? — Meu irmão me questiona. — Escolha você, algo não muito forte, a noite só está começando e quero estar no meu juízo normal. — Quero ficar sóbria para ter tudo sob controle. — Traga um cosmopolita para a moça e para mim... uma vodca pura. — Pede. O homem coloca um copo na nossa frente. — Gelo? — Não. — Então ele despeja com agilidade a vodca no copo do meu irmão. — Pode deixar a garrafa perto. — Sim, senhor. — Ele começa a preparar o meu drink na nossa frente. — O que você quis dizer com clube do prazer? O que na verdade é esse lugar? — Pergunto fazendo meu irmão olhar para mim. — Cris, sabe que não é fácil para mim estar aqui com a minha irmã. É um lugar que você não deveria estar, entenda, nós homens viemos aqui procurar prazer e sexo fácil, para não termos que ligar no dia seguinte, nem dar presentes, nem mesmo saber seu nome. Você não deveria estar neste lugar. — Explica. — É tão difícil para você entender que eu também não quero que me liguem no dia seguinte? Que não quero presentes nem que saibam quem eu sou? — Questiono. Ele sorri docemente para mim antes de virar o líquido do copo direto na garganta. — É difícil saber que você cresceu, passei tanto tempo da minha vida te protegendo...— Ele pausa pensativo, claramente nostálgico, entoa despeja mais vodca dentro do copo — Cristal, eu não vou poder te proteger para sempre, suas escolhas vão voltar para você. Faz parte de ser adulto aprender a fazer boas escolhas. Não sei se uma mulher em sã consciência deveria fazer uma escolha dessa, ao menos tendo dezoito anos e sendo inexperiente como você. Saiba que as consequências do que fizer hoje nesse clube vão voltar para você, pode mudar tudo em sua vida... Em nossa vida. Está disposta a arriscar o que temos hoje por... Isso? — Aqui está o seu drink senhorita, espero que goste. — O barman coloca o copo em minha frente e me lança um sorriso cínico, Christian o encara feio e ele vai embora antes que eu pudesse agradecer. — Eu não tiro sua razão, talvez tenha algo de errado comigo. Não sei quais serão as consequências e na verdade eu nem pensei, nem quero. Eu só quero ser inconsequente e pensar em mim. Mas agora que estou aqui e depois de tudo que ouvi de você... Do Jay... Todos os conselhos... Decidi isso mas quando ouço vocês falarem me sinto uma... — Abaixo a cabeça timidamente. Eu não queria que ele e o Jay soubessem o que eu queria fazer, não queria colocar esse fardo em cima dos dois, mas eu precisava deles. Não estaria aqui sem a ajuda deles e agora eu me expus para meu irmão e meu melhor amigo, me sinto uma vagabunda e não sei se deveria me sentir assim. — Não complete a frase, você não é o que quer que esteja passado pela sua cabeça. — Meu irmão segura minha mão, levanto a cabeça olhando para ele. — Você tem uma personalidade forte, é decidida, sabe o que quer e veio atrás disso, eu entendo. Só quero que saiba exatamente o que está fazendo pois não vai poder voltar atrás depois. Se está aqui faça exatamente o que decidiu, mas depois de hoje essa noite deve ser apagada. Não ouse voltar atrás, uma noite, e apenas siga em frente. Você entendeu? — Eu farei isso, nunca mais o verei novamente. Eu sou um pouco explosiva, mas vou pensar friamente. Obrigada por isso, pelas palavras e por tudo que fez. O pior é ter que precisar de você e do Jay para isso, é... vergonhoso. Mas eu juro que não tive escolha, sinto muito mesmo. — Seguro o copo entre meus dedos e experimento o líquido vermelho pela primeira vez.— Nossa, como isso é bom! — Olho feliz para meu copo, Chris sorri. — Que bom que gostou. — Ele não para de beber. — Não se envergonhe. Um dia você faria sexo, não é? Eu não queria que fosse antes dos trinta, mas o que posso fazer? — Brinca. — Só não me conte quem vai ser. — Nem eu mesma pretendo saber quem ele vai ser. — Brinco. — Se der certo, vou agradecer por estarmos os dois de máscaras. — Melhor. — Aceita. — Você vai ficar bem se eu for embora? Eu preciso... Bom... Tem uma pessoa... — Gargalho. — Vai lá garanhão, já sei que a noite vai ser longa para você e sua pobre presa. — Ele se levanta e beija minha testa. — Não se faça de inocente, não vai ser muito curta para você também. — Ainda nem sei se alguém vai se interessar por mim. — Dou de ombros ganhando seu sorriso irônico. — Sério? O que acha que estou fazendo aqui? Queimando seu filme um pouco. Assim que eu sair, eles vão se aproximar. — Abro a boca em surpresa. — Todos desta sala estão te olhando, até mesmo os acompanhados. Passo os olhos pelos homens novamente e percebo, ele tem razão, muitos estão com seus olhos em mim enquanto suas acompanhantes estão entretidas conversando. Alguns até mesmo sorriem para mim agora que os notei... Até que alguns são atraentes ou aceitáveis no mínimo. — Nossa... — Sorrio satisfeita. — Faça uma boa escolha, lembre-se quem você é e não deixe ninguém te tratar com menos do que você merece. — Anotado. — Sorrio para ele. — Oi, por favor! — Christian volta a chamar o barman. — Pode colocar tudo que ela precisar na minha conta. — Diz e me dá uma piscada antes de ir embora. Eu o acompanho com o olhar e vejo se aproximar de uma bela loira de vestido vermelho e máscara da mesma cor. Meu irmão segura sua mão e dá um demorado beijo entre seus dedos enquanto sorri malicioso sem desviar os olhos azuis dos dela. O maldito sabe exatamente como fazer isso e nem precisa se esforçar, meu irmão é como um deus. Sorrio incrédula e volto minha atenção para o meu drink e assim que termino peço mais um, mantenho minha pose de madame com as pernas cruzadas fazendo-as ficar mais torneadas. Sim, eu tenho um corpo bem definido porque malho desde os quinze anos na academia da mansão com ajuda de uma personal trainer. O vestido justo e decotado realçou as curvas, tiro a cabeleireira n***a das costas colocando toda para um lado só deixando exposta a a******a em formato ‘v’ que tenho até o meio das costas. — Posso te pagar uma bebida? — Uma voz masculina me chama a atenção, mas evito olhar para o dono dela, apenas balanço o copo que seguro em minhas mãos mostrando que não preciso de uma bebida, já tenho uma. — Outra? — Gostaria de me ver bêbada? — Não, apenas gostaria de passar um tempo com você. — Eu ainda não olho, apenas sorrio. — Não precisa me pagar nada para passar um tempo comigo, basta conversar bem. — Só então eu cedo a curiosidade e o encaro. Vejo o homem mais ou menos da minha altura e com cabelos castanho escuro encaracolados. Ele é esbelto e se veste de forma elegante, seu rosto está completamente escondido atrás de uma máscara que mostra apenas os olhos de cor clara. Não parece feio. — Posso me sentar aqui? — Questiona e eu ofereço com a mão o banco vazio ao meu lado, que ele não demora em aceitar e sentar. — Com licença. — Logo ele estende a mão, eu aceito e ele segura a minha na dele. — Pode me chamar de Amor. — Eu não vou te chamar de amor. — Por que não? Escolhi esse nome para esta noite. — Se defende, me controlo para não revirar os olhos e ele sorri. Esse é o único jeito dele atrair alguém? Pobre homem. — Qual o seu nome? — Eu prefiro não te dizer. — Pouco tempo e já estou entediada. — E por que não, minha linda? — Porque eu vim com a ideia de dizer meu nome para apenas uma pessoa e sinto muito... mas você não é ele. — Me defendo. — Posso saber quem é? — Ele olha ao redor. — Não importa. — n**o. — Está aproveitando a noite? — Sim, eu já tenho uma bela mulher ao meu lado... — Diz sem parar de me encarar. — E que beleza eu devo dizer. — Ele gargalha descendo o olhar para meu corpo. — Obrigada. — Agradeço e faço o sinal para o barman. — Pode me trazer uma água tônica, por favor? — Decido parar de beber. Já tomei dois cosmopolitas e como disse quero manter o controle, pelo menos por enquanto. Não tenho tanto costume em beber então não quero exagerar e estregar essa noite, preciso encontrar o escolhido. Recebo minha água tônica num copo com gelo e começo a beber. — Deveria beber algo mais forte, quer que eu escolha? — Não, obrigada. Estou bem assim, caso contrário, eu posso escolher por mim mesma. — O que acha de irmos para um lugar mais reservado e aproveitarmos quando você terminar de fazer doce? — Questiona e eu sorrio incrédula sem olhar para ele. — Acho que se você conseguir alguma mulher essa noite vai ser apenas se alguma estiver muito desesperada, pois você não tem noção nenhuma de como tratar uma mulher. — Digo desinteressada. — Se me der licença, gostaria de ficar sozinha. — E se eu quiser você? — Bom, então isso é problema seu e eu sinto muito por você. — Qual é, gata? — Ele coloca as mãos nas minhas costas, me balanço desconfortável sentindo seus dedos gelados passeando pela minha pele nua. — Estou te olhando de longe faz tempo. — Então eu sugiro que em primeiro lugar, você tire sua mão de mim e segundo... volte para o seu lugar e continue olhando de longe. É tudo que pode ter de mim. — Peço. — Mas... Eu te faria gozar tanto. — Ele insiste sem deixar de me acariciar, descendo em direção a minha b***a. — Olha só... Agora você acaba de conseguir um bom problema porque eu cansei de manter a elegância com quem não merece. Então vá tomar no olho do seu cu. — Minha paciência tem limite e não é muito. Levanto meu copo com água tônica e gelo despejando o conteúdo em cima da cabeça dele num movimento rápido. — Sua v***a louca! O que você tem na cabeça, p***a? — As pessoas nos olham com atenção. — Você vai me deixar em paz agora ou vou precisar chutar suas bolas? Por que me desculpe mas eu pedi para me deixar sozinha com educação, agora que eu parei de usar a educação que recebi você não vai gostar de estar por perto. — Fico de pé e ele dá dois passos para trás, está bufando de raiva enquanto pega guardanapos em cima do balcão. — Garota i****a. — Diz caminhando para longe e se limpando, eu seguro o riso. É, talvez eu não encontre ninguém interessante esta noite mas ao menos já tive adrenalina e diversão suficiente. Volto a me sentar no banco fingindo que nada aconteceu e faço sinal para o barman que desta vez está longe e não me vê. — Buenas noches, señorita. — Estou distraída quando sinto todos os meus pelos se eriçarem com a voz grave e sensual atrás de mim. — É seguro acerca-te*? (*Me aproximar.) Diferente de antes, tudo em mim pede para olhar para este homem. Antes de vê-lo é possível sentir o cheiro dele dominando todo meu espaço. Puxo o ar sentindo o nervosismo que tanto sonhei me invadindo, viro devagar minha cabeça para trás encontrando a figura mais máscula, sexy e imponente que meus olhos já tiveram o prazer de ver. Ele parece ter dois metros de altura e acabo me sentindo intimidada perto dele, algo que nunca aconteceu antes. Sempre fui cheia de certeza, irônica e firme, mas agora todas as minhas certezas foram embora com seus olhos claros e firmes me penetrando e passeando por cada parte minha. Seus cabelos negros como a noite deslizam por cima de sua pele tão bronzeada que chega a brilhar. O corpo grande está bem desenhado no terno escuro, mostrando todas as formas proporcionais e bem feitas. Meu coração bate num ritmo acelerado e tenho quase certeza que tem baba escorrendo de minha boca e de outros lugares. Ele tem uma máscara preta no rosto, que me impede de ver sua beleza totalmente, mas é claramente o homem mais belo que já foi inventado. Não é nada como eu já vi e pelo sotaque não é americano. Isso deve explicar seu jeito quente e exótico, a curiosidade me preenche. — Por que não seria? — Acho a voz, que sai meio abafada para meu próprio m*l. — Te vi expulsando o pobre hombre daqui quase aos chutes. Então... — Ele ajeita o corpão no banco ao meu lado sem pedir licença. Me balanço desconfortável. — Tenho certeza que você faria o mesmo se estivesse aqui e fosse obrigado a passar alguns minutos com ele. — Minhas mãos suam e abaixo a cabeça, tento disfarçar o estado de nervos que estou. — Yo tengo certeza qué si. — Volto a olhar para ele como se seu rosto me chamasse, ele sorri para mim, me fazendo derreter. Que sorriso é esse? Seguro no balcão para não despencar sentindo minhas pernas tremerem. Será que ele percebeu? Os lábios bem desenhados curvados para o lado é a coisa mais sensual que já vi, é um pecado. Descruzo as pernas e esfrego uma na outra, ele olha diretamente para minhas coxas e então me encara, minhas bochechas ardem e ele cerra o maxilar bem feito. Com certeza ele sabe o que aconteceu aqui. — Yo creo que nos llevaremos* muy bien. — Ele me encara fixamente como de pudesse ver até mesmo minha alma. — O...o que...? — Gaguejo. — Acredito que vamos nos dar bien. Me llamo El Zorro. — Me estende sua mão. — Aurora. — Encosto minha mão na dele, que cobre a minha. Sua pele quente faz raios se espalharem pelo meu corpo com o mínimo contato. Acho que eu encontrei.
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