A coletiva de imprensa ficou tão silenciosa que dava para ouvir até as batidas do coração de todo mundo. Fabiola sentiu a garganta se fechar, como se uma mão enorme apertasse seu pescoço.
Faltou ar.
Ai!
Uma dor aguda atravessou a palma de sua mão. Ao olhar para Lorenzo, encontrou nos olhos dele um incentivo silencioso: ela precisava continuar.
Era um passado que não queria reviver. Nunca imaginou que Nadia fosse c***l a ponto de tentar destruí-la de verdade. Quando ainda eram boas amigas, Fabiola abriu o coração e contou a ela aquele passado terrível. Agora, Nadia usava isso como uma espada para apunhalá-la.
Lorenzo lançou um olhar duro para o assistente. No instante seguinte, seguranças de terno já se aproximavam de Nadia, mas Fabiola balançou a cabeça e impediu.
Nadia ainda a subestimava.
Só que Fabiola não era mais aquela garotinha fraca de antes.
Limpou a garganta e disse em voz alta:
"Essa senhora está certa. Eu tenho, sim, antecedentes criminais."
Com aquelas palavras, a imprensa explodiu mais uma vez. Antes que os repórteres começassem a disparar perguntas, continuou:
"Quando eu tinha catorze anos, minha avó, a única parente que eu tinha no mundo, morreu. Depois disso, fui adotada por outra família, mas foi aí que meu pesadelo começou. Depois que minha mãe adotiva morreu em um acidente, meu pai adotivo mostrou a verdadeira natureza dele. Numa noite em que tentou me abusar de novo, enfiei sem querer a faca que escondia debaixo do travesseiro no coração dele. Por causa disso, fui presa."
Fez uma pausa breve e concluiu:
"E essa é a história toda."
Fabiola sabia que nenhuma família rica aceitaria uma mulher com antecedentes criminais, mesmo que o tribunal tivesse absolvido ela por legítima defesa.
Sabia muito bem o que viria pela frente, mas não se arrependia. Casar com o CEO mais poderoso já parecia uma vida de sonho. Só aquela experiência bastaria para se orgulhar pelo resto da vida.
Mas a reação foi completamente diferente do que esperava.
Lorenzo continuava segurando sua mão. O olhar dele era tão profundo que Fabiola não conseguia decifrar suas intenções.
De repente, uma salva de palmas ensurdecedora tomou conta do salão. Todos aplaudiam sua coragem.
"Obrigada por não ter desistido de si mesma por causa disso e por ter escolhido se levantar e lutar. Sua atitude faz justiça a todas as mulheres que já sofreram abuso sexual."
Uma das repórteres ergueu o polegar para ela.
Nadia ficou paralisada. Aquele não era o resultado que esperava. Antes que todos começassem a olhar para ela com desprezo, saiu do local furiosa.
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Foi como uma guerra sem fumaça.
Quando voltou ao camarim, Fabiola desabou no sofá sem se importar com mais ninguém.
Estava exausta.
Lorenzo, ao lado dela, continuava elegante como um príncipe.
Será que esse homem era um robô, capaz de se manter perfeito o tempo todo?
Eles pareciam viver em mundos completamente diferentes.
Fabiola só queria sair daquela situação o mais rápido possível.
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"Então, agora que você sabe que tenho antecedentes criminais... podemos nos divorciar?"
A pressa de Fabiola para se livrar dele irritou Lorenzo.
Ele era o homem com quem todas as mulheres sonhavam em casar. Então por que ela fazia tanta questão de manter distância?
"Você não precisa do dinheiro?" Lorenzo perguntou, com a voz fria.
Em seguida, com um r***o seco, partiu o cheque em dois.
Fabiola assentiu e disse:
"Não preciso. Na verdade, recebi um diagnóstico errado de tumor cerebral. Eu queria usar o dinheiro para tentar viver um pouco mais, mas agora estou saudável. Não preciso mais do seu dinheiro."
"Então foi por isso que tentou fugir hoje?"
Fabiola travou por um instante.
Sabia que ele não deixaria tudo passar tão fácil. Esfregou o nariz e respondeu, meio sem graça:
"Eu fiz isso por você! Eu disse que era um problema, mas você não acreditou. Agora viu com seus próprios olhos."
Fabiola baixou o olhar para o chão.
Tinha passado por várias famílias adotivas e sempre acabava abandonada, porque todos achavam que ela era um grande problema.
Talvez seus pais biológicos também tivessem abandonado ela por esse motivo.
Por algum motivo, o desânimo nos olhos de Fabiola incomodou Lorenzo. Nem ele sabia o que o fazia insistir, mas o tom continuou frio como gelo.
"Se você é um problema ou não, quem decide sou eu. Agora você só tem uma escolha: continuar interpretando minha boa esposa."
"O quê?!" Fabiola fez bico, contrariada.
"Você não quer saber por que peguei sua pulseira? Embora ela não seja barata, para mim também não é nenhuma fortuna."
Ao ouvir a menção à pulseira, os olhos de Fabiola brilharam. Ela agarrou o braço de Lorenzo e perguntou com urgência:
"Você conhece essa pulseira?"
Lorenzo encarou a mão dela em seu braço. Por instinto, quis se afastar, mas percebeu, surpreso, que não odiava o toque da mulher à sua frente.
Já tinha quebrado as próprias regras muitas vezes por causa dela.
Lutando contra o distanciamento que carregava dentro de si, Lorenzo disse com frieza:
"Amanhã. Amanhã vamos nos encontrar com minha família. Se fizer bem o seu papel... eu conto mais sobre isso."
Fabiola assentiu.
"Vou dar o meu melhor."
Por enquanto, precisava ficar perto daquele homem.
Sentia que estava muito perto de encontrar seus pais.