Capítulo 51 Gustavo

1187 Words

Gustavo Narrando O olhar dela foi a resposta que eu precisava. Não era de nojo, não era de indignação. Era de reconhecimento. De uma tensão compartilhada que explodia no ar entre a gente, mais potente que qualquer perfume de Natal. A pergunta tinha sido um tiro no escuro, mas acertou em cheio. — Você tem alguém, Ana? — perguntei, a voz ainda rouca, mas mais controlada. Eu precisava saber. Precisava de um mapa do território em que estava me metendo. Ela balançou a cabeça, rápido, os olhos ainda presos aos meus como se estivesse hipnotizada. — Não. Não tenho ninguém. Depois do pai do Miguel… não me interesso. É complicado. “Complicado”. A palavra dela para uma vida de trabalho duro e solidão. Aquela admissão, feita com tanta simplicidade, quebrou o último resquício de meu constrangimen

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