Ananda A fofoca corre mais rápido que o vento naquele morro. Bastou o Khalil assumir, na frente de meio mundo, que eu era dele para o burburinho começar — e eu senti cada olhar como se fossem facas. “Primeira-dama do morro”, “a protegida do chefe”, “a nova rainha”… falavam de um jeito, alguns com veneno na língua. Eu tentava fingir que não me atingia, mas cada sussurro me apertava o peito. Lembro do dia em que ele falou alto, bem no meio da rua, com aquela voz que não admite brincadeira: — Quero ver quem vai abrir a boca pra falar m*l dela — ouviu todo mundo. — Se eu ouvir um a, corto a língua e deixo de exemplo. A frase ainda ecoava na minha cabeça quando o silêncio caiu por alguns dias. Mas língua r**m não aprende fácil. As mulheres começaram a se aproximar de mim com sorrisos fals

