19

2406 Words
Eu não estou costurando você. Eu estou colando você. Ela não disse nada, mas eu podia sentir seus olhos em mim. Ela tocou meu antebraço com a minha tatuagem da Camorra, escovando as cicatrizes entrecruzadas lá. — Eu me pergunto quem infligiu esses cortes, — ela murmurou. Eu congelei e minha cabeça disparou. Ela segurou meu olhar com o mesmo brilho de triunfo que eu tinha visto no porão. — Eu me pergunto quem te costurou depois? Você e Nino se cortaram em alguma cerimônia fraternal e se costuraram quando terminou? Vocês têm os mesmos cortes. Talvez eu deva perguntar a ele. Eu a empurrei contra a pia com meu corpo, minhas mãos apertando o balcão de mármore enquanto eu tremia de raiva... e outras emoções que nunca havia me permitido. Serafina olhou para mim, apesar do medo tomar conta de suas feições perfeitas. — Nunca mencione essas cicatrizes novamente. E você não vai falar com Nino sobre isso, nem uma única palavra, entendeu? — Eu rosnei. Ela apertou os lábios, sem dizer uma palavra. Uma gota de sangue passou por seus lábios e escorreu pelo queixo. Expirando, recuei, peguei um pano e encharquei-o com água morna. Eu agarrei seu queixo, mas ela pegou meu pulso. — Fique quieta, — eu pedi, e ela baixou a mão e me deixou limpar seu queixo. Então dei uma olhada mais atenta no lábio dela. Seus dentes só tinham cortado a camada superior da pele. — Você é sortuda. Isso vai se curar sozinho. — Eu estava tão perto dela que o cheiro dela me atingiu de novo. Sua voz me tirou disso. — Quanto tempo você vai me manter aqui? — Quem disse que vou deixá-la partir? — Eu perguntei em voz baixa antes de recuar e levá-la para fora do meu quarto. Depois de devolver Serafina ao quarto de hóspedes, que tranquei desta vez, eu estava prestes a começar o treinamento diário, chutando o saco de pancadas, quando Kiara invadiu a sala de jogos. Nino estava logo atrás dela e tentou detê-la, mas ela se afastou de suas mãos e se aproximou de mim, parecendo furiosa. Eu me virei para ela, levantando as sobrancelhas. Ela não parou até que estava bem na minha frente e me empurrou com força, seus olhos cheios de lágrimas. Eu peguei seus pulsos porque ela parecia querer me bater em seguida, e isso era algo que nós dois não queríamos que acontecesse. Um segundo depois, um aperto de aço se fechou ao redor do meu antebraço. — Solte-a agora, — Nino ordenou. Eu encontrei seu olhar, não gostando de seu tom nem um pouco. Seu aperto aumentou ainda mais. Um aviso. Uma ameaça. Nós nunca tínhamos realmente lutado um contra o outro, por uma boa razão, e eu sacrificaria minha merda de vida antes que permitisse que isso acontecesse. Mas Kiara poderia ser a razão pela qual Nino arriscaria. Savio levantou-se devagar e até Adamo largou o controle. Soltei seus pulsos e Nino soltou meu braço. Ele inclinou a cabeça em reconhecimento, um silencioso agradecimento. — O que você está fazendo com essa garota? — Kiara perguntou com força. Eu estreitei meus olhos. — Eu não posso ver como isso é da sua conta. — É da minha conta se você está forçando-se em uma mulher, — ela sussurrou, mas sua voz tremeu. — Eu sou o Capo. Eu governo esta cidade. Eu decido o que acontece com as pessoas no meu território. Eu me virei para encarar o saco de pancadas, mas Kiara se espremeu na frente dele. A fúria queimou através de mim, mas eu empurrei por minha garganta apesar do gosto amargo da p***a. Ela era de Nino. Ela era uma maldita Falcone. Agarrei-a pela cintura e a coloquei para o lado como uma boneca antes de encarar o saco de pancadas mais uma vez. Ela congelou sob o meu toque como de costume. Infelizmente, isso durou apenas uma p***a de segundo. Ela entrou na minha frente novamente. — Kiara, — disse Nino em aviso, mas ela olhou para ele. — Não! Ninguém me protegeu. Não vou ficar parada enquanto o mesmo acontece com outra pessoa. Saia do meu caminho, — eu disse em voz baixa, sentindo minha própria raiva aumentando. — Ou o quê? — Ela sussurrou asperamente. — Eu disse saia do meu caminho, Kiara. Ela deu um passo em minha direção, deixando-nos quase peito a peito. — E eu disse não. É uma montanha na qual estou disposta a morrer . Eu não me importo com sua vingança a Outfit ou com o que aconteceu no seu passado. Uma mulher inocente não vai sofrer por isso. Eu não podia acreditar que ela mencionou o nosso maldito passado. Nino nunca deveria ter lhe contado sobre isso! Nino se aproximou, me observando, não Kiara. O pavor de medo cintilou em seus olhos - algo que eu ainda tinha que me acostumar, porque meu irmão sempre foi insensível até que ele conheceu Kiara. Eu tentei passar por sua esposa, mas ela agarrou meu pulso. Meu olhar disparou para os dedos finos, em seguida, de volta para o rosto dela. Nino se mexeu levemente, os músculos tensos. Eu dei a ele um sorriso irônico. Ele estava pensando em me atacar? Sua expressão ficou cautelosa. Eu encontrei seu olhar e torci minha mão livre para que ele visse minha tatuagem e as cicatrizes entrecruzadas abaixo dela. Ele deveria saber que não importa o quão irritante sua esposa fosse, eu nunca a machucaria. As sobrancelhas dele se juntaram e ele relaxou com um pequeno aceno de cabeça. Kiara apertou mais forte. — Você me protegeu do meu tio quando ele queria me humilhar dançando comigo no meu casamento. Você ajudou o Nino a matá-lo... Eu a interrompi, ficando cansado de sua emotividade. — Você pode se acalmar. Quero que Serafina venha para minha cama de bom grado e não à força. Então você pode me libertar agora. Ela me olhou atentamente. — Ela não vai. Por que ela deveria? Você a sequestrou. — E você foi forçada a um casamento indesejado com meu irmão. Qual é a diferença? Ela tirou os dedos do meu pulso. Nino passou o braço em volta do ombro dela. — Não é o mesmo, — ela sussurrou. A única diferença é que, no seu caso, sua família decidiu quem ficaria com você, enquanto a família de Serafina não teve escolha. Nenhuma de vocês teve uma escolha real. Ela balançou a cabeça e olhou para Nino com tanto amor do c*****o que eu sabia que nunca poderia machucar um único cabelo em seu corpo. Ela voltou seu olhar para o meu. — Deixe-me falar com ela, — disse ela, não pedindo, mas mandando. — Isso é uma p***a de ordem, Kiara? — Eu perguntei em uma voz ameaçadora. Talvez ela precisasse lembrar que eu era seu Capo. Nino apertou seu ombro, mas ela segurou meu olhar, em seguida, saiu de seu domínio e se aproximou de mim. — Não, — ela disse suavemente, olhando para mim com aqueles grandes olhos castanhos como se isso aquecesse meu coração. — Estou pedindo sua permissão como sua cunhada e como uma Falcone. — f**a-se, — eu rosnei e olhei para Nino. — Você não poderia ter escolhido uma esposa tonta? Ela é tão boa em manipulação quanto você. A boca de Nino se contorceu e ele parecia orgulhoso. Orgulhoso pra c*****o. — Eu não tenho certeza porque aguento todos vocês, — murmurei. — Isso significa que tenho permissão para falar com ela? — Kiara perguntou esperançosamente. — Sim. Mas devo avisá-la... Serafina não é tão dócil quanto você. Se eu fosse você, tomaria cuidado. Ela pode acabar te atacando para se salvar. — Eu vou me arriscar, — disse ela, em seguida, virou-se e foi direto para a minha ala. Nino a seguiu porque estava obviamente preocupado com sua segurança. Soltei um fôlego e chutei o saco de pancadas com tanta força que o gancho se soltou do teto e o saco caiu no chão. Savio riu quando veio até mim. — No começo, eu realmente detestava a ideia de ter Kiara sob nosso teto, mas gosto mais da presença a cada dia. — Por que você não liga para alguém para consertar essa p***a de saco, em vez de me irritar? Savio sorriu. — Farei isso, Capo. Eu conheço alguém em quem você pode liberar sua energia reprimida. Eu deveria treinar com o Adamo. Por que você não assume? O garoto preciso de um bom chute na b***a. Por que eu simplesmente não te penduro no gancho e uso você como um saco de pancadas? Savio riu e saiu andando. Olhei para a bagunça no chão mais uma vez, me virei para Adamo, que tinha os braços cruzados sobre o peito e me encarava. — Vamos lá, garoto. Treine comigo. Adamo e eu nunca tínhamos treinado juntos, a menos que você contasse as brigas simuladas que eu tinha com ele quando era um garotinho e ainda não odiava minhas entranhas. Por um momento, pareceu que ele recusaria, mas depois levantou. Ele se arrastou atrás de mim daquela forma irritante que adotou recentemente, apenas para me fazer subir as paredes. Peguei minhas chaves e as joguei na direção de Adamo. — Pegue. Ele fez, franzindo a testa. — Você vai nos levar até lá. — Sério? — Ele perguntou e por uma vez não estava olhando para mim. — Sério. Agora se mexa. Eu não tenho o dia todo. Adamo passou apressado por mim, sem se arrastar, e eu segui atrás dele, balançando a cabeça e sorrindo. Nada deixava esse garoto tão e******o quanto dirigir carros ou, melhor, competir com eles. Quando cheguei à entrada da garagem, ele já estava atrás do volante do meu novo Lamborghini Aventador verde néon, sorrindo como o gato que pegou a p***a do canário. No momento em que minha b***a bateu no banco do passageiro, ele acelerou o motor e nós disparamos pela entrada da garagem. — Há um portão no final. Você se lembra disso, certo? — Eu murmurei, colocando o cinto. Adamo apertou o botão e os portões se abriram, e nós corremos através deles com cerca de uma polegada entre os espelhos laterais e o aço implacável. Eu balancei a cabeça, mas Adamo não diminuiu a velocidade. Nós atravessamos o tráfego, e buzinas nos seguiram em todos os lugares. Um carro da polícia saiu de um beco lateral e começou a nos perseguir com sirenes uivando e luzes piscando. Oh homem, — Adamo choramingou, pisando nos freios e encostando. O policial saiu, colocou a mão na arma e caminhou na nossa direção enquanto o colega ficou para trás, com a arma ao lado. Esse era o problema com um carro novo. Adamo abriu a janela e o oficial olhou para ele. — Saia do carro. Inclinei-me para frente, meu antebraço com a minha tatuagem apoiada contra o painel e sorri sombriamente para o homem. — Infelizmente, oficial, nós temos um lugar onde precisamos estar. O policial registrou minha tatuagem e meu rosto deu um passo para trás. — Isso foi um m*l entendido. Viagem em segurança. Eu balancei a cabeça e afundei de volta contra o assento. — Dirija. Adamo me olhou com uma expressão de admiração nos olhos. Então ele se afastou do meio-fio em um ritmo mais lento, mas ainda muito rápido. Seu humor azedou no momento em que saímos do carro em frente ao cassino abandonado que servia como nosso ginásio. Eu esperei por Adamo na gaiola, mas ele levou seu tempo para se aprontar. Quando ele finalmente se aproximou de mim, eu realmente desejei que ele fosse outra pessoa, porque queria destruir meu oponente de forma c***l. Adamo subiu e fechou a porta antes de me encarar. Ele cresceu nos últimos meses. Ele ainda era muito mais magro do que Nino e eu, e até mesmo Savio, mas ele estava em boa forma apesar de sua relutância em lutar. Seus braços pendiam frouxamente ao seu lado enquanto ele me observava com apreensão. — Vamos lá, garoto. Mostre-me o que você aprendeu. — Não me chame de garoto, — ele resmungou. Eu sorri desafiadoramente. — Me faça. Até agora, nada que eu tenha visto deu a entender que você é mais do que um garoto malhumorado. Ele fechou as mãos em punhos, estreitando os olhos. Melhor. Pelo menos eu não gosto de machucar garotas. Então era isso que o estava deixando irritado. — Você não gosta de fazer mais nada com elas também, — eu zombei, tentando finalmente levá-lo a agir de acordo com sua raiva. Eu não dava a mínima se Adamo era virgem ou não. Eu não entendia nem um pouco, mas ele podia f***r quem quisesse, sempre que quisesse. — Eu gosto de garotas. — Não de suas bocetas, obviamente. Ele corou vermelho brilhante. Nós ainda tínhamos muito trabalho a fazer. — Você já beijou uma menina, pelo menos? — Eu dei um passo para perto dele. Ele olhou para longe e meu sorriso se alargou. — Quem foi? Uma garota da escola? Ou uma prostituta depois de tudo? Seus olhos brilharam de raiva e ele me atacou. Seu chute foi surpreendentemente bem colocado, mas eu bloqueei com ambos os meus antebraços, em seguida, dei um soco no lado de Adamo - não tão duro quanto eu queria, no entanto. Ele engasgou, mas ainda enviou vários socos na minha direção. Encontramos um bom ritmo e eu pude ver Adamo se soltando, como se esse fosse um dos seus irritantes videogames. Eu tive que admitir que estava gostando do treino. Não era mais do que isso, porque, se eu tivesse realmente lutado contra Adamo, o garoto estaria no chão. Eventualmente, nós nos inclinamos contra a gaiola, bebendo água e pingando suor. — Eu não achei que você fosse se segurar. Achei que você chutaria a minha b***a porque sou uma decepção a seus olhos. Eu abaixei a garrafa. — O que faz você pensar que me segurei? Ele bufou. — Você é o lutador mais forte que conheço. Eu não teria chance contra você. — Ainda não. Talvez um dia. E você não é uma decepção. Ele balançou a cabeça. — Eu nunca vou ser como você e Nino ou até mesmo Savio. — Eu não quero que você seja como qualquer um de nós. Eu só quero que você seja um Falcone e tenha orgulho disso.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD