Belladonna
Bella pensava que não havia filhote simplesmente porque ela não queria um, e seu lobo certamente também não queria um com um companheiro que não fosse o destinado, ou pelo menos era assim que Bella se sentia. Nenhum dos dois estava interessado em ter um filhote com um companheiro que, em algum momento, fosse em um futuro próximo ou distante, os rejeitaria em troca de seu dom da Deusa, quando ela aparecesse.
Porque alguém iria querer fazer isso, quando sabia que seu companheiro alfa iria enviá-los embora, praticamente os expulsando da alcateia e sem seus filhotes, fazendo-os romper seu vínculo de amizade com quantos filhotes tivessem e amassem? Nenhuma loba que ela conhecia concordaria com isso, era insano; nem ela, nem Freya, sua loba, estavam interessadas que isso acontecesse com elas.
Parker havia feito alguns comentários ao longo dos anos sobre isso, e ela o encarou, declarando simplesmente: — Talvez, Selena não queira que tenhamos um filhote, Parker.
Para o que ele retrucou: — E talvez você seja infértil. — Parecendo um pouco irritado com isso.
— Pode ser. — Ela assentiu para ele simplesmente. Ela não se ofendeu com suas palavras.
Embora ela não fosse infértil. Eles tinham sido testados alguns anos atrás, depois daquele comentário. Ela pensou que ele teria ido embora e pensado em suas próprias palavras, talvez até concluído que um deles era infértil.
Então, a pedido dele, ambos foram testados. Estavam bem e eram capazes de conceber um filhote, aparentemente. Só que não estava destinado a acontecer conforme ela via, e ela estava sinceramente feliz por isso.
Embora durante seus cios, Parker a prendesse sempre toda vez que gozava, e ela o retribuía; gostava da sensação sangrenta tanto quanto ele, e ela sabia disso. Ela entendia que ser amarrada ao seu Companheiro fazia você se sentir completo, que também fazia parte do vínculo de companheiros.
De fato, ele a tinha prendido esta manhã, olhou diretamente para ela enquanto ainda a prendia e suspirou suavemente, contente. Ela sabia que ele gostava da sensação de estar amarrado a ela. Todos os lobos gostavam, a menos que não fosse o seu Companheiro.
Seus olhos azuis tinham olhado nos olhos azuis dela, e ele murmurou suavemente enquanto a olhava, com um sorriso suave em seu rosto: — Um herdeiro seria bom, não acha, Belladonna? — Ele não dizia isso há meses, e ela ficou um pouco surpresa ao ouvi-lo mencionar isso novamente; ela pensou que ele desistiria desse pensamento. Embora a forma como ele disse seu nome suavemente, quase parecia que ele se importava naquele momento. Ela sabia melhor, ele nunca abreviava seu nome como todos dentro da alcateia faziam. Ele era o único a chamá-la de Belladonna, e ela tinha certeza de que ele fazia isso para se lembrar de que ela era sua Companheira Escolhida.
— Acho que seria. — Ela respondeu a ele. Era tudo o que ela sempre dizia sobre o assunto de um filhote entre eles.
Ela só disse "não" uma vez de verdade, e ele e sua b***a ficaram furiosos. Ela não conseguia entender. Ele não a amava, ela sabia disso. Mas ela nunca ousou dizer novamente. Porque sua raiva por recusar sequer pensar que era uma boa ideia, acabou se espalhando pela alcateia.
A alcateia tinha ficado tensa com seu mau-humor, e ela o viu andando de um lado para o outro, e dando ordens a todos. Ele tinha ficado irritado com isso por mais de uma semana. Então, agora ela afirmava que achava que sim, ao invés de dizer não querer um filhote com ele; apenas para poupar a alcateia de seu temperamento, algo que ele tinha, mas ela raramente via, a alcateia também, e ela tinha a sensação de que ele tentava não perder o controle sem motivo algum. A alcateia gostava dele, o respeitava e estava feliz com ele como seu Alfa.
Às vezes, ela se perguntava qual tinha sido aquela guerra com sua alcateia de origem. Ela não se lembrava de ter havido guerra, por assim dizer. Havia sido uma ameaça total, disso ela sabia. Embora seu pai e Parker provavelmente não quisessem aquela guerra e tivessem tentado de tudo para evitá-la, antes que começasse. Ela não tinha sido informada sobre isso e, durante aqueles dois dias, todos tinham sido obrigados a ficar em casa. Embora soubesse que houve uma força lupina na fronteira da alcateia.
Ela afastou seus pensamentos, não precisava fazer uma viagem pela memória, isso foi há muito tempo. Ela tomou seu café da manhã na sala de jantar, como sempre fazia e sorriu para os lobos lá dentro também. Riu quando um garoto de seis anos subiu na cadeira ao lado dela e puxou seu braço. — Luna, mamãe vai ter o bebê hoje!
— É mesmo? — Ela sorriu para ele.
— Sim, papai levou ela para o hospital há um minuto.
Bella sorriu para ele. — Você está animado para conhecer sua irmãzinha, Franky? — Ela perguntou a ele.
— Sim! — Ele sorriu animado para ela. —Tia Becky está cuidando de mim.
Bella olhou para Rebekah, sua tia, que estava caminhando na direção deles. Ela estava grávida. — Daisy acabou de entrar em trabalho de parto, Luna. — Rebekah disse enquanto se aproximava dela.
— Acabei de ouvir, Franky está animado. — Ela bagunçou os cabelos loiros dele. — Como você está hoje, Becky?
— Bem. Você vai para o hospital em breve? — Becky perguntou.
— Sim, logo após o café da manhã. Tudo vai correr bem com sua irmã; eu não perdi um filhote ainda e não vou começar hoje. — Ela tranquilizou Becky.
Bella tinha entrado no cio seis meses atrás. Esta seria uma semana agitada aqui na alcateia. Seu último cio tinha sido muito inesperado, tinha vindo no meio da noite, do nada, e Parker não estava na alcateia naquela vez. Aquela primeira noite tinha sido um suplício trancada em seu quarto, incapaz de saciar as necessidades de seu cio.
Mas ele voltou logo em seguida, quando foi informado de que ela estava no cio, e ela foi para cima dele assim que ele entrou em seu quarto. Praticamente arrancou as calças dele e o empurrou para baixo com toda a agressividade alfa, e o cavalgou com tudo o que tinha bem na porta de entrada dos quartos.
Ele não se importou, também gostou; gostou de todos os seus cios enquanto duraram. Ele poderia f********o por horas todos os dias, e metade das noites também, era tudo bruto e intenso, ambas as necessidades alfa em pleno vigor. Ambos eram muito agressivos para conseguir o que queriam durante seus cios. Era meio inevitável, ela pensava. Apenas suas linhagens.
Ela se livrou de seus pensamentos e foi para o hospital da alcateia, onde vestiu seu uniforme. Hoje ela estava usando uniforme azul-claro com preguiças estampadas por todo ele; ela achava-os fofos.
O hospital da alcateia tinha um uniforme quando ela chegou a esta alcateia, era preto; ela se livrou deles, achou-os muito antipáticos, e algumas das crianças da alcateia, que nunca tinham estado no hospital antes, tinham se afastado das enfermeiras e médicos em sua primeira visita.
Agora, todas as enfermeiras e médicos usavam uniformes divertidos com estampas por todo ele, algumas até adaptadas às estações do ano. Isso ajudava as crianças a relaxarem e se sentirem confortáveis. Eles tinham um uniforme padrão para o pós-guerras ou ataques à alcateia, quando seus lobos estavam de luto pela perda de entes queridos. Uniformes simples e respeitosos, em verde-menta e branco.
Apesar de ter sido trazida aqui como Companheira Escolhida e Luna, Parker esperava que ela desempenhasse todas as funções de Luna, e ela as fazia bem. Ele não tinha nada do que reclamar, e até tinha dito que ela era uma boa Luna para sua alcateia.
Isso tinha sido há apenas alguns anos. Ela apenas sorriu e acenou, aceitou o elogio dele; eram poucos e distantes. Disse a ele em troca: — Gosto dos membros da alcateia, são amáveis comigo. — E eram. —Sempre farei o meu melhor por eles, Parker.
A Lua Lustrosa era uma alcateia muito mais agradável para ela do que sua alcateia de origem tinha sido.