SAMUEL Ouvi o suave rangido da cadeira de rodas antes que Emma aparecesse na porta, envolta em sombras. Ela já estava de camisola. Suas panturrilhas finas e seus elegantes pés descalços se destacavam, apesar do frio na casa. Ela mordeu o lábio inferior enquanto me observava em silêncio por um minuto. Ela se virou para mim. Eu queria que ela parasse de tentar me arrastar para fora das paredes que construí, mas percebi que ela queria tentar. Ela não queria as minhas preocupações além das dela. Desviei o olhar. — Você deveria ir dormir. Já está tarde. Eu a evitei nos últimos dias. Em parte, para facilitar minha resistência. Meu corpo pedia por sua proximidade. Em parte, por causa da minha teimosia. Lamentei minha decisão de proibir Emma de ter aulas de dança, mas admitir isso não

