01 - Tudo Começou no Santo Amaro

1547 Words
Olá Meus amores, mais uma história começando. QUER FICAR POR DENTRO DE TUDO? Fotos dos personagens, spoiler e falar diretamente comigo? Na bio do meu Instägram @autora.viihfelix tem o link do grupo de leitoras e no grupo tem os meus números. fiquem a vontade e é só me chamar. BOA LEITURA AMORAS ❤️ Quatro Anos antes... Lívia Narrando Se eu fechar os olhos, ainda consigo sentir o cheiro daquela noite. Mistura de perfume doce barato, cerveja derramada no chão e fumaça grudando na pele como se virasse parte da gente. Foi naquela noite que tudo mudou e, sinceramente, eu nem posso dizer se foi pra melhor. Eu lembro exatamente de como tudo começou. Eu tava em frente ao espelho rachado da nossa kitnet no Catete, tentando fazer o delineado sair igual nos vídeos que eu via no celular. Spoiler: não saiu. Nunca saía. Minha mão tremia, eu piscava demais, e cada vez que tentava consertar, piorava. — Mãe, esse negócio de puxadinho no olho é impossível. Ela riu lá da cozinha, com o barulho da panela de pressão ao fundo. — Impossível nada, menina. Você quer é sair bonita pra impressionar os boy do morro. Revirei os olhos, mas acabei rindo também. Minha mãe era dessas, sonhadora do jeito dela. Trabalhava o dia inteiro como manicure num salão cheio de patricinha, ouvindo história de unha de gel, viagem internacional e vida perfeita. E no fundo, ela queria aquilo também. — Um dia eu ainda arrumo um coroa rico pra bancar nós duas. Ela sempre falava isso, metade brincando, metade acreditando. E eu? Eu só queria viver. Estudava de manhã, fazia uns bïcos de trancista à tarde, juntando dinheiro pra minhas coisas, e naquela noite, eu só queria ir pro baile. Meu primeiro baile. — Mãe, já falei, é só um baile. — Eu sei como começa esse só um baile. Ela apareceu na porta com o pano de prato na mão, me olhando com aquele olhar de mãe que sabe mais do que fala. — Mas vai, só toma cuidado. E não faz besteira. — Relaxa. Mäl sabia eu. Terminei de me arrumar com um short jeans colado, um cropped preto e um tênis branco que eu limpei mais cedo como se fosse novo. Passei um gloss, soltei o cabelo e me encarei mais uma vez no espelho. Eu tava bonita. Bonita de um jeito que eu não tava acostumada, de um jeito que me dava até coragem. Peguei minha bolsa, dei um beijo na minha mãe e saí. As meninas já estavam me esperando na esquina. — Até que enfim, Lívia! A gente vai perder a subida. — Drama, Marisa. Tô aqui já. A gente foi andando até os moto táxi, rindo alto, chamando atenção, como se a noite já fosse nossa antes mesmo de começar. — Morro do Santo Amaro. Beatriz falou pro cara enquanto subia na moto, e foi ali que meu coração começou a bater diferente. Era real. Eu tava indo. Subir o Morro do Santo Amaro à noite, com o vento batendo no rosto e as luzes da cidade ficando pra trás, foi uma das sensações mais loucas da minha vida. Parecia que eu tava entrando em outro mundo. E quando a gente chegou lá em cima, eu fiquei sem reação. — Caraca… Foi tudo que eu consegui dizer. O baile era num campo aberto, lotado. Luzes piscando, paredões de som fazendo o chão tremer, gente pra todo lado. Gente dançando, rindo, se pegando, vivendo. Tudo junto, tudo intenso. Eu nunca tinha visto nada igual. — Bora! Marisa puxou minha mão e eu fui. No começo fiquei meio travada, só olhando, tentando absorver tudo. Mas aí veio a música, o grave batendo no peito, e quando eu percebi, eu já tava dançando. Rindo. Me soltando. Um cara passou oferecendo bebida. — Quer? Olhei pras meninas. — Hoje pode tudo! Beatriz gritou, e eu aceitei. Um gole virou dois. Dois virou três. O gosto r**m já nem importava mais. Depois veio o beck. — Tu fuma? — Hoje eu fumo. E foi aí que a noite começou a se perder dentro de mim. As luzes ficaram mais fortes, os sons mais altos, meu corpo mais leve. Eu dançava sem pensar, sem medo, sem limite. Só sentindo. Lembro de rir muito. Lembro de mãos na minha cintura. Lembro de um cheiro masculino que ficou marcado em mim, mas sem rosto. E depois, nada. Um apagão. Quando eu acordei, o silêncio foi a primeira coisa que me assustou. Nada de música, nada de gente, nada de baile. Só um quarto desconhecido, um ar pesado e meu corpo estranho. Quando eu me mexi, congelei. Eu tava nüa. Meu coração disparou na hora. Sentei rápido, puxando o lençol contra o corpo, olhando em volta sem entender nada. — O que? Minha cabeça doía. Eu não lembrava de nada. Nem de como saí do baile, nem de com quem eu tava, nem de como eu tinha ido parar ali. A porta do quarto abriu. E foi aí que eu vi ele. Um homem alto, moreno, bonito de um jeito que chegava a ser errado. Ele entrou tranquilo, como se aquilo fosse normal, como se eu estivesse ali porque quis. Eu prendi a respiração, observando cada detalhe. O jeito que ele andava, a postura, o olhar, mas nada vinha. Nenhuma lembrança. — Já acordou? A voz dele era rouca, calma demais pra situação. Eu não respondi. Não conseguia. Meu corpo começou a doer, um incômodo estranho que foi crescendo, até eu olhar pra baixo, tentando entender o que tava acontecendo. E ali, naquele silêncio pesado, meu mundo desabou. Porque eu entendi. E naquele momento eu soube, que aquela noite não tinha sido só uma noite. Tinha sido o começo de tudo. Perdi minha virgindade com um completo desconhecido. Meu corpo travou quando ele deu mais um passo na minha direção. O lençol ainda preso no meu peito, o coração batendo tão forte que parecia que ele ia ouvir. — Calma. — ele disse, com a voz mais baixa — Tá tudo certo. Eu balancei a cabeça, nervosa, tentando juntar qualquer lembrança, qualquer coisa. — Eu… eu não lembro de nada. Ele passou a mão na nuca, suspirando de leve. — Eu sei. Você tava bem doidinha ontem, mas relaxa, eu sei o que fiz. E se você quiser, eu assumo. Assumir. Aquela palavra bateu diferente dentro de mim. Eu nem sabia o nome dele, não sabia quem ele era, e mesmo assim, tinha algo no jeito que ele falava que me fazia prestar atenção. Ele se aproximou mais devagar dessa vez, como se tivesse medo de me assustar. — Tu é linda, sabia? Meu rosto esquentou na hora. Eu devia me afastar. Devia mandar ele parar. Devia ir embora. Mas eu não fui. Quando ele encostou em mim de novo, meu corpo não recuou. Foi como se tudo ainda estivesse meio fora de controle dentro de mim, como se eu ainda estivesse presa na confusão da noite anterior. O beijo veio, e eu simplesmente deixei acontecer. Dessa vez eu não tava apagada, mas também não tava totalmente no controle. Era estranho. Confuso. Intenso. Quando tudo acabou, eu levantei sem falar muito, peguei minhas roupas espalhadas pelo quarto, perguntei onde era banheiro. A água caindo no meu corpo parecia tentar lavar aquela confusão toda da minha cabeça, mas não adiantava. Eu ainda não lembrava de nada. Quando saí, já vestida, ele tava encostado na parede, me olhando. — Já vai fugir assim? — Eu tenho que ir — respondi, ajeitando o cabelo ainda molhado — Minha mãe vai surtar. Ele riu de leve, balançando a cabeça. — Nada disso. Não vou te deixar ir embora assim não. Cruzei os braços. — E vai fazer o quê? Ele deu um sorriso de lado, daquele tipo perigoso. — Primeiro tu vai tomar café comigo. Na melhor padaria do morro. — Sério isso? — Muito sério. Eu devia ter recusado. Mas não recusei. A gente saiu juntos, e pela primeira vez eu consegui ver melhor onde eu tava. O morro acordando, gente subindo e descendo, som baixo vindo de algum lugar, parecia outro mundo comparado à noite. A padaria era simples, mas cheia. Cheiro de pão quente, café fresco, e uma sensação estranha de normalidade depois de tudo. Sentamos lado a lado, comendo pão na chapa e tomando café. — Qual teu nome? — perguntei finalmente. Ele deu um sorriso pequeno. — Depois eu te conto. — Como assim? — Por enquanto, pode me chamar de Juca. — Juca? — Meu vulgo. Balancei a cabeça, rindo de leve. — Tu é estranho. — E tu gostou. Não respondi. Mas talvez ele tivesse razão. — E o teu nome? — Lívia. Depois que terminamos, ele me levou até lá embaixo. O sol já batia mais forte, e minha realidade começava a voltar aos poucos. Na frente da minha rua, ele parou. — Me passa teu número. Hesitei por um segundo, mas passei. Ele salvou, me entregou o celular e, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, me puxou de leve pela cintura. O beijo foi rápido, mas ficou. — A gente se fala, Lívia. Eu assenti, ainda meio perdida. E quando entrei em casa, eu sabia. Que aquilo ainda não tinha acabado. Continua...
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