02 - Henrique Carter

1531 Words
Henrique Carter Algumas Semanas Antes Acordo novamente com a sensação de que estou fazendo algo errado, que estou manchando a lembrança deixada pela minha jujuba. Levanto e vou para o banheiro para me livrar dessa sensação, sem contar que preciso tirar esse cheiro de álcool, Charles me levou para uma das nossas boates e como ontem foi a comemoração do meu aniversário de 31 anos nada melhor que me divertir com uma b****a e muita tequila. Petter uma hora dessa deve estar se preparando para ir para a Alemanha, conseguimos a muito custo fazer com que o velho Fritz o aceitasse na segurança da princesinha intocável. Termino o banho e começo a me vestir com o melhor conjunto italiano que tenho no closet só para fazer uma “média” com o Marzio, com os anos ele, Zakhar e Faína se tornaram meus melhores amigos, então sempre nos reunimos e fazemos alguma coisa juntos. De alguma forma que até hoje não descobri, Faína foi liberada das obrigações da máfia e seu pai deixou que ela pudesse escolher seu próprio marido, mas ela diz que por hora quer apenas ajudar o seu irmão com as finanças, não quer ter ninguém, não agora. Assim que estou arrumado, olho para o quadro que tenho na cabeceira da cama e me despeço com um beijo, saio do meu quarto. Ele se tornou o meu santuário, não suporto que ninguém entre nele, apenas a governanta tem permissão de entrar. Antes mesmo que chegasse até a sala onde fazemos nossa refeição, ouço o falatório que meus amigos estão criando e não sei como o velho Charles ainda não os mandou calar a boca, me aproximo da nossa governanta e beijo a sua testa, desde que precisei me afastar da minha mãe, ela se tornou uma substituta e tenho certeza que ela anda se encontrando com dona Cleide às escondidas, porque não acredito que ela aprendeu a fazer a moqueca que somente a minha mãe sabe fazer. — Bom dia, menino, posso subir para limpar o seu quarto? — Confirmo com a cabeça e vou para o meu lugar a mesa. Vejo o Charles revirar os olhos enquanto ele ouve Faína tentando explicar por que as novelas mexicanas são melhores que as brasileiras. — Sério que vocês estão conversando sobre isso? — Pergunto deles que apenas dão de ombros. — Precisamos falar de coisas sérias agora, como faremos para que tudo saia como planejado? — São 10 anos planejando isso, temos que fazer dar certo. — Dará certo Henrique, você tem a máfia russa e italiana com você, destituiremos o alemão e faremos uma bagunça na mesa deles. — Dou um sorriso de canto e me lembro de algo. — Marzio algum contato com os da Yakuza, não tenho certeza se a minha irmã estará nessa viagem e não a quero machucada. — Ele apenas n**a com a cabeça. — Última vez que falei com o Tanaka ele estava tendo problemas com as mulheres que o conselho dele insiste em traficar, de todos os jovens que já assumiram seus lugares ele ainda é o único que mantém esse ramo. — Suspiro fundo ao ouvir Marzio, há muito tempo paramos com essa prática. — Estamos monitorando a família Alcântara, Matheus está sendo preparado para uma missão e Zara estava com mãe e seus seguranças viajando pelo Sudão e logo iriam para a Grécia. — Faína me responde. — Não se preocupe, Henrique, faremos dar certo e você terá a sua vingança. — Zakhar fala e bebe o seu café. Charles apenas concorda com a cabeça e sorri, ele às vezes fica irritado por que não poderá participar de toda a ação, já está com 65 anos e não tem mais idade para isso, mas ele diz que está muito orgulhoso por tudo o que tenho feito aqui. O único que está de bico na mesa é o Petter que será obrigado a servir de segurança para a esmeralda, tem alguns anos que não a vejo, nossa última interação foi no seu aniversário de 18 anos, quando a mãe dela a obrigou a dançar comigo, mas o meu ódio na época estava tão marcado na alma que não troquei nenhuma palavra com ela naquele dia. Meus amigos acabaram me tirando da festa antes que fizesse uma loucura e acabamos em uma boate que depois descobrimos ser a do tio dela, já que vi o Arthur desfilando por lá com o gerente organizando as coisas. Após o nosso café, chamei o Marzio e Zakhar para me acompanhar em uma situação que estava acontecendo em algumas das minhas casas noturnas. Imigrantes querendo se prostituir para conseguir se manter em Nova York, o gerente não sabia mais o que fazer, quando apareceu três mulheres na mesma noite, para tentar entrar dessa forma na boate, então pedi que ele deixasse as três dormirem lá que chegaria cedo. No caminho explico para os meus amigos do que se tratavam e eles se empolgam com a situação. — Ótimo, vamos lá experimentar a mercadoria, é por isso que gosto de vir para casa do Henrique, ele sempre nos fornece o melhor. — Começo a rir de Marzio que tira sarro da cara do Zakhar que cruza os braços. Assim que chegamos na casa noturna, é a que mais tem me gerado renda, entramos e vou direto para o escritório, todos meus seguranças já conhecem meus amigos e os cumprimentam, eles me seguem calados. — Roger estou aqui, cadê as mulheres, traga-as! — Ele concorda com a cabeça e me sento em minha poltrona enquanto os dois tarados, cada um se senta em um sofá diferente, a porta se abre e três mulheres muito bonitas entram. Uma morena dos olhos azuis me chama atenção, desde que estou só nunca mais tive coragem de me relacionar com uma loira, as outras são loiras e meus amigos se interessaram. Mas Zakhar ficou de olho na loira de cabelos curtos, peço para que elas se aproximem e me sirvo com um copo de uísque e ofereço para os dois tarados que estavam na minha frente, que aceitam sem tirar os olhos das mulheres. — Bom dia, meninas, me chamo Carter, essa boate é minha e Roger me contou o que vocês pediram para ele. — Vejo que a morena ergue a cabeça e confirma enquanto as outras duas se sentem acuadas com a minha voz. — Não imagino quem o senhor seja, mas não sou americana. — Ela segura na mão das outras duas e respira fundo. — Fomos traficadas, conseguimos fugir… — Ergo a minha mão e interrompo o que ela fala. — De onde vocês são? — Elas se olham e cada uma fala no seu idioma. — Brasileira. — A morena responde. — Veneza, Itália. — A loira que chamou atenção de Zakhar fala de cabeça baixa. — Amsterdã, Holanda — A outra loira responde. — Hum, olhem só, na minha boate, não tenho o costume de oferecer esses serviços, mas se vocês quiserem posso enviar vocês para seus países de origem. — Nunca que iria ser conivente com o tráfico. As duas loiras se olham e aceitam a minha oferta, mas vejo que a morena estava em dúvida se queria ou não, olho bem para ela. — Alguma dúvida, senhorita? — Ela levanta o queixo e me olha nos olhos. — Ferreira, Mikaela Ferreira, e sim eu gostaria de ficar e se puder o emprego de prostituta aqui para mim seria ótimo, não tem nada no meu país para mim. — Olho para os meus amigos e Zakhar se aproxima da italiana. — Qual seu nome, menina? — Ele pega em algumas mechas de cabelo dela e faz com que ela o olhe. — Nina Rossi. — Reviro os olhos e chamo o Roger para entrar, o que não demora a acontecer. — Roger, por favor leve essas senhoritas até Abigail e diga que elas são nossas convidadas até o fim de semana, de uma boa quantia de dinheiro para que elas possam comprar algumas roupas antes que as leve para a mansão. — Ele assente e as vejo me olhando sem entender nada e Marzio fala com ela. — Meninas, não precisam se preocupar, somos lobos mansos. — Zakhar fala olhando para a Nina e começo a rir dele. — Fale por você, porque quero apenas curtição. — Digo e os dois caem na risada. — Veremos essa curtição até que a princesinha esmeralda esteja em suas mãos. — Olho feio para ele, jamais que vou me envolver com ela, odeio a sua família. Mudo o rumo dos meus pensamentos assim que Roger as chama para ir e aponto para que elas o sigam, mas tarde conversarei melhor com elas, pelo menos com a brasileira. Passo a manhã toda resolvendo problemas que surgem de cada beco da cidade, existem várias gangues que brigam por comando de pontos de drogas, mas eles não se atrevem a passar dos meus limites, então normalmente não tenho problema. Mas estou intrigado com essa situação de tráfico, alguém está fazendo algo muito errado e despejando o seu lixo no meu quintal, tenho que resolver isso antes que minha missão comece.
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