A noite caiu sobre a Vila Kennedy como um cobertor quente e pesado. As luzes improvisadas tremulavam nos postes tortos, a fumaça de churrasco subia de alguma laje distante, e os rádios dos soldados ecoavam ordens rápidas. Cada viela escondia um sussurro de guerra. Catarina caminhava de um lado para o outro na laje da avó, incapaz de ficar parada. O sentimento era simples: ansiedade e medo, tudo misturado. Ela tremia — não pelos tiros que poderiam vir a qualquer momento, mas pelo que tinha acontecido horas antes. A dúvida de V.K. O olhar dele. A forma como a respiração dele encostou na dela. A verdade era incômoda: Ela precisava dele. E ele precisava dela. Mesmo que nenhum dos dois admitisse. Um barulho na viela chamou sua atenção. Um assobio baixo, curto, conhecido. Catarina s

