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2917 Words
SERAFINA Eles me permitiram ficar com Adamo, e eu me agachei a seus pés, sentindo-me m*l do estômago pelo que tinha testemunhado e ainda pior pensando no que estava por vir. — Remo vai se trocar por você, — eu sussurrei. — Amanhã, você estará de volta em Las Vegas, e Nino tratará suas feridas. Adamo inclinou a cabeça, olhos escuros sombrios. — Remo é o Capo. Ele não vai morrer porque fui i****a o suficiente para me deixar capturar. Eu tenho sido uma decepção para ele desde que nasci. Ele usará essa chance e matará Dante em vez de se entregar. Eu levantei o tecido encharcado de sua queimadura e ele gemeu profundamente. Seu pulso e nariz estavam quebrados e seu ombro deslocado. Ele deve ter sofrido uma dor horrível e não havia nada que eu pudesse fazer para ajudá-lo. Jogar o cartão de culpa forçou minha família a me dar essa pequena liberdade. Não os convenceu a chamar um médico, no entanto. Eles provavelmente teriam continuado torturando Adamo se eu não tivesse me recusado a me afastar dele. — Você está errado, Adamo. Remo irá protegê-lo. Ele não tem medo da morte ou da dor. Ele vai tomar o seu lugar porque você é irmão dele e ele se importa com você. Ele faria qualquer coisa por você. Adamo soltou uma risada abafada. — Por que você fala sobre ele como se não o odiasse? Ele sequestrou você. Ele arruinou sua vida. Eu desviei o olhar. Eu não contaria a ele sobre Nevio e Greta e certamente não sobre meus sentimentos distorcidos por seu irmão também. Adamo se inclinou para frente, encolheu-se e aproximou nossos rostos, um risco porque estávamos, sem dúvida, sendo vigiados, e minha família ainda estava ansiosa para derramar sangue Falcone. Dele ou de Remo, não importava, desde que fosse um Falcone. Eu encontrei o olhar de Adamo e a compreensão se estabeleceu em seu rosto. — f**a-se, — ele sussurrou com voz rouca. Inclinou-se ainda mais perto, apesar da corda amarrar seu braço ileso à cadeira. — Você está me dando o mesmo olhar que Remo tem sempre que alguém menciona você. Meu peito se contraiu. — Eu preciso ir agora. — Eu levantei e dei um passo para trás. Adamo Falcone. Falcone, o nome que meus filhos deveriam ter. — Adeus, — eu sussurrei, mas no fundo me perguntei se esta era realmente a última vez que eu o veria. Eu me virei rapidamente e saí do quarto. Samuel esperava bem na frente da porta. Ele me olhou, incompreensão em suas feições. — Por que você se importa com um maldito bastardo Falcone? — Ele nunca me machucou. Ele é um menino. Samuel sacudiu a cabeça. — Ele é um homem feito, Fina. Você deve nos deixar lidar com ele e Remo. Somos capazes de fazer o que precisa ser feito. Entramos no salão principal onde papai, Danilo e Dante conversavam em voz baixa. Eles se voltaram para nós no momento em que entramos. Eu enfrentei Samuel. — E o que é isso? — Deixar Remo de joelhos. Fazê-lo implorar por misericórdia. Implorar pela morte. Eu mesmo vou cortar o p*u dele. Danilo cuidará de suas bolas e então as manteremos em um belo saco com gelo para que ele possa vê-las enquanto nós o destroçamos. Então vamos empurrá-las por sua garganta. Danilo sorriu sombriamente, e até papai parecia que não podia imaginar nada melhor do que cometer o assassinato mais brutal que conseguia imaginar. Engoli. — Ele é o pai dos meus filhos. Samuel segurou meus ombros com força, desesperadamente. — Ele quebrou você, Fina, — ele disse suavemente. Nenhum deles perguntou se eu me considerava quebrada. Eles me declararam como tal, e todos os quatro me fizeram sentir como se fosse. — Ele é um monstro, — acrescentou Samuel. — Ele não é o único, — eu sussurrei, meus olhos vagando sobre os homens reunidos. Samuel baixou as mãos, o rosto torcido como se eu o tivesse esfaqueado. — Estou fazendo isso por você. Para vingar você. — Algum de vocês perguntou o que eu queria? Se eu queria mais sangue derramado? Se eu queria ser vingada? — Eu gritei. Dante avançou, expressão firme. — Você não quer ver Remo Falcone de joelhos? Você não quer vê-lo quebrado? Eu queria, mas não da maneira que eles queriam. — Eu não quero mais nada, — eu disse baixinho, porque eles nunca, nunca entenderiam. Samuel passou um braço em volta de mim e beijou minha têmpora. — Fina, vamos para casa. — Sim, vamos para casa, — eu disse baixinho. Eu olhei para Samuel, percebendo que pela primeira vez na minha vida, não estávamos falando do mesmo lugar. REMO Nino, Savio e eu ligamos os braços, pressionando a tatuagem do outro. — Você será um Capo melhor que eu, Nino. Você não vai matar pessoas que possam ser úteis para nós. Sua lógica tornará a Camorra ainda mais forte. Nino não disse nada, apenas me encarou. Savio balançou a cabeça. — Remo, vamos atacá-los. Eu prefiro morrer lutando a deixá-los colocar as malditas mãos em você. Eu sorri sombriamente. — Você terá que morrer outro dia. Eu pagarei pelos meus pecados. Nino fez um som baixo. — Ela não voltou, Remo. Ela ficou em Minneapolis. Eles não vão deixá-lo em qualquer lugar perto dela. Você vai morrer por nada. — Não, eu vou morrer para que ela consiga o que quer. Nino se afastou. — Droga. Seja razoável pela primeira vez. — Eu tomei minha decisão e você vai aceitar. Carros pararam, e eu me afastei dos meus irmãos que se abrigaram dentro do carro. Nino e Savio levantaram as armas pelas janelas abertas. Eu não estava armado enquanto caminhava em direção aos carros estacionados, meus braços levantados sobre a minha cabeça. Eu não achava que Dante iria atacar Nino ou Savio. Uma vez que ele me desmembrasse da maneira mais c***l possível, ele enviaria a gravação para meus irmãos e provavelmente para Luca também. Ele tentaria quebrar minha família como eu quebrei a dele, matar a todos nós não faria isso. Ainda não. Dante saiu, seguido por Samuel, Pietro e Danilo, e mais homens que eu não conhecia e não dava à mínima. Samuel andou até a parte de trás do carro e puxou Adamo para fora. Adamo m*l podia ficar de pé quando Samuel o arrastou atrás de si até mim. Raiva ferveu sob a minha pele. Samuel empurrou Adamo para o chão na frente dos meus pés, e Adamo olhou para mim com o rosto coberto de sangue, embalando seu braço quebrado e queimado contra o peito. — Não, — ele sussurrou. — Não faça isso. Não deixe que eles te matem por minha causa. Eu sou um maldito fracasso. Eu me movi em direção a ele e toquei sua cabeça brevemente. — Você é o único de todos nós que menos merece a morte, Adamo. — Eu tirei minha mão de sua cabeça, mas antes que eu pudesse seguir em frente, ele agarrou meu antebraço, seus dedos enrolando sobre a minha tatuagem de Camorra. — Somos nós contra o mundo, — ele resmungou. — Nós contra o mundo, — eu disse. Samuel segurou meu braço e eu afastei o instinto de esmagar seu rosto. Eu vi seu punho vindo em direção ao meu rosto e sorri. O primeiro soco apenas turvou minha visão. Seu chute nas minhas bolas me deixou de joelhos. E sua arma na parte de trás da minha cabeça finalmente me puxou para a escuridão. SERAFINA Samuel e Danilo arrastaram Remo para a casa segura, com os braços e as pernas amarrados, o nariz arrebentado e pingando sangue, o cabelo grudado na parte de trás da cabeça com mais sangue. Eu lentamente me levantei do sofá onde eu estava esperando por quase uma hora com dois guarda-costas. Papai se aproximou de mim, tentando proteger Remo da minha visão - ou eu da dele. Eu não tinha certeza e não me importei. — Pomba, você não deveria estar aqui. — Seus olhos se estreitaram em meus guarda-costas, duramente, cruelmente. Eu toquei seu braço. — Eu vou ficar, — eu disse com firmeza, minha voz resoluta. Dante foi o último a entrar. Os homens trocaram um olhar. A palavra deles era lei, não a minha, mas a sua culpa me dava poder sobre eles, mais poder do que eles já tiveram sobre mim. Eu odiava usá-lo contra eles, mas eles nunca me permitiriam ter poder por qualquer outro motivo. Passei pelo meu pai, em direção a Danilo e Samuel segurando Remo entre eles. Sua cabeça baixa, o corpo mole. Tentei esconder o tremor que se apoderou de mim no momento em que o vi. Remo Falcone. A expressão de Danilo se contorceu como sempre fazia quando me via. Com culpa e um lampejo de humilhação porque algo havia sido tirado dele, porque Remo tinha tirado isso dele. Ele era um homem forte e poderoso e, ter me perdido, o assombrava como a todos os homens da sala. Eu era o fracasso deles. O orgulho deles era um trapo sujo e manchado. Toda vez que eles tinham que olhar nos meus olhos e, pior ainda, nos olhos dos meus filhos, eles eram lembrados. Eles nunca me deixariam ser nada além da pomba com asas quebradas. Eles não podiam. Mas eu queria voar. — Você veio assistir o bastardo morrer, Fina? — Samuel perguntou, seu rosto c***l, ávido, brutal enquanto seus olhos azuis se fixaram em Remo, que ainda não tinha se movido, mas notei a mudança quase imperceptível em seus ombros, sua músculos se contraindo. Ele estava acordando. Meu coração batia mais rápido, minhas palmas ficando suadas. — Eu sei que você merece sua vingança, pomba, mas isso vai ser demais para o seu estômago, confia em mim, — disse o pai, chegando atrás de mim e colocando a mão no meu ombro. Sua voz era suave, convincente, mas seu rosto continha uma ansiedade e crueldade aterrorizantes enquanto ele observava o pai de meus filhos. — Quais são seus planos para ele? — Perguntei ao meu tio, porque ele era o homem que teria a última palavra sobre o assunto. Seus frios olhos azuis não estavam tão controlados como de costume. Ele também queria rasgar Remo. Eles esperaram muito tempo por este momento. — Nós prolongaremos sua tortura o maior tempo possível sem arriscar um ataque da Camorra. — Ele não vai morrer hoje? — Oh, ele não vai morrer hoje, — murmurou Samuel. — Mas ele pode querer isso. Eu dei um aceno de cabeça. Era o que eu esperava. Remo não experimentaria qualquer misericórdia nas mãos da Outfit, não que ele pedisse por isso. — Ele implorará pela morte, — papai disse asperamente. — Eu não imploro por nada, Pietro. Estremeci com o timbre familiar, com a ameaça subjacente, a corrente subjacente de poder. Como ele fazia isso? Remo levantou a cabeça, e meu irmão e Danilo apertaram suas mãos, mas eles se misturaram ao fundo quando os olhos de Remo finalmente encontraram os meus. Quatorze meses. A força do seu olhar me atingiu como uma onda de maré. No tempo desde que ele me libertou, muitas vezes me perguntei se eu poderia esquecê-lo, se poderia seguir em frente e viver uma nova vida, mas agora, olhando para ele, percebi que tinha sido tola em considerar isso uma opção. Os cantos de sua boca se levantaram em um sorriso torcido. — Angel. Meu irmão deu um soco no rosto de Remo, mas ele apenas riu sombriamente quando o sangue espirrou no chão. — Esta é a sua chance de pedir perdão, — disse o pai. Remo olhou para cada um deles até que seus olhos finalmente se fixaram em mim. — Você quer que eu implore por perdão? Seus olhos me arrastaram ferozmente, impiedosamente, irrevogavelmente como sempre fizeram. Como sempre fariam. — Eu não vou te dar o meu perdão, — eu disse baixinho. Algo cintilou nos olhos de Remo, mas Samuel e Danilo o afastaram do meu ponto de vista, pelo corredor até a câmara de tortura. Papai beijou meu templo. — Nós vamos vingá-la, fazê-lo pagar pelo que ele fez. Ele se afastou, deixando-me com Dante, que me encarou com escrutínio calmo. Ele tocou meu ombro levemente e eu encontrei seu olhar. — Ele pedirá perdão no final, — prometeu. Eu toquei brevemente a mão dele. — Eu não quero que ele peça, porque seria falso. Remo fazia tudo com uma paixão desenfreada, com uma raiva feroz, sem um pingo de arrependimento. Ele consumia, obliterava, arruinava. Ele tomava tudo e não deixava nada em seu rastro. Ele era um pecador impenitente. Ele era um destruidor, um assassino, um torturador. Um monstro. O pai dos meus filhos. O homem que segurava meu coração em sua mão c***l e brutal. — Você vai castrá-lo? — Era uma pergunta desnecessária. Eu sabia que eles iriam, e era apenas uma das muitas atrocidades que eles planejaram. Tudo que eu precisava saber era quando. Dante deu um aceno conciso. — Amanhã. Hoje não. Isso aceleraria muito sua morte. Danilo e Samuel farão isso. Eu não tenho certeza se você deveria assistir a isso, mas talvez você precise. Hoje será mais fácil para seu estomago do que amanhã, então fique se é o que você quer. — Obrigada, — eu sussurrei. Lentamente caminhei em direção à tela na mesa e liguei. Meu irmão e Danilo estavam chutando Remo no estômago, no lado, e Remo não fez nenhum movimento para se defender. Quando eles finalmente desistiram, porque Dante tinha entrado, Remo rolou de costas e olhou diretamente para a câmera, sabendo que eu estava assistindo. Ele não desviou o olhar quando meu pai pegou sua faca e cortou seu peito. Nem quando foi a vez de Samuel. Nem quando foi a vez de Danilo. Nem quando foi a vez de Dante. Passei muitas horas, dia e noite, imaginando como seria a sensação de ver Remo quebrado, de vê-lo de joelhos. Não era assim que eu imaginava que as coisas seriam, meu coração apertando meu peito com tanta força que eu m*l conseguia respirar, as lágrimas queimando minhas pálpebras tão ferozmente que tive que morder o interior da minha bochecha para segurá-las. E mesmo com a tortura, Remo não parecia estar quebrado porque não podia ser quebrado, não com violência e dor. Talvez nunca poderia. Eu me afastei da tela e fui embora. Meus guarda-costas seguiram logo atrás, seus passos lentos e medidos. Sombras destinadas a proteger e me salvar. Mas eu estava além da salvação. Minha família tentou me consertar, mas não precisavam porque eu não estava quebrada. Deslizando atrás do volante da limusine Mercedes, liguei o motor no segundo em que meus guarda-costas entraram. Meu pé pressionou o acelerador. Eles olharam para mim, mas não falaram. Eles foram feitos para proteger não julgar. Era-me permitida essa liberdade porque a culpa da minha família pagava por isso. Eles não suportariam manter a pomba com asas quebradas em uma gaiola dourada. No segundo em que estacionei o carro em frente à casa da minha família, desliguei o motor e saí, sem esperar por eles. Eu entrei e corri para o andar de cima, não parei até entrar no berçário. Tanto Nevio quanto Greta dormiam no berço comum, parecendo pacíficos e meticulosamente bonitos. Eu acariciei suas cabeças, os cabelos pretos grosso como o do pai deles. Quando meus dedos tocaram a testa de Nevio, seus olhos se abriram com aqueles olhos castanhos escuros, quase negros. Eu me inclinei e dei um beijo na testa dele e depois na de Greta, respirei o cheiro deles, depois afundei em uma cadeira e os observei dormir. Eu não tinha certeza de quanto tempo fiquei assim quando a porta se abriu. Passos familiares soaram atrás de mim, passos que me acompanharam quase toda a minha vida. Uma mão quente caiu no meu ombro e eu a cobri com a minha. Samuel pressionou um beijo no topo da minha cabeça e depois encostou a testa nela por alguns instantes. Tão gentil e carinhoso, tão diferente do homem que eu tinha visto torturar Remo. Ele se endireitou e eu inclinei a cabeça para trás, olhando para ele. Seu olhar repousou em Greta e Nevio, mas para ele não havia nada de bonito neles. Como sempre, seus olhos brilhavam com culpa e aversão quando ele os olhou antes de notar meu escrutínio e baixar o olhar para mim. Calor encheu sua expressão. Eu gostaria que ele poupasse um pouco disso para as crianças que eu amava mais do que a própria vida. Samuel era meu sangue. Ele sempre seria. Ele era parte de mim como eu era parte dele, e eu não me ressentia por seus sentimentos em relação aos meus filhos. Eu sabia que ele odiava o pai deles, não eles, mas mais do que isso ele se odiava. Eu me levantei, agarrei seu pescoço e o puxei até que sua testa descansou contra a minha. — Por favor, Sam, pare de se culpar. Por favor, eu te imploro. Eu não estou quebrada. Você não tem motivos para se sentir culpado. Ele voltou meu olhar, mas percebi que sua culpa era profunda demais. Talvez amanhã ele finalmente estivesse livre. Talvez ele pudesse soltar sua culpa quando tivesse que me soltar. — Eu te amo, — eu disse, sabendo que era a última vez. Samuel passou os braços em volta de mim. — E eu amo você, Fina.  
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