Filipe Narrando Me chamo Felipe, tenho trinta e cinco anos e sou dono da Nexus Comunicação, uma agência de marketing digital que fatura o suficiente para eu ter um apartamento com vista para o parque, um carro que bebe mais do que devia e um vazio no peito que nem o uísque mais caro consegue preencher. É véspera de Natal. Dezessete horas e trinta do dia 24 de dezembro. O escritório, que normalmente vibra com o caos criativo de trinta pessoas, está em silêncio sepulcral. O ar condicionado sussurra. A luz do fim da tarde, dourada e preguiçosa, entra pelas amplas janelas de vidro, iluminando partículas de poeira que dançam no vácuo que a agitação deixou para trás. Eu estou atrás da minha mesa de vidro e aço, observando o último grupo de funcionários se despedir. Há risadas abafadas, votos

