— Quem me quer? — Eu pisquei para ele, sem entender. Ele atirou em nossos atacantes novamente. — Corra!
Eu levantei. Se eles me queriam, me seguiriam se eu corresse e deixariam Samuel em paz. — Chame reforços.
Eu chutei meus saltos, agarrei meu vestido e comecei a correr o mais rápido que pude. Pétalas brancas do arranjo de flores destruídas ficaram presas aos meus dedos. Ninguém atirou em mim. Isso significava que eles me queriam viva, e eu sabia que isso não poderia ser uma coisa boa. Eu virei para a direita, onde uma floresta se estendia na minha frente. Era a minha única chance de despistá-los. Minha respiração saía em suspiros curtos. Eu estava em forma e era uma boa corredora, mas o tecido pesado do meu vestido me atrasou. Galhos puxaram o vestido, rasgando-o, fazendo-me tropeçar.
Passos mais pesados soaram atrás de mim. Eu não ousei olhar por cima do meu ombro para ver quem estava me perseguindo. Os passos se aproximavam de mim. Oh Deus. Este vestido estava me deixando muito lenta.
Samuel já havia chamado reforços?
E então um pensamento pior baniu esse último. E se Samuel não sobreviveu? Virei para a direita, decidindo correr de volta para o carro. Outro som de passos se juntou ao primeiro. Dois perseguidores.
Medo bateu em minhas veias, mas não diminuí. Uma sombra apareceu no canto do meu olho e, de repente, uma forma alta chegou ao meu lado. Eu gritei um segundo antes de um braço circular minha cintura. A força disso me fez perder o equilíbrio e caí no chão. Um corpo pesado esmagou o meu. O ar saiu dos meus pulmões e minha visão ficou preta pelo impacto de aterrissar com força no chão da floresta.
Eu comecei a chutar, bater, arranhar e gritar com todas as minhas forças. Mas algumas camadas de tule cobriram meu rosto e tornaram o movimento difícil. Se papai e Dante chegassem com reforços, precisavam me ouvir para me encontrar.
Uma mão apertou minha boca e eu a mordi.
— p***a!
A mão se afastou e a voz era familiar, mas não pude identificá-la em meu pânico. O tule ainda obstruía minha visão. Consegui ver duas formas acima de mim. Altos. Um moreno, um loiro.
— Precisamos nos apressar, — alguém rosnou. Eu tremi com a dura brutalidade da voz.
Algo pesado firmou meus quadris, e duas mãos fortes agarraram meus pulsos, empurrando-os no chão. Eu tentei fugir, mas uma mão veio em direção ao meu rosto. Tentei mordê-la novamente, mas não consegui. Meu raio de ação era limitado com meus braços acima da minha cabeça. O tule foi removido do meu rosto e finalmente pude ver meus agressores. O homem sentado nos meus quadris tinha cabelos e olhos negros e uma cicatriz no rosto. O olhar que ele me deu enviou uma onda de terror pelo meu corpo.
Eu o tinha visto antes, mas não tinha certeza de onde. Meus olhos dispararam para o outro homem segurando minhas mãos e eu congelei. Eu conhecia o homem loiro e aqueles olhos azuis. Fabiano Scuderi, o garoto com quem eu brincava quando era mais nova. O garoto que fugiu e se juntou à Camorra.
Finalmente, clicou. Meu olhar disparou de volta para o homem de cabelos negros. Remo Falcone, Capo da Camorra. Eu empurrei violentamente, uma nova onda de pânico me dando força. Eu arqueei, mas Remo não se mexeu.
— Calma, — disse Fabiano. Uma de suas mãos sangrava de onde eu o mordi. Calma? Calma? A Camorra estava tentando me sequestrar!
Abrindo minha boca, tentei gritar novamente. Desta vez, Remo cobriu minha boca antes que eu tivesse a chance de machucá-lo. — Dêlhe o tranquilizante, — ele ordenou.
Eu balancei minha cabeça freneticamente, mas algo picou o interior do meu cotovelo e perfurou minha pele. Meus músculos ficaram pesados, mas eu não desmaiei completamente. Eu fui liberada e Remo Falcone deslizou as mãos debaixo de mim, levantando comigo em seus braços. Meus membros pendiam frouxamente ao meu lado, mas meus olhos permaneciam abertos e no meu captor. Seus olhos escuros se fixaram em mim brevemente antes de começar a correr. Árvores e céu passavam enquanto eu olhava para cima.
— Fina! — Eu ouvi Samuel à distância.
— Sam, — eu ofeguei, apenas um sussurro.
Então papai. — Fina? Fina, onde você está?
Mais vozes masculinas soaram, vindo me salvar.
— Mais rápido! — Gritou Fabiano. — À direita! — Galhos estalavam sob os pés. Remo respirava mais pesado, mas seu aperto em mim permaneceu firme. Saímos da floresta e entramos em uma rua.
De repente, pneus guincharam e a esperança me encheu, mas desapareceu quando fui colocada dentro de um veículo no banco de trás, e Remo deslizou ao meu lado.
— Dirija!
Eu olhei para o teto cinza do carro, minha respiração irregular.
— Nossa, que linda noiva você é, — disse Remo. Eu levantei meus olhos e encontrei os dele, desejando que não tivesse, porque o sorriso torcido em seu rosto queimava através de mim como uma tempestade de terror. Então eu desmaiei.